Mais do que ganhar. Mais do que superar o líder. Mais do que passar o rival na tabela. Mais do que voltar a vencer em casa. Mais do que se aproximar do G4. O que mais animou o botafoguense hoje, no Estádio Nilton Santos, foi algo bem mais simples: ver o seu time jogando futebol.

Pode parecer loucura, mas essa é a sensação. Mesmo depois de Jô acertar o canto em um dos poucos ataques do Corinthians no jogo, o torcedor alvinegro sentia alívio por ver o time voltar a ter alguma desenvoltura no campo de ataque. O gol da vitória foi apenas consequência; um prêmio para quem foi melhor durante os 90 minutos.

Visivelmente, Jair fez ajustes no setor ofensivo. A proposição de jogo estava bem melhor, os companheiros se aproximavam para tabelar, os passes e lançamentos estiveram mais precisos e, consequentemente, criamos mais chances com a bola rolando. Ainda distante do ideal, mas uma grande evolução perto do que vínhamos assistindo nos últimos confrontos.

Além disso, o time voltou a vibrar em campo – deixando de lado a apatia que nos assolava enquanto assistíamos, passivos, o domínio dos adversários. O ano de 2017 não combina com submissão, mas sim com entrega, garra, vontade, superação. E, assim, colocamos na roda o até então líder do campeonato.

Vitor Silva / SSPress

Vitor Silva / SSPress
Rabello fez o importante gol da vitória do Botafogo

Como já cansamos de falar: esse time, quando quer, bate de frente com qualquer um apesar das limitações. Como disse Rabello ao fim do jogo, a temporada ainda não acabou. Podemos e merecemos buscar o retorno à Libertadores. Jogando como hoje, a missão torna-se bem mais possível.

Nem sempre fomos melhores; sentimos o gol dos caras e, por alguns minutos, eles controlaram o jogo. No entanto, tivemos frieza para recuperar o domínio e, apesar da má pontaria, buscar o gol a qualquer custo. Essa vitória precisava vir e o time sabia disso.

O jogo de hoje é o que queremos ver. Ganhar ou perder é do jogo, mas precisamos competir com brio. Nos acostumamos com isso sendo o mínimo durante a temporada e, por isso, cobramos uma melhora – não necessariamente de futebol, mas de postura. A resposta veio hoje, junto com o merecido apoio em reconhecimento à volta da competitividade.

Na próxima rodada, visitamos o Atlético-MG em um confronto direto. Com sabedoria, podemos explorar a má fase do nosso maior freguês em território nacional, nos colocar de vez na briga e matar o último fio de esperança dos mineiros. Há muita coisa em jogo – mas esse grupo parece gostar disso, afinal.

Notas

Gatito Fernández: 6
Pouco participou. O gol não chegou a ser uma falha, mas era defensável.

Arnaldo: 6,5
Desafogou algumas bolas importantes pela direita. Em compensação, errou passes bobos que permitiram contra-ataques perigosos do Corinthians.

Joel Carli: 7
O capitão de sempre. Comandou a linha de defesa, deu botes perfeitos e segurou a onda na pequena pressão corinthiana.

Igor Rabello: 7,5
Deu alguns vacilos ao sair da linha e hesitou no lance do gol do Jô, mas foi bem no geral. Decisivo ao subir no terceiro andar para marcar o gol da vitória.

Victor Luis: 6,5
Ainda abaixo do que estamos acostumados, mas evoluiu seu jogo em relação à última sequência.

Rodrigo Lindoso: 6,5
Sempre importante na proteção à área e na saída de bola. Seu trabalho “sujo” na nossa intermediária é fundamental e, às vezes, pouco valorizado.

João Paulo: 7
Novamente em sua posição de origem, voltou a crescer. Bem nos passes e lançamentos, além da garra de sempre.

Bruno Silva: 7
Fechou bem a direita e chegou com inteligência ao ataque nas brechas deixadas por Arana. Caiu por cansaço no segundo tempo, aparentando não estar 100% após sair de maca.

Rodrigo Pimpão: 6
Abaixo dos companheiros no jogo de hoje, mas ainda assim decisivo ao desviar a bola no primeiro gol. Precisa caprichar nos passes e chutes caso queira manter a titularidade.

Marcos Vinícius: 8
Começou tímido, mas se soltou e fez ótimo jogo. Aproveitamento alto nos passes e lançamentos, deixando os companheiros em boa posição para marcar ou dar o último passe. Precisa manter uma sequência para crescer seu jogo.

Brenner: 6,5
Ainda buscando adaptação ao nosso esquema de jogo, alterou bons e maus momentos. Mais um gol de centroavante e muita luta, embora precise melhorar em alguns aspectos.

Guilherme: 6
Esperava que fosse mais incisivo, pois o jogo estava para ele. Não aproveitou os espaços deixados por Fagner e, consequentemente, não se destacou.

Leo Valencia: 6,5
Entrou ligado e querendo jogo. Importante ao bater o escanteio para o gol da vitória. Precisa errar menos passes para ser mais efetivo no ataque – nitidamente falta confiança. Devemos apoiá-lo.

Gilson: sem nota
Pouco tempo em campo e algumas pixotadas. Só isso.

Jair Ventura: 7,5
Seu time deu indícios de que trabalhou forte durante a semana para apresentar um rendimento melhor no campo de ataque. Mostrou boa evolução, até mesmo em jogadas ensaiadas nas bolas paradas. O toque de bola melhorou bastante, o que aumenta o repertório ofensivo e cria mais chances de gol. Espero que seja uma frequente daqui em diante.

Fonte: Blog Preto no Branco - Pedro Chilingue - ESPN FC