Eduardo Barroca precisou de 11 dias após a demissão no Botafogo para voltar à beira do campo. Antes de assumir o Atlético-GO na reta final da Série B do Campeonato Brasileiro com o objetivo de sacramentar o acesso à elite, o técnico de 37 anos aproveitou raro tempo livre para batizar o filho Bernardo, de 1 ano (também é pai da Bia, de 4), fazer exames e curtir a família.

De volta ao trabalho (tem duas vitórias, três empates e uma derrota no comando da equipe), está morando no CT do Dragão até o fim do contrato, em dezembro. Após mais de um mês desde sua saída, Barroca faz balanço positivo de seu trabalho e aposta que o Glorioso vai fugir do rebaixamento.

O DIA: Por que aceitou o desafio do Atlético-GO?

EDUARDO BARROCA: Venho desde 2016 emendando um trabalho no outro, sem férias. Recebi três convites, dois de clubes da B e um da A, dois dias depois da demissão. Recusei por ser muito recente. Uma semana depois, o presidente do Atlético-GO (Adson Batista) me ligou, conversamos. Não era minha ideia, mas da forma como ele me passou, pela estrutura que eu já conhecia, além da briga pelo acesso, entendi que era uma oportunidade que não podia deixar passar.

O DIA: Não é comum técnico sair da Série A e ir logo para a B…

Independentemente de série, foi a qualidade do clube, a estrutura e por brigar por um objetivo maior. Isso pesou. É uma oportunidade de conhecer um novo mercado.

O DIA: O Atlético-GO estava em terceiro lugar, agora está em quarto. Foi um risco calculado assumir com a obrigação de manter o time no G-4?

O time estava no G-4 e continua, é equilibrado e precisa fechar nesse nível bom porque a Série B tem característica grande de equilíbrio entre as equipes. Os jogos são diferentes, com velocidade maior, transição mais forte. Não podemos pensar em empatar nesses três jogos que restam. A diferença quase inexiste (o América-MG, quinto, tem dois pontos a menos). Se ganhar dois jogos, pode ser que garanta o acesso antes.

O DIA: Já dá para fazer um balanço de sua temporada?

Pretendo fazer assim que acabar a Série B. Foi um ano agitado. Comecei no Corinthians, com boa campanha na Copa São Paulo de Juniores e saímos na semifinal de forma invicta, nos pênaltis. Depois veio o convite do Botafogo. Aceitei o desafio por entender ser o ideal para a transição (para os profissionais). Conhecia bem o clube, os jogadores. Tenho relação de muito carinho, gratidão e respeito pelo Botafogo. A experiência foi muito boa, tirei lições, vivi grandes emoções. Agora estou no Atlético-GO e depois farei uma pausa para ficar com a família, porque ela ficou um pouco de lado. E de 9 a 21 de dezembro vou concluir a licença pro da CBF. Foi um ano bem intenso.

O DIA: Qual análise faz da sua demissão no Botafogo?

Digeri completamente. Primeiro quero reiterar minha gratidão. Nunca será uma relação só profissional, estou torcendo demais pelo Botafogo, que tem pessoas especiais. A saída foi feita da forma mais correta possível. O Anderson Barros (gerente de futebol) é um cara que segura a bronca e me ajudou demais. Não gostaria de ter saído, mas entendo que grandes clubes dependem de resultados. Só tenho a agradecer.

O DIA: A pressão após a sequência ruim te surpreendeu?

Não. Porque meu discurso, quando cheguei, era de ter resultados a curto prazo. Sei que a avaliação do trabalho é feita de resultados. Nessa sequência, empatamos fora com o Ceará, poderíamos ter vencido o São Paulo, tivemos jogador expulso no primeiro tempo contra o Bahia e fizemos jogo equilibrado com o Fortaleza. Sob meu comando, quase não perdemos por dois gols de diferença, só para São Paulo, Corinthians e Bahia. Tivemos sérias dificuldades técnicas, administrativas e de perda de jogadores, mas tentamos agregar valor. Meu Raio-X é positivo.

O DIA: Os jogadores tentaram te manter no cargo…

Isso me emocionou muito, eu me senti apoiado e prestigiado. Eles fizeram algo não muito comum no vestiário, eu nunca tinha visto. Foi uma atitude especial que prefiro não externar. Tenho muita gratidão por eles.

O DIA: O início de Brasileiro aumentou as expectativas?

O Botafogo colhe frutos do bom início. Saí com o time em 12º, na zona de classificação para a Sul-Americana, oito vitórias. Meu principal trabalho foi encorajar os jogadores, fazer com que acreditassem ser possível jogar contra qualquer equipe tentando agregar um futebol bonito, não pensando só em resultado. Tenho compromisso de dar prazer ao torcedor, com algo que agregue valor.

O DIA: O que acha que mais aprendeu no Botafogo?

Foi a certeza de que, independentemente das características e da qualidade dos jogadores, é possível ser competitivo tentando fazer um futebol rico em valor. Desde a base eu fui resistente a trabalhos reativos e vi que é possível fazer o que penso. O sentimento é de muito orgulho, de dever cumprido por ver os jogadores lutando e se dedicando mesmo numa série de dificuldades.

O DIA: Tem assistido aos jogos do Botafogo? Acha que o time vai fugir da queda?

Sempre que posso eu acompanho, estou sempre na torcida pelo Botafogo. Respeito muito o Alberto (Valentim), ele me deu oportunidade quando eu treinava a base, trocamos ideias. Ele tem qualidade para ajudar o clube. Estou torcendo demais para que se livre logo da zona de rebaixamento e possa brigar por uma vaga em competição internacional.

Fonte: O Dia Online