Há uma semana atrás, movido por uma grande e surpreendente paixão, o colombiano Carlos Quiroz se tornou o primeiro coordenador estrangeiro da Constelação Alvinegra, criando a Medellín Alvinegra, da Colômbia. Por trás da criação da Estrela, existe a história de um encontro inusitado, que tinha tudo para não acontecer.

Em 1981, quando tinha apenas 11 anos, Carlos Quiroz disputava uma competição escolar na cidade de Itaguí, localizada a 13 quilômetros de Medellín. Ele jogava em um time chamado “Botafogo”, mas nem imaginava o significado do nome e muito menos conhecia o clube brasileiro homônimo. Alguns diziam, que o nome do time colombiano tinha sido batizado de maneira genérica. Já outros acreditam na influência do futebol brasileiro.

Curioso, Carlos pesquisou a fundo e descobriu que se tratava de um dos maiores clubes do Brasil e do mundo: o Botafogo de Futebol e Regatas, conhecido por revelar inúmeros craques para a Seleção Brasileira, como Nilton Santos, Jairzinho e Garrincha. Mas um deles o chamou a atenção: Gerson. Para Carlos, a raça e o coração na ponta da chuteira do “Canhotinha” eram incontestáveis.

‘‘Ele era um jogador com sangue botafoguense, muito aplicado que sabia conduzir o time. Levava o Botafogo à muitas vitórias. Nós torcedores, gostamos de jogadores assim, que jogam com o coração‘’, relembra Carlos.

Encantando pela história Gloriosa, Carlos se tornou o mais botafoguense dos colombianos e nem mais de 3 mil quilômetros de distância fizeram com que sua admiração pelo Botafogo diminuísse com o passar do tempo. Pelo contrário, ela cresceu.

Aos 38 anos, motivado pela dificuldade de fazer o filho se integrar com outras crianças no mundo do futebol, criou o “Botafogo Football Club”.

‘’Meu filho (que também se chama Carlos) queria jogar futebol, mas não conseguia se manter em uma escolinha. Sua habilidade e seu peso faziam com que outras crianças praticassem bullying com ele. Foi então que eu tomei a melhor decisão da minha vida. Como já era formado em Educação Física, decidi abrir minha própria escolinha e fazer com que mais crianças como ele tivessem a oportunidade de se integrar’’, disse o colombiano.

Carlos Quiroz (a esquerda da imagem) e seu time juvenil do Botafogo Football Club.

Ao criar um time, mesmo que juvenil, algumas dúvidas podem surgir como: “qual nome darei?” ou “quem vou homenagear?”. Para Carlos, essas respostas eram muito fáceis. Não pensou duas vezes em homenagear e se inspirar na história do Glorioso.

Hoje, o Botafogo Football Club conta com mais de 100 crianças, de 3 a 16 anos. Disputa campeonatos regionais em diferentes categorias e, inclusive, já conta também com futebol feminino. Muitas dessas crianças vêm de famílias de baixa renda, o que torna fundamental o apoio à essa iniciativa, que geralmente é feito por pais de crianças com melhores condições financeiras.

Mas o amor de Carlos pelo Glorioso não parou por aí. Em 2010, fez questão de eterniza-lo em sua própria pele. Na perna esquerda, tatuou o primeiro escudo do futebol alvinegro, quando o Botafogo de Futebol e Regatas era apenas Botafogo Football Club.

“ Meu amor pelo Botafogo e a vontade de me sentir parte desse time Glorioso foram os principais fatores que me fizeram tomar essa decisão’’, disse o alvinegro.

Carlos Quiroz e sua tatuagem do primeiro escudo do futebol alvinegro (perna esquerda) orientando seus alunos.

No ano passado, a paixão dele pelo clube de General Severiano, ganhou mais um capítulo. Em viagem ao Brasil viu de dentro de um estádio, pela primeira vez, o Botafogo entrar em campo. Conhecer o estádio Nilton Santos, certamente foi um dos momentos mais marcantes de sua vida.

“Foi inesquecível, lembro que estava encantado com a beleza do estádio. Fiquei impressionado com a ordem, a limpeza e a educação dos funcionários’’, relembra Carlos.

Carlos em sua visita ao Nilton Santos no jogo Botafogo x Cruzeiro, pela última

rodada do Campeonato Brasileiro de 2017.

Agora, como primeiro coordenador estrangeiro de uma Estrela da Constelação Alvinegra, Carlos acredita que pode contribuir ainda mais para fazer com a marca do “Botafogo” se torne ainda mais forte.

‘’Sinto que essa é uma excelente oportunidade de fazer com que outras pessoas conheçam nossa inciativa e nosso clube. Agora, além de levarmos o nome do Botafogo através da escolinha, lavaremos como torcedores e membros da Estrela Medellín Alvinegra‘’– disse o coordenador.

Um estrangeiro, sem nenhuma ligação anterior com o clube, é a maior prova de que alvinegros não escolhem, são escolhidos. Carlos Quiroz já faz parte da Constelação! E você, está esperando o que? Junte-se a ele, faça parte da Constelação Alvinegra!

Fonte: Site Constelação Alvinegra