O Botafogo estreou no Campeonato Brasileiro com praticamente o mesmo elenco utilizado no Carioquinha. Posto isso, é irracional esperar que os resultados sejam diferentes. E, agora, não enfrentamos mais Madureiras, Bangus e Olarias. Enfrentamos o São Paulo – mesmo que seja com o time C, o buraco é bem mais embaixo.

Tudo na mesma. O Botafogo domina o jogo com seu esquema tático eficiente e seu padrão de jogo consistente. Não consegue marcar, pois a qualidade técnica ofensiva é inexistente e, então, num momento de descuido, acaba sofrendo o gol. Já falei isso por aqui umas mil vezes – eu já sei, você já sabe. Todo mundo já sabe, menos o Antônio Lopes.

Nos resta, então, sentar e esperar.

Sentar e esperar que nosso departamento de futebol e seu “setor de inteligência” (hahaha) resolvam contratar. E quando eu digo contratar, não é trazer Aquinos, Marquinhos e Geovanes. Precisamos de jogadores qualificados, que entrem e resolvam nossos sérios problemas de criação e finalização de jogadas.

Sentar e esperar que Jéfferson vire um robô e nunca se machuque ou se ausente, visto que, ao que parece, não podemos confiar em Hélton Leite. Duas falhas grotescas em dois jogos, comprometendo uma classificação antecipada na Copa do Brasil e, no mínimo, um empate na estreia do Brasileirão.

Sentar e esperar que Renan Fonseca pare de comprometer e volte a ser o que parecia no ano passado – mas que, pelo visto, estava apenas nos enganando. Não à toa, era reserva do Santa Cruz quando o contratamos. Tá cada vez mais comprovado que é jogador de Série B.

O Campeonato Brasileiro não vai ter piedade e nem parar até que a gente resolva nossas deficiências. Ele não vai sentar e esperar. A realidade é dura e a primeira demonstração já veio hoje. Que esse soco na boca do estômago tenha servido para Antônio Lopes acordar de seu sono profundo.

Notas

Helton Leite: 0
Na única oportunidade em que foi diretamente exigido, falhou feio – tanto no jogo de hoje quanto no de quinta-feira. Um tapa na cara dos poucos loucos que, de alguma forma, não enxergam a importância de Jéfferson.

Luis Ricardo: 6
Acabou sendo a principal válvula de escape no ataque, mas precisa caprichar mais nos cruzamentos se quiser ser minimamente eficiente.

Renan Fonseca: 4
Cometeu a falta idiota no gol dos caras e transmitiu a insegurança habitual de 2016. Não é nem sombra do que foi no ano passado e tem um dos maiores salários do elenco.

Emerson Silva: 6,5
Fez o que pôde. Jogador que mantém uma boa regularidade. Será bastante útil e fará disputa saudável com Emerson e Carli.

Victor Luis: 6
Tímido no ataque, onde tem suas maiores qualidades. Precisa se apresentar mais, mantendo o equilíbrio de jogo pelos dois lados. Deve evoluir.

Rodrigo Lindoso: 6
Mais um na média. Rodou bem o jogo em alguns momentos, mas faltou aparecer na frente. Com a inoperância do nosso setor ofensivo, sua chegada ao ataque é essencial.

Bruno Silva: 4,5
Apagadíssimo e disperso. Errou passes bobos e lançamentos fáceis. Como é peça fundamental no meio-campo, acabou prejudicando ainda mais nosso desempenho.

Fernandes: 5
Alternou ótimos passes com lances bisonhos. Se mantivesse uma regularidade, poderia ser titular sempre. É o mais sóbrio do nosso meio-campo e tem muito potencial.

Neílton: 4
É uma tristeza saber que esse rapaz recebe R$ 230 mil/mês. Franzino, cai em todas as disputas de bola e não dá sequência a uma jogada sequer. Se o Grêmio realmente o quiser, pode levar pra ontem. Irritante.

Leandrinho: 6,5
Mais uma vez mostrou que tem recurso, mas ainda sofre com a transição de base para profissional. Tem tudo para virar um ótimo jogador, mas não pode ter a responsabilidade de ser o “camisa 10” do nosso meio. Não agora.

Ribamar: 3,5
Sua pior partida pelo Botafogo. Errou tudo, desde domínios básicos até conclusões de jogadas. Precisa ser mais atento à linha de impedimento também. Com sua negação para o gol, testaria como extremo pela esquerda.

Sassá: 4
Entrou brigando com a bola e desperdiçou a melhor chance do Botafogo, chutando ao invés de rolar pro meio. Joga para si, não para o clube. Não sei como uma torcida tão exigente como a nossa consegue gostar de um jogador fraquíssimo como ele.

Salgueiro e Aquino: sem nota
O time partiu para o abafa e ampliou seu domínio em campo, mas não deu tempo de analisá-los decentemente.

Ricardo Gomes: 8
Como sempre, fez o que pôde. Seu esquema é cada vez mais forte – o Botafogo começou dominando bem e trocando passes rápidos. Não deve conseguir dormir à noite pensando na falta de peças qualificadas para um Brasileirão.

Fonte: Blog Preto no Branco - Pedro Chilingue - ESPN FC