Uma característica importante em um time que disputa mais de uma competição simultaneamente é saber levar em consideração as peculiaridades de cada uma delas. E neste domingo, no Estádio Nilton Santos, o Botafogo demonstrou estar apto a cumprir esta missão e “virar a chave” da Libertadores para o Brasileirão e, futuramente, para a Copa do Brasil.

 

Diante da Ponte Preta, o time entrou ligado desde o início e, ainda que dentro de suas características, dominou o confronto do início ao fim. Criou chances, rondou a área, tocou bem a bola, testou variações táticas interessantes e arriscou mais de fora da área – algo que vem fazendo pouco; assim, saíram os dois belos gols da nossa 1ª vitória no campeonato nacional.

 

É importante manter uma regularidade de pontos desde o início, evitando sufocos na parte inferior da tabela – para a qual pretendo nem precisar olhar esse ano – e ficar sempre rondando a zona de classificação à Libertadores. Vencer em casa e buscar pontuar fora são fatores essenciais para evitar a necessidade de arrancadas como a do ano passado – convenhamos, nem sempre elas acontecerão.

 

Satiro Sodré/SS Press

Satiro Sodré/SS Press
Glorioso voltou a vencer em sua linda casa

 

O Botafogo vem criando uma consistência que é marca de times que vão longe. Sólido na defesa e compacto no meio-campo, o time impôs seu ritmo e até permitiu que Jair fizesse testes como Gilson na lateral, Guilherme como extremo e Victor Luis por dentro, como um volante; até uma tímida mudança no esquema, passando para um 4-1-4-1 com João Paulo como entrelinhas, foi notada. E todas essas variações mantendo o nível da atuação, o que é importantíssimo e mostra o poder de comando cada vez maior do treinador.

 

Apesar de todas as boas notícias, também ficou cristalina a necessidade de reforços pontuais. Com reposições para o setor ofensivo, como um armador, um centroavante e dois extremos, será possível criar novas alternativas com substituições e até descansar alguns jogadores que estão sempre atuando em seu limite, casos de Pimpão e Bruno Silva. Esperamos que a diretoria se movimente o quanto antes.

 

Na quarta-feira, sairemos para buscar a importantíssima liderança do Grupo 1 na Libertadores. No domingo, voltamos ao Estádio Nilton Santos para buscar a segunda vitória consecutiva em casa no Brasileirão. Se o time conseguir virar a chave e conservar o fôlego, teremos mais uma excelente semana – assim como a que acabou neste domingo.

 

Notas

 

Gatito: 8
Mesmo com o Botafogo dominando as ações, foi importantíssimo ao fazer duas ótimas defesas nas raras chegadas da Ponte.

 

Arnaldo: 6
Estreia regular. Com muita disposição e velocidade, mostrou aplicação. Deixou alguns espaços atrás, principalmente no 1º tempo, mas pode evoluir. Muita calma, foi apenas o seu primeiro jogo.

 

Joel Carli: 7,5
A tranquilidade e o controle de sempre sobre o sistema defensivo. Mais do que marcar bem e ser ótimo em desarmes, é importantíssimo por comandar e orientar toda a linha de defesa.

 

Igor Rabello: 7,5
Mais uma ótima aparição. A exibição na Libertadores o deu confiança e seu futebol continua aparecendo. Muito bem nos cortes por cima.

 

Victor Luis: 7,5
É um dos pilares do time. Fecha como poucos o lado esquerdo e sobe nas boas, sendo perigoso. Mostrou polivalência e dinamismo ao ser deslocado para jogar por dentro na linha do meio-campo. A cada jogo, desejo mais que sua compra seja efetuada.

 

Rodrigo Lindoso: 8,5
O melhor em campo. Marcou muito bem, deu opção no meio-campo e ainda foi premiado com um belo gol de fora da área. Seu futebol de 2016 vem reaparecendo e isso é uma excelente notícia.

 

Bruno Silva: 8
Após atuação mediana na quinta-feira, voltou a jogar em alto nível. Correu muito, auxiliou Arnaldo na dobradinha pela direita e também fez um golaço. Preocupa o fato de não ter um substituto à altura para descansá-lo.

 

João Paulo: 7
Bons desarmes e muita raça. Melhorou um pouco o aproveitamento nos passes, mas sabe que pode crescer bem mais. Muita raça e bons cortes por baixo na defesa. Foi testado como entrelinhas num 4-1-4-1 e se saiu bem por ali.

 

Rodrigo Pimpão: 5,5
Acostumado a ser um ponto forte da equipe, hoje não rendeu. Tem função importante e muito desgastante, o que pode prejudicá-lo por também não ter substitutos à altura, pois precisa descansar.

 

Camilo: 5
Conseguiu me tirar do sério. Errou todos os passes, caminhou em campo e pouco apareceu para o jogo. Parece estar com a cabeça distante. É bom que Montillo volte jogando bola, pois precisamos melhorar a criação.

 

Roger: 6
Brigou o tempo todo, mas a falta de velocidade complicou a disputa com a zaga pontepretana. Há vários jogos não recebe uma bola em condições boas para finalizar – fora a deixada meio sem querer do Camilo na quinta.

 

Guilherme: 7,5
Entrou bem, dando velocidade aberto pela esquerda e sem a obrigação de recompor como extremo. Bela jogada para o gol do Lindoso. Pecou apenas ao perder um gol incrível, em rebote do seu próprio chute, com o goleiro já caído e deitado no gramado.

 

Gilson: 6,5
Entrou como extremo e fez boa dobradinha com Victor Luis.

 

Airton: 6
Entrou para render Lindoso e ganhar ritmo por estar voltando de lesão. Apesar de ter muita qualidade, vai ter que brigar para voltar ao time.

 

Jair Ventura: 10
Sua nota hoje é máxima. Fez o time entrar 100% focado no Brasileirão, armou muito bem a equipe e não fez substituições óbvias, inclusive testando novidades no desenho tático e nas posições de jogadores, mostrando não estar acomodado com a boa fase. Precisa e merece receber novas peças para as posições carentes.

Fonte: Blog do Pedro Chilingue - Preto no Branco - ESPN FC