Se o botafoguense pudesse, antes do jogo, descrever qual seria a pior maneira de terminar a noite desta segunda-feira no Estádio Nilton Santos, dificilmente desenharia um roteiro tão irritante como a realidade que bateu à nossa porta.

Sem necessidade alguma, o Botafogo já começou errado antes mesmo do apito inicial. Jair Ventura inventou, repetiu o erro da derrota para o Barcelona-EQU na Libertadores e mudou a característica principal do time que vem dando certo desde o ano passado. Tirando um volante e colocando mais um meia, o meio perdeu a consistência e a zaga ficou exposta demais.

Enquanto ainda debatíamos o onze inicial na arquibancada, fomos agraciados com um gol de Joel – aquele mesmo, que mal sabia correr há duas semanas, quando ainda jogava pelo Glorioso. Esse traste recebeu livre no miolo da zaga e teve duas chances, contando ainda com um desvio, pra colocar a bola no barbante.

Enquanto isso, Montillo, que voltava da milésima lesão na temporada, saiu novamente machucado aos 4 (QUATRO) minutos de jogo. Não bastasse esse problema, nosso técnico errou novamente ao jogar no lixo a chance de retornar ao esquema original. Ao substituí-lo por Guilherme, expôs ainda mais a equipe.

Não deu tempo nem de reclamar e o Avaí já balançava a rede novamente. Não era apenas o segundo gol do pior time do campeonato; era, também, o segundo de Joel. Se alguém levantasse essa possibilidade antes do jogo, provavelmente nós apenas riríamos. Mas quando achamos que finalmente o Botafogo não aprontaria outra dessas, ele nos surpreendeu em grande estilo.

Vitor Silva/SSPress/Botafogo

Vitor Silva/SSPress/Botafogo
Time se atrapalhou sozinho em vários momentos, irritando a torcida

No restante do jogo, apenas um pavoroso duelo de ataque contra defesa. A noite era daquelas: poderíamos ter jogado por 3 dias seguidos que, ainda assim, não faríamos um mísero gol. Não era o nosso dia, fim de papo. Nos resta apenas esquecer que essa noite existiu e seguir em frente.

E foi o que a torcida fez: quem esteve presente na Leste Inferior até se assustou com a festa do povo minutos depois do apito final. É fato que o time tem nos dado muito mais motivos para aplaudir do que para vaiar; ainda assim, jogos como hoje são uma luz amarela que nos devolve à realidade e faz ficarmos mais ligados. Que isso sirva da bancada até o banco de reservas, onde fica nosso treinador.

É hora de levantar a cabeça. Em sequência, enfrentaremos três grandes desafios. Atlético-MG pela Copa do Brasil, Corinthians pelo Brasileirão e Nacional-URU pela Libertadores, todos fora de casa. Nosso time, que vem se superando a cada semana, precisará estar mais focado do que nunca. Será uma semana de decisões. Que ela seja melhor que a noite deste 26/6.

Notas

Gatito Fernández: 6
Sem culpa nos gols, apenas assistiu essa noite terrível.

Arnaldo: 5,5
Sua ruindade foi o menor dos problemas hoje, embora apareça novamente fora de posição no 1º gol do Avaí – suas costas são o mapa da mina quase sempre. Quase fez um belo gol de fora da área, mas precisa caprichar mais nos cruzamentos.

Marcelo: 4
Sua pior partida pelos profissionais. Muito inseguro e vulnerável.

Igor Rabello: 4
Para a nossa infelicidade, também fez sua pior partida pelo clube. Perdido nos dois gols do Avaí.

Victor Luis: 5
Até ele, um dos mais regulares da equipe, esteve muito abaixo hoje. Errou passes fáceis e bobeou defensivamente.

Rodrigo Lindoso: 6,5
Embora também tenha errado bastante, foi o melhor do time. Iniciou os ataques mais perigosos e perdeu grande chance cara a cara.

Bruno Silva: 6
Deslocado para volante desde a saída do Montillo, participou menos das ações ofensivas – embora tenha ocupado buracos e tirado o espaço do contra-ataque do Avaí.

Camilo: 4
Vendo do estádio, dá ainda mais raiva como se esconde atrás dos marcadores no ataque quando deveria, ao vestir a camisa 10, buscar o jogo a partir da nossa intermediária. Covarde e omisso.

Montillo: zero
Até aqui, quase 2 milhões e meio de reais jogados no lixo. A maior contratação do clube para a temporada é um fiasco e não consegue sequer andar em campo sem se lesionar. Patético. Está morando no DM.

Rodrigo Pimpão: 5,5
É quem mais se apresenta para jogar, hoje caindo pelos dois lados. No entanto, errou quase tudo o que tentou. Quase marcou um belo gol de bicicleta, mas esteve irritante na maior parte do tempo.

Roger: 5
Antes mesmo de conseguir tocar na bola, o Botafogo já perdia por 2 a 0. Seu estilo de jogo foi ainda mais prejudicado que o normal.

Guilherme: 5
Tem apenas uma jogada: receber na esquerda, cortar pro meio e cruzar – ainda que de qualquer jeito e sem sequer olhar pra dentro da área. Embora tenha habilidade, sua falta de inteligência irrita até um monge.

Leandrinho: 5,5
Só de não se omitir, já é melhor que Camilo e Montillo. Entrou, buscou jogo, tentou armar algumas jogadas e levou perigo em alguns lances. Com ritmo, pode ajudar.

Pachu: 4,5
Entrou, tropeçou nas próprias pernas, hesitou cara a cara e em nada acrescentou. Ter mais chances que o Gorne é inexplicável.

Jair Ventura: 3
Teve três erros gravíssimos: escalou errado, substituiu errado e, o mais grave de todos, não admitiu seus erros na coletiva. Não é possível que ele não perceba que o time só funciona no esquema habitual – que é o maior mérito do seu trabalho. Sem Matheus Fernandes, que jogasse com Wenderson, Fernandes ou Dudu Cearense. Colocar Camilo na linha do meio e depois alternar para um 4-2-3-1 é chamar o adversário e inutilizar nossa principal peça ofensiva, que hoje é o Bruno Silva. Uma noite pra se esquecer. Espero que assimile, ao contrário do que demonstrou na coletiva.

Fonte: Blog Preto no Branco - Pedro Chilingue - ESPN FC