Rio de Janeiro, verão, início de ano. Época marcada pelo forte calor e pelas pancadas de chuva no fim da tarde.

De maneira até caricata, a FERJ mostrou toda a sua competência e marcou a estreia do Botafogo para Bangu, às quatro da tarde. Não poderia representar melhor a sua incapacidade de organizar um torneio profissional.

O jogo entre Botafogo e Madureira começou com jogadores e torcedores castigados pelo absurdo calor da zona oeste carioca. Enquanto o Glorioso tentava controlar a partida e ditar o ritmo das ações, o tricolor suburbano usava a vantagem nítida dos clubes pequenos no início da temporada: o preparo físico.

Por começar a treinar muito antes, o Madura tentava imprimir velocidade. Num ritmo de jogo naturalmente abaixo, o Bota tocava a bola à procura de espaço para criar chances de perigo. No entanto, o calor freou ambos e as melhores chances foram nossas; todas em bolas paradas ou chutes de longa distância.

No intervalo, o tempo virou. Enquanto se aproximava a chuva de verão, o Glorioso voltava com um futebol bem diferente do vestiário. Aparentando cansaço, o Alvinegro se mostrou apático e sem forças para jogar.

O Botafogo mostrou que é possível ir de um extremo a outro em poucos minutos, assim como o verão carioca alterna do sol para a chuva. Enquanto o Madureira mantinha o ritmo acelerado, o Alvinegro murchou e foi cedendo espaços.

Vitor Silva/SSPress/Botafogo

Vitor Silva/SSPress/Botafogo
Botafogo sucumbiu à vantagem física do Madureira

Em uma falta inacreditável marcada pelo já conhecido Índio, os caras pegaram nossa zaga desprevenida e bagunçada para abrir o placar. Enquanto os jogadores ainda reclamavam da marcação inexplicável do árbitro, o Madureira chegou pela direita, cruzou e Souza – aquele mesmo, que só faz gol na gente e se acha “o cara” – só escorou pra rede.

O Bota, assustado com o gol sofrido, se lançou ao ataque tentando recuperar o prejuízo. Sem conseguir ser eficiente na armação das jogadas, o time de Jair viu a equipe de PC Gusmão ampliar o placar enquanto nossa zaga assistia. Souza, livre, enfiou para Geovane Maranhão – aquele mesmo, que fez zero gols ano passado e, ainda assim, foi contratado por Antônio Lopes – tirar de Gatito e ficar até sem reação, dada a raridade do acontecido.

Nos resta engolir a vergonha e usar a preocupação para trabalhar ainda mais. Derrota em início de temporada é normal, mas o sinal de alerta precisa ser ligado pois teremos uma decisão daqui a 7 dias.

Notas

Gatito Fernández: 6
Não teve culpa nos gols, mas assustou ao espalmar bolas fáceis, dando rebotes perigosos – algo que ele costumava fazer no Figueirense. Olho aberto.

Jonas: 7
Surpreendeu positivamente, sendo um dos melhores no primeiro tempo. Quase fez um belo gol de falta, arriscou chutes perigosos de longe e teve presença de área nos escanteios. Defensivamente, vacilou no segundo gol ao tomar bola nas costas.

Renan Fonseca: 4
Parado como uma planta nos dois gols. Não teve culpa sozinho, mas toda bola que passa por ele faz acelerar nosso coração. A cabeçada pra cima, seguida de giros procurando a mesma, foi um tanto quanto ridícula.

Emerson Silva: 5
Vinha bem nos cortes, principalmente por baixo. Mas também vacilou no primeiro gol dos caras.

Victor Luis: 5
Ainda fisicamente abaixo do restante do grupo, não conseguiu mostrar bom futebol. Muito mal posicionado na origem do primeiro gol do Madureira.

Rodrigo Lindoso: 4,5
Não teve bom aproveitamento nos passes e também não foi eficiente no combate.

Airton: 7,5
O melhor do time, principalmente no 1º tempo. Distribuiu chapéus e outros belos dribles, ditou o ritmo do meio-campo e deu bons passes. Na segunda etapa, cansou e foi substituído para dar mais volume ofensivo.

Bruno Silva: 4
Assim como Victor, ainda está muito mal fisicamente. Errou lances bobos, discutiu com companheiros e atrapalhou em algumas jogadas. Precisa evoluir.

Montillo: 6,5
Bons dribles e boas bolas paradas. Mostrou boa movimentação e evolução no preparo físico.

Rodrigo Pimpão: 6,5
Jogou bem. Provou estar acima de todo o elenco fisica e tecnicamente. No entanto, não conseguiu ser letal como no amistoso no ES.

Roger: 5
Mostrou alguma melhora em relação ao amistoso, mas ainda precisa crescer mais. Ficou muitas vezes em impedimento, algo que precisa ser corrigido.

Sassá: 6
Entrou para dar maior dinâmica ao setor ofensivo. Se movimentou bem e criou chances, mas também errou muitos passes.

Leandrinho: sem nota
Mais uma tentativa de dar volume de jogo. Jogou pouco mais de 10 minutos e nada fez.

Vinicius Tanque: sem nota
Entrou no fim e praticamente não tocou na bola.

Jair Ventura: 6
O time entrou bem na 1ª etapa, mas não conseguiu construir oportunidades. No segundo tempo, cansou e foi engolido fisicamente. Ainda é cedo para analisar e julgar o plano tático. Precisa lutar contra o tempo para estar à altura do desafio da Libertadores.

Fonte: Blog Preto no Branco - Pedro Chilingue - ESPN FC