O Botafogo sempre foi um celeiro de craques.

Dos gramados de General Severiano, sempre tivemos o costume de revelar nossos próprios craques. A extensa faixa dos ídolos e o muro em frente à nossa sede mostra que produzimos em quantidade e qualidade.

Há muito tempo, pedimos um melhor aproveitamento das categorias de base no time profissional. Apesar de o trabalho ser excelente nas divisões inferiores, era necessário melhorar a utilização dos nossos garotos no time de cima e aproximá-los da torcida.

Assim enxergo a partida de hoje: muito mais importante do que o resultado, o que, sinceramente, pouco me interessa no Campeonato Carioca. É claro que ninguém gosta de não vencer e o Botafogo tinha a obrigação de levar os 3 pontos independente de sua escalação, mas prefiro valorizar o acontecido a lamentar o tropeço.

Dos 11 titulares, sete foram revelados pelo clube. É uma marca expressiva e que precisa acontecer com mais frequência. Utilizá-los aos poucos, sempre como complemento e nunca como solução – que fique de aprendizado o desperdício no caso de Luís Henrique -, dando espaço para atuarem, crescerem, ganharem experiência e compreenderem melhor o mundo do futebol profissional.

Poderia ter sido ainda mais proveitoso, com Bochecha titular no lugar de Dudu Cearense e Yuri e Gorne – que sequer têm ficado no banco, inexplicavelmente – ganhando alguns minutos, pelo menos.

Não concordo com as vaias de hoje. Sim, todos queremos vencer – principalmente os que se dispuseram a estar no Niltão num sábado de sol intenso -, mas o momento era de acolher nossos jovens. E esse é um conselho meu: precisamos aprender a valorizar mais nossa base. Ter mais paciência, incentivar mais, fazê-los crescerem. São nossas jóias; são o futuro técnico e financeiro do Glorioso. E esse retorno começa quando sentirem-se, de fato, acolhidos em casa.

Falando do jogo em si, o fato preocupante é a falta de poder ofensivo, de capacidade de pressionar o adversário e criar chances. Infelizmente, isso não é uma novidade: era o principal defeito do time de Ricardo Gomes e ficou escondido pelo estilo de jogo imposto inteligentemente por Jair, jogando sem a bola. Ainda assim, era comum fazermos poucos gols e matarmos o jogo em falhas adversárias. É um mérito, lógico, mas precisaremos de mais esse ano.

Ao contrário da segunda etapa da estreia contra o Madureira, o Botafogo não foi tão ameaçado defensivamente. Em uma das poucas chegadas do fraco time do Nova Iguaçu, em uma falta cruzada na área, empataram o jogo com um gol irregular. Impedido, o jogador apareceu no meio da defesa e escorou para o gol. Houve falha de posicionamento, claro, mas o gol não deveria ter sido validado.

Que tenha sido a primeira de muitas vezes que vimos esses jovens em campo. Essa prática precisa virar regra. Todos eles, ao saírem de General diariamente, dão de cara com aquela parede repleta de nomes que fizeram história com nossa camisa. Que durmam pensando nisso e acordem dispostos a seguir o passo de todos os ídolos que revelamos de casa para o mundo.

Notas

Gatito Fernandez: 6
Pouco exigido. Só participou para espalmar uma cobrança de falta para escanteio.

Marcinho: 6,5
Boa presença ofensiva, com dribles, tabelas e idas ao fundo. Se caprichar nos cruzamentos, pode buscar a vaga de titular.

Marcelo: 8
O melhor em campo. Em seu terceiro jogo profissional pelo clube, mostrou a experiência de um veterano. Ótimo nos cortes por baixo e por cima, além do belo gol de cabeça. Tem muito futuro.

Igor Rabello: 7
Assim como seu companheiro de zaga, mostrou segurança, além de ajudar na saída de bola.

Gilson: 4,5
Destoou do restante. Vem se mostrando um jogador sem muitos recursos além da velocidade.

Matheus Fernandes: 6,5
Com personalidade, marcou com eficiência e tentou organizar o jogo. Tem muito mais futebol pra mostrar, mas foi bem.

Dudu Cearense: 5,5
Esperava um jogo bem melhor. Experiente, deveria ter comandado o meio-campo e ditado o ritmo do jogo. Mas errou muitos passes e pouco apareceu no campo de ataque.

Leandrinho: 5,5
Se apresentou bastante e mostrou disposição, mas não conseguiu dar sequência às jogadas de ataque.

Camilo: 6
Começou o jogo bem e deu o cruzamento para o gol. A partir da metade do 1º tempo, caiu de rendimento e levou o time junto. errou muitos passes e jogadas simples. Precisa melhorar.

Pachu: 6,5
Apareceu bem e soube alternar entre jogar aberto e buscar o centro da área. Não entendi sua saída no intervalo.

Sassá: 5,5
Mostrou mais comprometimento e seriedade, mas precisa reaprender a jogar coletivamente, como fazia no seu melhor momento em 2016. Parece sempre desconfortável e até um pouco infeliz.

Joel: 6
Em sua primeira aparição, mostrou velocidade e pouca objetividade. Com 45 minutos jogados, ainda é cedo para analisar qualquer coisa.

Guilherme: 6,5
Mostrou-se voluntarioso e muito veloz, além de boas tentativas de drible. Talvez nervoso pela estreia, errou muitos passes. Vamos dar tempo ao garoto.

Roger: 5
Entrou pra jogar 10 minutos e perdeu a bola do jogo, cara a cara com o goleiro após rebote. Já são três jogos e quase nada de bom mostrado. A próxima partida é decisiva e ele será o titular. Precisa melhorar.

Jair Ventura: 6
Viveu um dilema: dar ritmo aos titulares correndo risco de alguém se machucar ou testar os reservas e dar vez aos garotos, mas perder em qualidade e conjunto. Na minha opinião, sua escolha foi boa. Infelizmente, parece que precisará se virar com o que tem em mãos para corrigir a falta de ofensividade do elenco. Terá bastante trabalho pela frente.

Fonte: Blog Preto no Branco - Pedro Chilingue - ESPN FC