O torcedor chegou ao Estádio Nilton Santos embalado pela vitória de quinta-feira, pela Libertadores, e ainda recebeu uma excelente notícia: com Gatito poupado, voltaríamos a ver Jéfferson em ação após 14 meses. Não havia melhor momento para a volta do melhor goleiro do país. E assim, empolgados, esperamos mais um grande jogo desta equipe.

Erro nosso. Não por acreditar muito no time, mas por não enxergarmos a maratona desumana que estamos enfrentando sem ter elenco para revezar peças. Por achar que toda partida será épica como nossas vitórias maiúsculas da Libertadores. Por não aceitar que o time do outro lado, o Galo, tem mais dinheiro e, consequentemente, um elenco maior, entrando com boa parte do time descansado.

Na bancada, vi boa parte da torcida assistir ao jogo passiva, sentada, hesitante. Respeito a maneira de torcer de cada um, mas esse time merecia mais; merecia nossos gritos, nossa garganta rouca, nosso coração em campo. Ao invés disso, vi muita gente perder a calma como se estivéssemos na zona de rebaixamento ou algo do tipo. Mais paciência e mais apoio, pessoal.

Vitor Silva/SSPress/Botafogo

Vitor Silva/SSPress/Botafogo
Voltando após mais de um ano parado, Jéfferson brilhou novamente

Em campo, um time visivelmente cansado foi dominado pelo bom toque de bola do rival, que mesclou as boas peças de sempre com jogadores descansados. Rodando a bola com liberdade e cercando nossa área como quem não quer nada, o Atlético criava chances e esbarrava sempre no mito Jéfferson. Até que achou um gol sem querer, num chute vadio de longe que foi desviado por nosso zagueiro. A partir daí, o nosso time se perdeu de vez.

Na volta para o segundo tempo, o Fogão tentou lançar-se ao ataque mas não teve força e nem criatividade suficientes pra furar o bloqueio adversário. Com muitos erros de passe, cruzamentos da intermediária e nenhum toque de bola, o time de Jair passou quase 90 minutos sem criar uma chance concreta de gol. Nos contra-ataques, o Galo perdeu um, dois, três gols. Até que o juiz, que não mostrou um cartão sequer ao time mineiro, marcou acertadamente um pênalti de Emerson Silva. Nesse momento, entra o discurso em primeira pessoa.

Eu, sinceramente, já esperava que o Jéfferson pegasse. Não por construir uma historia épica em seu retorno ou por existirem coisas que só acontecem conosco, mas por ele ser o Jéfferson. O goleiro com o qual me acostumei a ver durante quase uma década – e não seriam 14 meses que me fariam esquecer. Ao ver a bola sendo espalmada pela linha de fundo e a euforia tomar conta da arquibancada, apenas me recolhi e agradeci por termos este homem de volta.

Cada vez mais desesperado pelo gol de empate, o Glorioso deixava espaços na defesa. Não foram poucas as chances desperdiçadas pelo adversário, quase todas defendidas por Jéfferson. Enquanto isso, Roger Machado se desesperava na área técnica adversária – parecendo prever algo que nunca vi em toda a minha vida de arquibancada. Isso mesmo: o Botafogo jogou mal demais, não criou chances, poderia ter sido goleado e, pasmem, achou um gol de empate no final.

Em um dos lances derradeiros do confronto, Marcos Vinícius invadiu a área e foi calçado pelo zagueiro. Como tudo precisa ser mais sofrido, Roger ainda desperdiçou a cobrança de pênalti para converter no rebote e fazer o Niltão balançar. Não vencer em casa é sempre ruim, mas as condições de hoje nos levam a admitir: o empate, nesta noite, teve sabor de vitória.

Na próxima quarta-feira, encaramos o pequeno Fluminense. Não sei até onde Jair conseguirá ir sem rodar o elenco, mas essa resistência precisa acabar. Mesmo aparentando não ter confiança nos reservas, precisa utilizá-los. Mesmo que alguns dos titulares não tenham substitutos em suas funções, precisamos experimentar. O fato é que os de sempre precisam descansar.

Notas

Jéfferson: 11
Sim, onze. Foram umas cinco defesas cara a cara e mais o pênalti defendido. Pra um goleiro normal, seria uma noite milagrosa. Pra ele, que não jogava há mais de um ano, foi apenas um retorno dentro do esperado. Nós te amamos, ídolo!

Arnaldo: 4,5
Um dos mais esforçados, se doa completamente. Mas, convenhamos, com a bola nos pés é fraquíssimo. Passou o jogo todo tentando cruzar uma bola, sem sucesso. Precisamos que Luis Ricardo volte urgentemente.

Joel Carli: 5,5
Foi bem em boa parte do jogo. No entanto, se lançou ao ataque de maneira descompensada no segundo tempo, deixando vários espaços na defesa e sendo salvo por Jéfferson.

Emerson Silva: 2
A palavra “meritocracia”, tão usada por Jair Ventura, pula seu nome na escalação. Lento, pesado, driblado como uma criança e azarado ao desviar a bola no gol de Marlone. Errou muitos passes, até mesmo quando estava sozinho. Precisa sair do time.

Victor Luis: 5,5
A sequência de jogos vem diminuindo sua boa média de atuações. Não consegue imprimir o mesmo ritmo de antes e demonstra cansaço em diversos lances.

Rodrigo Lindoso: 6
Discreto. Não comprometeu, mas errou mais passes do que está acostumado.

João Paulo: 6,5
O herói de quinta-feira voltou a jogar bem, mas não encontrou os espaços ofensivos como na Libertadores. Ainda assim, tentou fazer o jogo rodar e deu alguma dinâmica ao meio-campo.

Matheus Fernandes: 5,5
Não viveu uma boa noite. É jovem e vai oscilar. A torcida precisa ter paciência e apoiá-lo também nos dias ruins.

Bruno Silva: 6
Muita vontade e a maior capacidade técnica do time. Aos trancos e barrancos, levou a equipe ao ataque pela direita – embora sem muito sucesso. Precisa urgentemente descansar.

Rodrigo Pimpão: 5
Apagado e sumido do jogo. Outro que vem muito desgastado pela maratona. Errou praticamente tudo o que tentou e esteve longe de ser nossa válvula de escape de velocidade.

Roger: 5
Lutou com os zagueiros, mas sua falta de técnica e mobilidade irritam em alguns momentos. Ainda perdeu o pênalti, mas deu a sorte de a bola voltar em seus pés com o goleiro caído.

Camilo: 3
É vergonhoso o que vem fazendo. Não é mais má fase, não é mais apenas um momento ruim. Quando a bola está no ataque, recua ao meio-campo. Quando a bola está na meiuca, se esconde entre os zagueiros. Se está insatisfeito com o banco, que peça pra sair. O que não dá é pra caminhar em campo no jogo em que deveria comer grama pra mostrar algum valor.

Guilherme: 7
Entrou e deu mobilidade e velocidade ao setor ofensivo. Ainda que não seja o jogador dos sonhos, hoje foi quem mais colaborou.

Marcos Vinícius: 6,5
Entrou querendo mostrar futebol, participou de alguns lances e sofreu o pênalti em boa jogada individual.

Jair Ventura: 6,5
Pregado, seu time não funcionou hoje. No entanto, além da inexplicável insistência em Emerson Silva, não tem muito o que mudar diante da falta de opções. Ainda assim, precisa priorizar o descanso de alguns titulares que estão no limite. Um time alternativo com Fernandes, Renan Gorne, Wenderson, Marcelo e Luis Ricardo cairia bem num momento como esse.

Fonte: Blog Preto no Branco - Pedro Chilingue - ESPN FC