A história e o momento.

É assim que enxergo a final do Campeonato Carioca de 2016.

A história, primeiramente, pela relação do Botafogo com o azar. Todo botafoguense é pessimista, é verdade. Mas mesmo acompanhando o nosso Alvinegro há 25 anos, ainda não consegui me acostumar com o nosso azar. Convivemos com lesões de jogadores importantes todo ano – principalmente em momentos decisivos. Não pode ser só incompetência do departamento médico.

Semana passada, perdemos Emerson. Renan Fonseca entrou e falhou – junto com Jéfferson – no gol do Vasco. Hoje, perdemos o lateral Diogo Barbosa – que não é nenhum craque, mas é importantíssimo na transição da defesa para o ataque. Sem ele, não perdemos apenas um lateral; perdemos, também, um armador. Carli e Ribamar também tiveram seus desempenhos prejudicados por lesão. Quem não lembra, por exemplo, de Reinaldo e Maicosuel se machucando no mesmo lance em 2009?

O momento, por sua vez, é o panorama que se repete desde o início da temporada. O trabalho do técnico Ricardo Gomes é brilhante e louvável, transformando um time tecnicamente fraco na equipe mais competitiva do Campeonato Carioca. Mas, na guerra que será o ano de 2016 para o Glorioso, ele ainda não recebeu as armas que precisa para, no mínimo, combater de igual pra igual. Faltou, assim como durante toda a competição, um “algo a mais”. Faltou poder de fogo, capacidade de decisão. E isso é culpa de Antônio Lopes.

Faço aqui, também, uma menção honrosa ao bandeirinha Dibert Pedrosa – desde já fazendo a ressalva de que não estou o responsabilizando pelo vice-campeonato. Sua atuação foi lamentável e, pra dizer o mínimo, bastante duvidosa. No primeiro lance, marcou uma saída de bola que só ele viu, quando nossos jogadores sairiam em bloco na cara de Martin Silva. No segundo tempo, marcou uma falta em Madson que só ele viu, originando o gol de empate do Vasco. Fora isso, uns 5 impedimentos inexistentes. O juiz teve ótima atuação e o outro bandeirinha também, mas ele destoou. Espero que o Botafogo faça mais do que uma reclamação oficial.

Em campo, o jogo foi mais parelho do que no último domingo. O Vasco tentando administrar o resultado sem deixar de jogar e o Botafogo tentando superar o bom sistema defensivo adversário, além de suas próprias limitações. No fim das contas, vale ressaltar a boa campanha no geral e corrigir os erros visando o Brasileirão, que começa já no próximo final de semana. Parabéns aos cruzmaltinos, que também fizeram ótima campanha.

Notas

Jéfferson: 7
Praticamente um espectador. Fez intervenções simples e nada pôde fazer no lance do gol.

Luis Ricardo: 6,5
Ainda é irregular, mas seu nível melhorou bastante em relação à última temporada. Parece que o forte esquema tático de Ricardo Gomes consertou o seu futebol irresponsável.

Joel Carli: 7
Um guerreiro. Mesmo sentindo a coxa esquerda desde os primeiros minutos, manteve-se em campo e lutou até o final. Pode ter sido um tiro no escuro, mas sua contratação foi um acerto.

Emerson Silva: 7
Mais uma vez, bastante seguro na zaga. Jogador discreto e importante, tem tudo para fazer uma ótima temporada.

Diogo Barbosa: 7
Como sempre, vinha sendo importante na chegada ao ataque, até sentir a coxa esquerda. A lesão preocupa e deve tirá-lo da estreia do Brasileirão. Faz importante função na equipe devido à inoperância dos nossos armadores.

Rodrigo Lindoso: 6
Mais participativo que na primeira partida da final, mas ainda muito tímido. Faz papel importante no posicionamento sem a bola. Será útil no Brasileirão, mas ainda não o vejo como titular.

Bruno Silva: 6,5
Quase fez um golaço em lindo chute. Um pouco mais ligado que Lindoso, marcou com eficiência e se arriscou timidamente lá na frente. Pode fazer mais, principalmente na transição defesa-ataque.

Gegê: 7,5
Triste admitir mas, dentro do nosso panorama atual, sua renovação foi positiva. É o único que faz a função que Ricardo impôs pela esquerda, além de ser bom nas bolas paradas. Não pode ser titular, mas será útil.

Leandrinho: 8
Melhor do time. Um pouco discreto no 1º tempo, se soltou mais na segunda etapa. Ousado, incisivo e com estrela para marcar o gol. Precisa dosar mais para ser constante durante o jogo todo.

Salgueiro: 5
O pior em campo. Já estamos em maio e ele não conseguiu fazer uma atuação realmente convincente. Teve bons momentos, mas muito pouco diante da expectativa criada sobre ele – camisa 10 e principal contratação da temporada. Precisa melhorar urgentemente.

Ribamar: 6
Muita luta e entrega, como sempre. Tecnicamente, ficou devendo. Além disso, tem jogado muito isolado devido à inoperância de Salgueiro. Algo que o técnico precisa corrigir.

Diego: 6
Na média. Foi bem no cruzamento do gol, mas falhou na marcação deixando Rafael Vaz subir sozinho para marcar. Ainda não mostrou o potencial que demonstrava na base. Muito cru.

Luis Henrique: 5
Entrou na segunda etapa e pouco fez. Seu processo de profissionalização foi apressado e, na minha opinião, equivocado. Pulou etapas, perdeu o amadurecimento dos juniores e ainda não está preparado para jogar em cima. Pode ser um grande jogador, mas a situação é delicada.

Neílton: Sem nota
Entrou no fim e não teve tempo para fazer muita coisa.

Ricardo Gomes: 10
Não só pelo jogo de hoje, mas pelos 5 meses de muito trabalho. Sua evolução é assustadora e surpreendente. Montou um esquema eficiente e fez os jogadores seguirem à risca. É prejudicado pela incompetência do departamento de futebol. Chegou a estar com o setor ofensivo todo da base – Leandrinho, Gegê, Ribamar, Luis Henrique e até Diego – em campo. Precisa de peças, ou todo seu esforço será em vão no Brasileiro.

Fonte: Blog do Pedro Chilingue - ESPN FC