Vexame em casa. Gol mal anulado. Falhas grotescas do setor defensivo. Gol irregular do adversário. Pane geral. Pra um espectador, um jogo muito louco. Pro botafoguense, a confirmação de que Copa do Brasil e Botafogo, definitivamente, não combinam.

Foi um show de horrores, digno de revivermos nossos piores dias no mata-mata nacional. O torcedor, que já começou a ser maltratado na venda de ingressos, com preços absurdos e desrespeito ao acordo do sócio-torcedor, ainda foi submetido a uma goleada dentro de casa. Um time frouxo que, de forma apática e sem parecer se importar muito, abandonou um jogo ainda em andamento.

O Cruzeiro, que vem numa crescente com Mano Menezes, passeou na Arena. Um ataque rápido, habilidoso e envolvente deixou Renan Fonseca e Emerson batendo cabeça dentro da pequena área. Fica até difícil enumerar tantos erros dentro de apenas 90 minutos. O fato é que o elenco precisa ser cobrado pelo que aconteceu nesta quinta-feira.

O Botafogo até começou tentando imprimir seu ritmo, embora não muito organizado em campo. Com 62% de posse de bola, rondávamos a área adversária sem muito sucesso. Até que, numa bola aérea, Sassá empurrou pras redes no que prometia ser uma noite agradável. Mal sabíamos que a nossa alegria acabaria por ali.

Daí pra frente, o que vimos foi um baile do adversário – que começou num pênalti ridiculamente infantil e desnecessário cometido pelo Renan Fonseca. Não foi por falta de aviso: eu, aqui no nosso espaço, já havia alertado que a insistência com ele nos custaria caro. Bola na cal, gol do Cruzeiro e e paciência indo embora.

O resto, vou resumir bastante: o Cruzeiro virou com um gol contra patético de Emerson. Até ensaiamos uma reação com Neílton fazendo o 2 a 2, mas depois foi só porrada. Com uma pane na defesa, Ábila usou a mão pra colocar o Cruzeiro na frente. Depois, em duas falhas ainda mais bisonhas da defesa, os caras ampliaram com Robinho e Henrique. Cinco gols. Cinco.

Cair na Copa do Brasil é o de menos. O pior é expôr as fraquezas desse elenco e passar vergonha em casa. Resta torcermos pra que, pelo menos, essa atuação bizarra não abale o emocional de todos pra sequência do Brasileirão. O 16º lugar, infelizmente, é a nossa única meta esse ano. E será enquanto formos comandados por dirigentes que não entendem nada de futebol, torcida, marketing e profissionalismo em geral.

Notas

Sidão: 5
Falhou em dois dos cinco gols. Não vem jogando mal, mas estou ansioso pela volta do nosso capitão.

Luis Ricardo: 6,5
Seria o melhor em campo se não esquecesse de marcar. Muito bem nos dribles e no apoio, inclusive finalmente acertando um cruzamento pra gol, mas deixou espaços nos quais o Cruzeiro chegou pra marcar.

Renan Fonseca: zero
Não tem como esse cara ser jogador profissional. Deveria ter sido demitido ainda no intervalo. Entregou o resultado num pênalti imbecil e falhou em todos os outros gols. Patético, vergonhoso.

Emerson: 2
Atuação bizarra. Gol contra, falhas inacreditáveis na marcação. Estava rezando pro jogo acabar logo. Irreconhecível.

Diogo Barbosa: 4,5
Teve a chance de ouro de explorar os buracos deixados pelo Lucas, mas quem acabou sendo avenida foi ele mesmo. Tomamos um baile nas suas costas.

Airton: 6
Perdido em meio a tanta mediocridade, não conseguiu imprimir seu ritmo.

Rodrigo Lindoso: 6,5
Um dos poucos a se salvar. Ajudou como pôde no combate do meio-campo e armou mais que qualquer peça ofensiva. Deu linda assistência pro gol mal anulado de Sassá.

Bruno Silva: 3
O que mais me irrita é que esse cara tem futebol. O problema é sua displicência e a gritante preguiça em jogar. Tem se preocupado mais com a vida extracampo que o Rio de Janeiro proporciona.

Neílton: 6,5
Apesar de ter errado em algumas decisões, se doou demais, fez gol e tentou até ser substituido de forma incompreensível.

Camilo: 5
Apagadíssimo. Vem numa decrescente preocupante.

Sassá: 5,5
É fraco tecnicamente, mas deixou sua marca e lutou como pôde contra toda a zaga adversária. Teve gol mal anulado.

Leandrinho: 5
Mais uma ótima chance desperdiçada. Todos o querem como titular, mas precisa mostrar serviço.

Rodrigo Pimpão: sem nota
E sem futebol. Pode voltar pros Emirados, se quiser.

Canales: sem nota
Entrou e nem encostou na bola. Já estamos em setembro e ele continua fora de forma.

Jair Ventura: 4
Voltou a ser o Jairzinhozinho do ano passado. Perdido, escalação errada e substituições piores ainda. Sua “meritocracia” nos custou uma derrota acachapante dentro de casa. Precisa rever seus conceitos.

Fonte: Blog Preto no Branco - ESPN