Tinha muita vontade de falar de futebol, de comentar sobre a tentativa do técnico Alberto Valentim de construir um Vasco defensivamente mais sólido.

De me aprofundar no trabalho que Fernando Diniz vem fazendo no Fluminense.

De debater sobre a montagem do Flamengo de Abel Braga.

E até de alertar para a melhora no desempenho do Botafogo de Zé Ricardo.

Mas ainda não dá: o momento ainda é de tristeza e indignação com os fatos que se sucedem após a tragédia nas instalações provisórias do Ninho do Urubu.

Estranho que os orgãos da prefeitura tenham “lacrado” instalações de Vasco e de Botafogo com a velocidade e a eficiência que não foram demonstradas após serem lavradas 31 infrações no Ninho do Urubu.

Nada contra a interdição de obras não licenciadas, mas o que não me soa bem é o surto de prudência que agora acomete os órgãos públicos que, sabe-se lá por que, não mostraram autoridade quando deveriam.

E me recuso a crer que não o tenham feito por arranjo político…

Outro fato que incomodou um pouco foi a postura amistosa, quase como numa parceria, de agentes do Ministério Público do Estado após a primeira reunião com os dirigentes do Flamengo.

Rodolfo Landim até agora não veio a público para responder quem autorizou a acomodação das crianças num espaço improvisado para o qual o clube não possuia nenhum plano contra incêndio.

Não falou, mas contratou os serviços de um assessoria de imprensa que presta serviço para vários orgãos públicos.

Enfim, de tudo o que se sucedeu após a tragédia, o único momento de alívio e esperança esteve no gesto dos vascaínos, estando na própria camisa a bandeira do rival.

Porque, historicamente, o Vasco esteve sempre irmanado aos movimentos por uma sociedade mais justa.

Está no DNA de um clube que nasceu da união dos povos, fazendo seu time de futebol com negros, caixeiros e outros representantes da minoria rejeitada pelos coirmãos fundados pela elite do início do século passado.

Pois, então, que as mortes dos meninos no Centro de Treinamento do Flamengo não sejam em vão.

Torçamos, ao menos, para que o sofrimento possa ser amenizado pela arte do jogo.

E que os finalistas da Taça Gianabara mostrem que o futebol ainda vale a pena…

Fonte: Blog do Gilmar Ferreira - Extra Online