Enfim nasceu a primeira vitória do Botafogo na volta à Série A do Brasileirão.

Em uma noite onde tudo parecia uma coisa e acabou sendo outra, o torcedor alvinegro precisou testar o coração em um jogo de fortes emoções.

Começamos muito mal na partida. O Atlético-PR pressionava e se aproveitava das nossas cochiladas. Chegando forte nas costas de Victor Luis, que arrancava os primeiros xingamentos desde a sua chegada, o adversário parecia muito perto de marcar. Mas não marcou.

Pelo contrário. Escapando em contra-ataque, Victor Luis, o pior em campo nos primeiros minutos, arrancou pela direita e fez linda enfiada de bola pra Ribamar. Nosso atacante saiu na cara do goleiro e se assustou. Tentou ajeitar a bola, errou e acabou driblando o goleiro. Parecia que ia perder, mas fez. E foi um golaço.

O restante do primeiro tempo – nossos piores 45 minutos na temporada, arrisco dizer – foi de chove e não molha do Furacão. Rondavam a área, tocando a bola, tentando infiltrar, mas nada conseguiram além de alguns sustos e princípios de infarto em nossa arquibancada. O fato é que aquela pressão tornava-se quase insuportável.

No segundo tempo, o Botafogo aparentou entrar mais ligado. Nos 10 primeiros minutos tentou impor seu jogo, como tem feito durante toda a temporada. Parecia que administraríamos aquele importante um a zero. Mais uma vez, como durante toda a noite, só parecia. E o Atlético voltou com carga total.

Logo depois de ter um pênalti sobre Bruno Silva ignorado pelo árbitro – a arbitragem está de sacanagem conosco nesse campeonato -, o Botafogo viu os paranaenses perderem um, dois, três gols claros.  E aí veio aquela sensação de porra, hoje essa bola não entra. Adivinha? Ledo engano, mais uma vez. Gol dos caras, um puta balde de água fria.

Vinícius, aquele mesmo que pediu R$ 120 mil/mês lá em janeiro e o Botafogo achou um absurdo – pra depois pagar a mesma coisa pro grande Damian Lizio, que sequer entra em capo e nem foi convocado pela Bolívia (!!!) pra Copa América -, acertou um chutaço e igualou o placar. A merda estava feita e não estávamos mostrando o mínimo de futebol pra buscar outro gol.

Mas, como eu disse, hoje tudo estava acontecendo ao contrário do que aparentava. Salgueiro correu, acertou um passe e encontrou Neílton livre, que acertou um chute. Uma combinação bastante improvável que me fez pular, xingar, gritar e até ensaiar lágrimas.

Jogamos mal e vencemos. Pouco importa, o que vale mesmo, principalmente agora, é somar os três pontos. Só espero que o Botafogo não continue exigindo tanto do meu coração, pois ele não tem força pra resistir mais 35 rodadas assim.

Victor Silva/SSPress

Victor Silva/SSPress
Mais uma vez, Hélton Leite se destacou com ótimas defesas

Notas

Hélton Leite: 8
Continua um pouco inseguro nas saídas do gol, mas é inegável que tem agarrado bem. Fez duas ou três ótimas defesas e salvou o Botafogo novamente.

Luis Ricardo: 6
Um pouco mais discreto do que nas últimas partidas. Não comprometeu.

Emerson: 6
Atuação estranha. Intercalou chutões salvadores com falhas bobas. Precisou pedir desculpas umas três vezes aos companheiros. Pode jogar mais.

Emerson Silva: 6,5
Mais uma vez, na sua, manteve a regularidade. Poderia subir mais ao ataque nos escanteios, pois tem boa cabeçada.

Victor Luis: 7,5
Começou dando muitos espaços na defesa, mas se acertou depois de linda assistência. Jogador muito sóbrio. Já podemos pensar na contratação em definitivo.

Rodrigo Lindoso: 6,5
Vinha mantendo a eficiência de sempre, até se machucar. Com a sua saída, o meio-campo se desarrumou ainda mais – o que mostra a sua silenciosa importância.

Fernandes: 4,5
Deslocado em relação ao último jogo, foi o pior do Botafogo em campo. Não acertou os passes habituais, não fechou a linha de marcação e não ajudou na saída de bola. Irreconhecível.

Bruno Silva: 5,5
Um pouco melhor em relação ao jogo contra o Sport, mas ainda devendo. Jogou como extremo e chegou pouco à frente. Pelo menos fechou a marcação pela direita.

Gegê: 4,5
Voltou a ser o de sempre. Disperso, erros bizarros na condução de bola, chutes inexplicáveis. Nem na bola parada ele foi bem. Vaiado pela torcida.

Salgueiro: 5
Deu muita sorte. Eu estava preparado pra entrar aqui e esculachá-lo. Fazia partida bisonha, deu uma assistência pro gol do adversário e errou tudo o que tentou. No fim, se salvou com o passe pro gol da vitória. A torcida, que o vaiava com razão, reconheceu o feito e o aplaudiu na saída.

Ribamar: 6
Ainda muito afoito. No lance do gol, tomou a decisão errada mas deu sorte e acabou marcando. Insisto na teoria de que poderia ser deslocado para um dos extremos do meio.

Marquinho: 5
Muita correria e pouco futebol. Entrou só pra nos lembrar de que sua contratação foi inútil. Time que tem pouco pra gastar não pode contratar um jogador desses. Não acrescenta em nada.

Neílton: 7
Entrou, fez boas jogadas e marcou belo gol. Partidas assim justificam minimamente o seu salário. Só não pode fazer isso só uma vez a cada dois meses, senão não compensa.

Gervasio Nuñez: sem nota
Entrou no fim só pra nos deixar puto pela sua existência. Pouco participou do jogo.

Ricardo Gomes: 7
Com a ausência de Leandrinho, foi obrigado a mexer em algumas peças, colocando Gegê, deslocando Fernandes e Bruno Silva. Poderia ter colocado Fernandes como extremo. Fora isso, não tem muito o que fazer.

Observações

– Algo tem que ser feito em relação à nossa preparação física e prevenção de lesões. Só esse ano, já se machucaram Carli (duas vezes), Emerson (duas vezes), Diogo Barbosa, Rodrigo Lindoso (duas vezes), Airton, Gegê, Bruno Silva e Neílton. Praticamente todo o time titular. Isso está muito longe de ser normal.

– Muito me incomodou o fato de a contratação do Camilo, depois de já ter tudo acertado, ter precisado “só de um ok do Ricardo Gomes”. Ou seja, o técnico não participa do processo de busca de jogadores ideais pro seu esquema tático? Complicado isso.

– As contratações, de fato, elevam o nível técnico do elenco. Sobre Canales, farei um texto específico. Já Pimpão e Camilo são bons jogadores, mas, no esquema de Ricardo Gomes, disputam a mesma posição. Isso me preocupa demais, visto que o esquema tático é a melhor coisa que nós temos e, pra encaixar todos os nomes que chegaram, ele deve precisar mudar.

Fonte: Blog do Pedro Chilingue - ESPN FC