Desde que me entendo por botafoguense, escuto e reproduzo a máxima de que “existem coisas que só acontecem ao Botafogo”. Nós nunca escondemos nosso pessimismo romântico de ninguém – o alvinegro sempre foi conhecido assim, por estar acostumado a lidar com as dificuldades mais inacreditáveis do planeta.

 

Mas esse grupo atual é tão incrível que até o ditado histórico tem conseguido mudar. A frase, tão usada para demonstrar incredulidade diante do azar, hoje se vira a nosso favor: mesmo com a derrota em noite apagada na Argentina, o nosso Fogão volta ao Brasil com a primeira colocação do Grupo 1, que nos coloca em condições de decidir as oitavas em casa – além de escapar do confronto com brasileiros na próxima fase.

 

Isso aconteceu graças à vitória do Atlético Nacional por 3 a 1 sobre o Barcelona, que liderava pelo saldo. Na conta do chá, assumimos a ponta e vamos dormir com a sensação de que a maré, enfim, parece estar virando de vez. Nossa hora vai chegar, basta crer e nunca mais repetir a atuação desta noite no Centenário de Quilmes. Na ponta do lápis, faltam 8 jogos para conquistarmos novamente a América e levantar nosso primeiro caneco da Libertadores.

 

Reprodução Facebook / Botafogo Oficial

Reprodução Facebook / Botafogo Oficial
O time que vem fazendo história na Libertadores

 

Estávamos desfalcados, é verdade, mas isso não pode justificar a apatia com que o time entrou em campo hoje. Embora abençoado pelo resultado da outra partida do grupo, é preciso estudar nossos erros para que não sejam repetidos em momentos decisivos daqui para a frente – assim como escancara, novamente, a necessidade de reforços. Novas peças poderão ser inscritas até 48 horas antes do primeiro jogo das oitavas, que só acontece em julho – tempo suficiente para buscar contratações.

 

A vida dos secadores não deve estar muito boa. Apostaram que cairíamos logo para o Colo-Colo; depois, para o Olímpia; na sequência, passaríamos vergonha no “grupo da morte”. No entanto, estamos aqui, vivos. Contamos que vocês continuem secando, pois é o que resta.

 

Agora é virar novamente a chavinha e focar nossas energias para Brasileirão e Copa do Brasil. A expectativa é equilibrar o elenco, esvaziar o departamento médico e continuar fazendo história com garra, competência e, por que não, a sorte que nos premiou esta noite.

 

Notas

 

Gatito Fernández: 8
Embora pouco exigido, fez grande defesa mano a mano, garantindo nossa classificação.

 

Emerson Santos: 3
Bisonho. Errou praticamente todos os passes na defesa e no ataque, além de ser irresponsável ao tentar dribles perto da nossa área. Se está de sacanagem por não renovar, é melhor que seja afastado.

 

Joel Carli: 7
Bom jogo. Seguro por baixo e por cima, comandou a defesa. No fim, se lançou desnecessariamente ao ataque.

 

Igor Rabello: 5,5
No gol, falhou duas vezes: a primeira ao afastar mal a bola; a segunda, por não cortar a bola pelo alto e deixá-la à feição do atacante adversário.

 

Victor Luis: 6
Mal no primeiro tempo, melhorou na segunda etapa ao jogar na segunda linha e tentar organizar o jogo pelo lado e também pelo meio.

 

Bruno Silva: 5
Difícil entender como alguém alterna uma excelente atuação e outra péssima num período de 5 dias. Disperso e displicente, errou muitos passes, deixou a desejar na marcação e foi nulo no apoio.

 

João Paulo: 5
Outro que não foi bem. Errando muitos passes, não conseguiu evoluir a saída de bola da intermediária ao ataque. Sem Camilo, poderia ter encostado para armar – o que também não fez.

 

Rodrigo Lindoso: 6
Alternou bons e maus momentos. Todos esperavam uma atuação mais consistente depois de duas ótimas partidas.

 

Gilson: 6,5
Um dos menos piores em campo. Embora também tenha errado mais do que deveria, se apresentou bem e deu opção pela esquerda, nem sempre aproveitada. No geral, tem saído melhor que a encomenda.

 

Guilherme: 5,5
Não aproveitou bem a grande oportunidade que teve, sendo titular e com liberdade pra jogar. Pouco buscou jogo e errou quase tudo, reforçando a ideia de que é, no máximo, uma opção aceitável para o segundo tempo.

 

Roger: 4
Muito mal. Errou passes, se posicionou mal e pareceu perdido. Não teve uma boa noite e não pode ser o único centroavante do elenco.

 

Joel: sem nota
Me recuso a dar nota. Sua contratação merecia até CPI, de tão bizarra. Alguém precisa explicar como ele virou jogador.

 

Fernandes: 5
Entrou para dar dinamismo ao meio e pouco tocou na bola. Seu grande futebol da base vem sumindo a cada dia, infelizmente.

 

Dudu Cearense: sem nota
Poucos minutos em campo.

 

Jair Ventura: 5
Embora eu tenha gostado, sua tática não funcionou. Achei interessante seu plano de jogo, mas o time não fez acontecer. Diferente do que quase toda a mídia noticiou, Gilson entrou para jogar na função do Pimpão, não do Camilo; este substituído por Guilherme, que jogou à frente da segunda linha, sem necessidade de recompôr a marcação. Com as peças que tinha, Jair fez o possível. Sem reforços, não fará mágica.

Fonte: Blog do Pedro Chilingue - Preto no Branco - ESPN FC