A paciência acabou.

Já começo bicando para longe a muleta da falta de dinheiro. Times com menos grana que nós se reforçam de maneira mais competente que nós. Aliás, se “não tem dinheiro”, não traz ninguém. É melhor. Usa a base e economiza em salário. O que não pode é causar uma síncope na torcida com o que aconteceu nesta segunda-feira.

O Botafogo, na maior cara de pau possível, anunciou a contratação de Geovane Maranhão. Atacante, 27 anos. Disputou 14 jogos pelo Madureira no Campeonato Carioca 2016. Gols? Zero. É isso mesmo que você leu: o Botafogo, que tem passado maus bocados pela inoperância ofensiva, contratou um atacante que ainda não fez gols nessa temporada.

Seu último tento, aliás, saiu em outubro do ano passado. Marcou pelo Madureira contra a fortíssima equipe do Rio São Paulo pela grande Copa Rio. Apesar de estar perto dos 30 anos, Maranhão nunca se destacou em lugar nenhum. Surgiu na base do Marília, teve curta passagem pelo Vasco – onde assinou seu primeiro contrato profissional -, rodou por meia dúzia de times pequenos e seu melhor momento foi uma transferência ao Belenenses, da Segundona de Portugal. Baita sucesso, né?

Sinceramente, fico até sem ter o que escrever aqui. Fico imaginando o que se passa em uma reunião do nosso patético departamento de futebol:

“Opa! Geovane Maranhão! Não fez nenhum gol ainda esse ano. Não teve sucesso algum na carreira e já tem 27 anos. Vamos contratar!”

Só pode ser brincadeira. Piada de mau gosto. Teste de resistência para a torcida. Pegadinha. Qualquer coisa, só não pode ser sério. Como um clube detecta a necessidade de reforços para um campeonato difícil como o Brasileirão e traz Anderson Aquino, Marquinho e Geovane Maranhão?

Antônio Lopes é um brincalhão. Já passou da hora de se aposentar do futebol. Teve seus méritos como técnico e obteve até um rápido sucesso como gerente de futebol no Atlético-PR, mas nada que o condicione para trabalhar em um clube grande como o Botafogo. Precisa ser afastado antes que não tenha mais volta.

Não temos grana. Sei muito bem disso. Mas o que gastamos com Lizio, Gervasio, Marquinho, Aquino e Geovane Maranhão representaria a contratação de, pelo menos, dois bons jogadores. Quem não tem capital precisa otimizar os acertos e dar tiros certeiros, trazer peças indiscutíveis. O Botafogo faz o contrário: infla a folha salarial com apostas bisonhas e depois fica sem ter para onde correr.

O que uma contratação como o Maranhão acrescenta mais do que Sassá, Renan Gorne, Luis Henrique e Ribamar? Ele é inferior a todos os nossos meninos. Precisamos de um nome cascudo e com qualidade comprovada para carregar a camisa 9. Isso, claro, sem falar nos extremos e meias que ainda não vieram.

O trabalho administrativo do presidente Carlos Eduardo Pereira é louvável e digno de aplausos. O Marketing tem erros e acertos. Mas o departamento de futebol é, sem dúvidas, uma âncora em General Severiano. É um absurdo o que este senhor vem fazendo. Alguma providência precisa ser tomada o quanto antes.

O elenco que o departamento de futebol montou não demonstra condições técnicas de buscar 46 pontos no Campeonato Brasileiro – e essa é a minha única preocupação no momento. Enquanto estiver vivo, lutarei por um Botafogo digno, competente e profissional. E esse Botafogo, certamente, não existirá com Antônio Lopes.

Fonte: Blog Preto no Branco - Pedro Chilingue - ESPN FC