Poucas derrotas foram tão frustrantes recentemente quanto a de hoje. Perder para o Galo por 1 a 0 em Minas é e sempre será um resultado normal, mas a maneira como fomos derrotados é que dói: jogando muito mais que o adversário, mesmo atuando fora de casa.

Ao Botafogo, aconteceu a pior coisa possível para quem tem nossas características de jogo. Acostumado a jogar sem a bola e esperando o adversário, nosso time sofreu um gol precoce e precisou mudar drasticamente o jeito de jogar. E, apesar de todas as dificuldades, nos saímos bem.

Após 10 minutos iniciais trágicos, de muita vulnerabilidade defensiva e pressão do adversário, o Alvinegro acordou. Desafogando pelos lados, onde o Galo dava visíveis espaços, fomos gostando da partida e, timidamente, nos aproximando do gol adversário. Quando os anfitriões perceberam, já tínhamos dominado o confronto.

No segundo tempo, com a expulsão do destemperado Fred logo aos 9 minutos, o domínio ficou ainda mais amplo. Os papéis se inverteram, com o Atlético esperando por chances de contra-ataque – que não apareceram, tamanho sufoco imposto pelo Fogão. Novamente, esbarramos na falta que qualidade no último terço do campo – tanto para transformar o domínio em chances claras quanto para converter as oportunidades que apareciam.

Reprodução Facebook / Botafogo Oficial

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Botafogo jogou bem no Independência, mas não conseguiu marcar

Martelamos até o último segundo. O time foi valente e superou cansaço, desfalques, um adversário bem mais qualificado e até a torcida local – fica aqui o registro para a brava torcida alvinegra, que cantou alto durante todo o jogo. Mas nem tudo isso foi o suficiente para conseguirmos o tão importante gol fora de casa.

Tivemos mais finalizações em gol, mais posse de bola e dominamos por inteiro um dos melhores times do Brasil. O resultado foi injusto e mentiroso, o sentimento de que podíamos ter conseguido mais é frustrante e não poderemos, de forma alguma, tomar gol na partida de volta.

Ainda assim, nada está acabado. Nosso time, mais uma vez, deu demonstrações claras de que tem qualidade para dominar e vencer o Galo. O resultado, apesar de ruim, foi magro e é totalmente reversível dentro de nossos domínios. Não só com vitórias se forma um grupo campeão.

Notas

Gatito Fernández: 8
Era mero espectador, até fazer uma das defesas mais incríveis dos últimos tempos na única chegada perigosa do Atlético em 80 minutos – um salto arrojado para defender uma bomba à queima-roupa de Rafael Moura.

Emerson Santos: 7
Fechou bem o lado direito e se arriscou com alguma qualidade no ataque. Mesmo sendo zagueiro de ofício, é bem superior ao Arnaldo. Poderia ficar por ali.

Joel Carli: 5,5
Um dos que falharam no gol do Galo. Sua falta de velocidade favorecia demais o jogo rápido do adversário – o que acabou minimizado pelo amplo domínio do Botafogo no restante da partida.

Emerson Silva: 3
Muito mal tecnicamente. Errou vários passes fáceis, falhou no gol da partida e quase deu outro de presente para Rafael Moura. Lento e voltando de lesão, foi presa fácil.

Victor Luis: 7
É um leão. Marca e ataca com muita intensidade. Se arriscou mais na linha de fundo, o que deveria fazer mais vezes. Sua entrega dá gosto de ver.

Rodrigo Lindoso: 5,5
Não esteve bem na cobertura à defesa e, principalmente, na saída de bola. Errou muitos passes, algo que não é comum.

João Paulo: 6,5
Alternou bons e maus momentos. Embora também tenha errado passes e falhado na cobertura no lance do gol, foi o jogador mais lúcido da equipe com a bola nos pés. Tudo passou por seus pés. Em vários momentos, foi o organizador de jogo que Camilo deveria ser.

Bruno Silva: 5,5
Foi eficiente novamente no seu importante papel tático, mas perdeu dois gols relativamente fáceis. Tem crédito, mas hoje vacilou.

Rodrigo Pimpão: 5
Não conseguiu ser eficiente, mesmo com os espaços deixados pelo Galo nas laterais. Pode fazer mais.

Camilo: 4
Não tem nem muito o que falar; foi o mesmo que vem sendo há algum tempo. Hoje até se movimentou um pouco mais, mas parece se esconder do jogo. Precisa assumir o papel de armador ou é melhor que seja sacado do time.

Roger: 3,5
Hoje foi irritante. Muitas vezes em impedimento, errando lances fáceis e atrapalhando as jogadas. Não tem o arranque necessário para enfiadas de bola e acaba impossibilitando alguns lances importantes.

Guilherme: 5,5
Sua entrada deu mais movimentação ao ataque, mas novamente pecou muito nas decisões. Seu chute quase do meio-campo, com todo o time postado para receber, reflete um pouco o que é o seu jogo. Falta pensar mais e ser menos afobado.

Vinicius Tanque: sem nota
Jogou menos de 10 minutos e praticamente não encostou na bola.

Fernandes: sem nota
Sem tempo suficiente para influenciar a historia do jogo.

Jair Ventura: 6
Errou ao escalar Emerson Silva junto ao Carli, formando uma zaga muito lenta contra o time veloz do Galo; se queria sacar o Rabello, a opção deveria ser pelo Marcelo, o zagueiro mais rápido do elenco. No mais, não tem muito o que fazer, a não ser rezar por reforços.

Fonte: Blog Preto no Branco - Pedro Chilingue - ESPN FC