O Botafogo divulgou no fim de abril seu balanço financeiro do ano fiscal de 2019. Segundo mostram os números, a situação dos cofres alvinegros segue muito complicada.

Além do déficit de R$ 20,849 milhões em 2019 (pior que o prejuízo de R$ 17,205 milhões em 2018), o clube carioca devia, ao final do ano passado, R$ 84,401 milhões a pessoas físicas (veja a tabela abaixo), devido a empréstimos contraídos ao longo dos últimos anos.

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Desse montante, as maiores são com os irmãos Walther Moreira Salles Jr. (R$ 26,109 milhões) e João Moreira Salles (R$ 23,855 milhões), que são bilionários do setor bancário e de mineração.

Depois, a maior quantia devida é ao empresário Giuliano Bertolucci: R$ 8,651 milhões.

Bertolucci é um dos agentes mais influentes do mundo do futebol, tendo como clientes nomes como David Neres (Ajax), Marquinhos (PSG), Bruno Guimarães (Lyon), Felipe Anderson (West Ham), Oscar (Shanghai SIPG), Felipe (Atlético de Madrid, (Nagoya Grampus), Dentinho (Shakhtar Donetsk), Diego Tardelli (Atlético-MG) e David Luiz (Arsenal), só para citar alguns.

Além dele, outro empresário de jogadores aparece na lista de credores do Botafogo: Carlos Leite, com R$ 2,022 milhões.

Leite tem entre seus clientes atletas como Douglas Luiz (Aston Villa), Paulinho (Bayer Leverkusen), Talisca (Guangzhou Evergrande), Souza (Al Ahli Jeddah), Renato Augusto (Beijing Guoan), Fágner, Cássio e Camacho (todos do Corinthians), Madson (Santos), Andrey (Vasco) e Anderson Martins (São Paulo), entre outros.

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O CEO do Instituto Ibope, Carlos Augusto Montenegro, é outro dos credores do Botafogo, com um valor de R$ 8,234 milhões.

Ex-presidente do clube em tempos gloriosos (como na conquista do Brasileiro de 1995), Montenegro atualmente faz parte do comitê gestor de futebol.

Destaque ainda para a dívida feita com o economista escocês Cláudio Gipela Good (R$ 409 mil) e com o banqueiro Diniz Ferreira Baptista (R$ 3,018 milhões).

Good, que é radicado no Brasil desde os anos 70, foi vice de finanças nas gestões de Bebeto de Freitas e Mauricio Assumpção. Já Diniz Baptista é presidente e fundador do Banco Modal, parceiro financeiro do Botafogo há anos.

Confira todos os credores na tabela abaixo:

Taxas de juros

Apesar de terem a maior dívida, os bilionários irmãos Moreira Salles deram ao clube de coração as condições de pagamento mais “camaradas” possíveis.

Além de terem dado prazo até novembro de 2047 (dividido em 360 parcelas), eles cobram apenas os juros do IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) – ou seja, a dívida é corrigida anualmente apenas pela inflação.

Carlos Augusto Montenegro, por sua vez, requer juros de 1,4% ao mês.

Curiosamente, os agentes de futebol cobram juros de formas bem diferentes: enquanto Carlos Leite vai pelo INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor), Giuliano Bertolucci requer 1,03% ao mês.

Taxa semelhante à de Bertolucci é exigida por Cláudio Gipela Good: 1% ao mês.

Diniz Ferreira Baptista, por fim, optou pelo IPCA, assim como os Moreira Salles.

Motivos dos empréstimos

Em seu balanço, o Botafogo afirma que a maior parte das dívidas com pessoas físicas foi feita a partir de “empréstimo para capital de giro”.

No entanto, há casos mais específicos de aplicação do dinheiro.

Parte do empréstimo contraído com Walther Moreira Salles Jr., por exemplo, foi usado para comprar 50% dos econômicos do jogador Luiz Fernando Moraes dos Santos do Atlético-GO, no valor de R$ 2 milhões. Neste caso, o Alvinegro prometeu reembolsar o valor quando vender Luiz Fernando para outro clube.

Outros montantes emprestados pelos irmãos Moreira Salles foram usado em repactuação de instrumento particular de confissão de dívida e também na aquisição do Espaço Lonier para adaptação do centro de treinamento da equipe.

O empresário Clóvis Eduardo Álvares de Azevedo Macedo, a quem o Botafogo deve R$ 3,375 milhões, foi outro que viu seu dinheiro ser aplicado na compra de direitos econômicos de atletas.

Fonte: ESPN.com.br