Bolívar critica ‘novo’ calendário e admite ‘imitar’ Atlético-PR

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A redução da pré-temporada e a antecipação dos Estaduais em 2014, divulgadas pela CBF (Confederação Brasileira de Futebol) na última sexta-feira, não foram bem digeridas pelos principais clubes do país. Embora em discurso quase unânime tenham reconhecido que anos de Copa do Mundo exigem esforços maiores, jogadores, treinadores e dirigentes ouvidos pelo UOL Esporte lamentaram as alterações no calendário. Uma das consequências mais citadas é a de que algumas equipes poderão mudar o planejamento e abrir mão de parte ou do total de seus Estaduais.

O Fluminense, por exemplo, que em 2013 já vem atribuindo a alta incidência de lesões na equipe ao calendário carregado de jogos, admitiu insatisfação com as novidades. “Recebemos com preocupação essa informação. Já tivemos muitas lesões nesse ano, um reflexo do calendário apertado que temos. Teremos que nos adaptar a um período ainda menor. É muito preocupante”, afirmou Rodrigo Caetano, diretor executivo de futebol, lembrando ainda que os clubes não foram consultados pela CBF. “Os jogadores não são máquinas, então tem que haver um cuidado muito grande”.

Também no Rio, o zagueiro Bolívar, do Botafogo, criticou a redução do período de férias dos jogadores e citou uma estratégia usada pelo Atlético-PR em 2013 como boa medida para os clubes seguirem.

“Temos conversado sobre isso no Botafogo. É inviável terminar uma competição longa como o Brasileiro e não ter os 30 dias de férias. A medida tomada pelo Atlético-PR [não jogar o estadual com time principal e fazer pré-temporada completa para o Campeonato Brasileiro] foi inteligente e ajuda a saúde dos atletas. Acho que essa é a prioridade. Antecipar as férias não faz parte desse tipo de pensamento, pelo contrário”, declarou o veterano.

No Inter, outro clube que já neste ano optou por ignorar o período de férias previsto pela CBF e escalou o time sub-23 nas primeiras rodadas do Campeonato Gaúcho, admite a possibilidade de repetir a estratégia e desfalcar o Estadual.

“Este calendário é coisa de país sem cultura do planejamento. Aqui se tem no máximo programação”, detonou Luís César Souto de Moura, diretor de futebol. “Nós vamos dar um bom período de descanso para o elenco, até pelo nível de stress e desgaste deste ano. Não tem chance nenhuma de reduzirmos o período de férias do elenco. E vamos fazer uma boa pré-temporada. Com no mínimo três semanas de treinos”.

Em Minas Gerais, Cruzeiro e Atlético-MG vivem situações distintas, com uma previsão de aperto para o Galo e de maior tranquilidade para a Raposa. O maior ‘problema’ dos atleticanos está em disputar o Mundial de Clubes. Enquanto as demais equipes brasileiras encerram sua temporada no dia 8 de dezembro, na última rodada do Brasileiro, o elenco alvinegro ainda ficará na ativa até a segunda quinzena do mês por conta da competição no Marrocos. O Cruzeiro, por sua vez, deve ter quase dois meses até o início de sua campanha no Mineiro. Ainda assim, o clube celeste promete se solidarizar às outras equipes.

“Temos que fazer uma avaliação disso daí para ver como que vai ser. O Cruzeiro geralmente joga sua partida lá para o dia primeiro de fevereiro, temos que fazer uma avaliação disso para ver como serão as datas do Campeonato Mineiro. Mas isso não quer dizer que a gente não seja solidário com as equipes que começarão no dia 12”, declarou Waldir Barbosa, gerente do Cruzeiro.

No Atlético-MG, o técnico Cuca já definiu que, por causa do Mundial, escalará um time B no início do Estadual. “Depois do Mundial, vai chegar em casa dia 23 [de dezembro], dia 12 [de janeiro] já tem jogo. Vamos colocar os juniores para jogar no início, depois a gente faz o que precisar. Jogador precisa entender o nosso objetivo, nosso momento, então pode voltar antes e na Copa do Mundo a gente dá o tempo que precisa, dá 20 dias de férias no meio do ano, mas o pensamento é o Mundial”

O Corinthians, que já passou pelos problemas que o Atlético-MG terá de enfrentar, pensa na possibilidade de repetir o esquema de dar férias escalonadas para os jogadores, concedendo um tempo maior de descanso aos atletas que tiverem disputado mais partidas em 2013.

Federação dos Atletas fica indignada

Segundo a Fenapaf (Federação Nacional dos Atletas Profissionais), a ideia original da CBF era antecipar ainda mais o início dos Estaduais, o que foi combatido pela organização dos jogadores.

“Ficamos mais de uma semana em reunião com a CBF em busca desse acordo. A CBF queria apenas 24 dias de férias, mas todos os capitães foram taxativos e negaram. Na quarta, oficializei essa exigência de 30 dias de férias dos atletas à CBF”, revelou Alfredo Sampaio, vice-presidente da Fenapaf.

A ‘vitória’ da entidade, porém, não é comemorada. Para Sampaio, a CBF deveria ter iniciado uma mudança no calendário já em 2013, para que as alterações do ano que vem fossem menos sentidas.

“A Copa está definida há seis anos e a mudança na tabela deveria ter ocorrido em 2013, antecipando o Brasileiro para junto com a Série B, terminando em 28 de novembro. Mas a CBF ainda preferiu alongar a Copa do Brasil e tirar todas as datas possíveis para que isso ocorresse. Os interesses comerciais se sobrepuseram aos desportivos”, disparou o vice-presidente, lamentando que os Estaduais sejam atingidos pelas mudanças.

“Vai desvalorizar os Estaduais, o que é um absurdo. Tenho uma teoria interessante. Se acabar o Estadual, tem muito clube de tradição que nunca mais vai gritar campeão. Além de mexer com o mercado de trabalho, direto e indireto. Até vendedor de cachorro quente sairá prejudicado”, completou.



Fonte: UOL
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