Teve fim nesta segunda-feira a sequência de vitórias do Botafogo no Campeonato Brasileiro. Jogamos bem, fomos superiores ao Atlético-PR na Arena da Baixada e dominamos o jogo durante os 90 minutos, mas tropeçamos em nossas próprias deficiências. Com uma falha coletiva em bola parada e falta de inspiração na conclusão das jogadas, saímos de campo com o gosto amargo da injustiça.

Foi também a primeira derrota de Jair Ventura no comando da equipe. No entanto, o Alvinegro voltou a mostrar padrão tático e bom volume de jogo, indo à frente sem desequilibrar o esquema e com muita organização. Faltou, realmente, qualidade na finalização e criatividade na organização das jogadas. O fato é que, de uma forma ou de outra, não merecíamos esse resultado negativo.

Logo no início da partida, a defesa dormiu, Renan Fonseca subiu atrasado e Hernani, em jogada manjadíssima de escanteio, subiu sozinho e cabeceou pra rede. Agora vamos parar essa análise e recorrer à palavra do nosso treinador em entrevista durante a semana:

“Nós estamos a dois jogos sem tomar gols, então não tem porque mexer. A situação do Carli também foi por conta da lesão, ele perdeu a posição e agora está esperando pelo momento de voltar. Estou muito satisfeito com os jogadores que vem jogando, então o momento agora é de esperar. É meritocracia, aquele que estiver melhor vai jogar”

Ou seja: na concepção de Jair, não há nada de errado na sequência de atuações da dupla de zaga – que, por sinal, foi o nosso ponto fraco no jogo de hoje. Justificar a titularidade de Renan e Emerson apenas pelo fato de não ter sofrido gols é uma análise pra lá de simplista. Futebol é bem mais que números, e Joel Carli já mostrou que tem futebol de sobra pra ser titular na vaga de ambos. Isso, sim, é meritocracia.

GIULIANO GOMES/Gazeta Press

GIULIANO GOMES/Gazeta Press
Que dia, hein, Sassá!?

Outro fator que atrapalhou o Botafogo foi o gramado sintético. Como era de se esperar, nossos jogadores estranharam demais o terreno nos primeiros minutos – coincidência ou não, período onde sofreu o gol. Aos poucos, no entanto, se adaptaram à novidade e controlaram a posse de bola e o jogo. Nitidamente, Paulo Autuori rezou pelo apito final desde a primeira etapa.

De positivo, tiramos a atuação coletiva e a consistência na postura – que só deixou a desejar mesmo no último terço do campo, em relação às vitórias sobre São Paulo e Sport. Continuando nessa pegada, temos tudo pra sair o mais rápido possível dessa situação incômoda. Por enquanto, a tabela tá aí pra cobrar a falta de planejamento do início da competição. Apesar de não combinar com o nosso momento, essa é a nossa realidade.

Notas

Sidão: 8
Duas ótimas defesas em chutes de longe. Não teve culpa no gol. Participou bem com os pés e foi até perigoso ao ir pra área no último lance.

Luis Ricardo: 7,5
Mais uma boa atuação defensiva e melhorou sua participação no ataque. Só que – adivinhem – continua uma lástima na linha de fundo.

Renan Fonseca: 4,5
Principal responsável pelo gol de Hernani ao subir atrasado. Jogador fraquíssimo tecnicamente e sem segurança alguma. Inexplicável a braçadeira de capitão, errada a sua titularidade.

Emerson: 5
Também não foi bem. Perdeu várias no mano a mano e vai mal na bola aérea.

Diogo Barbosa: 5,5
Deixou espaços atrás e errou tudo na frente. Tem qualidade técnica, mas errou nas tomadas de decisão.

Airton: 7,5
Como de costume, muito bem nos desarmes e fez o que pôde na iniciação das jogadas. Sua parte física prejudica o andamento do nosso jogo, visto que é sempre substituído.

Rodrigo Lindoso: 7
Fez boa dobradinha com Airton e deu bom suporte ao ataque. Falta arriscar mais nos chutes de longe.

Bruno Silva: 6,5
Jogando novamente como extremo, melhorou em relação aos últimos jogos – mas não o suficiente pra convencer.

Neílton: 5,5
Correu demais, tentou de tudo, mas não conseguiu repetir as boas atuações recentes. Errou sempre o último passe.

Camilo: 7
Apagado no primeiro tempo, melhorou muito ao receber companhia na 2ª etapa. Sempre perigoso nas bolas paradas.

Sassá: 4
Centroavante vive de gols e ele perdeu 3 grandes chances. Mas isso só surpreende a quem não conhece o Sassá. Ele é isso aí, mesmo. O famoso ruim com sorte – que, hoje, não deu as caras.

Salgueiro: 6,5
Entrou e melhorou o time ao dar suporte a Camilo. Sempre passa a impressão de que jogaria muito mais se estivesse realmente em forma.

Leandrinho: 4,5
Um dos nomes mais pedidos pela torcida, entrou mal, nervoso e ainda tomou o 3º amarelo. Decepcionante.

Rodrigo Pimpão: 3
Mais uma vez, entrou fora de sintonia com o mundo. Vai se confirmando como uma péssima contratação.

Jair Ventura: 7
Mesmo com a derrota, seu time mostrou o mesmo padrão de jogo e parece melhor treinado do que com Ricardo Gomes. Precisa apenas rever a situação dos zagueiros, principalmente Renan Fonseca.

Fonte: Blog Preto no Branco - Pedro Chilingue - ESPN FC