O Brasileirão começa apenas em 19 de abril. Até lá, no entanto, há um problema a resolver: 39 das 90 partidas previstas até a pausa para a Copa não têm mando definido por conta de punições do Superior Tribunal de Justiça Desportiva ou contrato para o Mundial. No torneio do campo neutro, um personagem alheio aos gramados já entrou em ação: os times vêm sendo alvo de lobby para levar seus jogos para outras praças.

Na decisão do destino de cada partida, um fator é preponderante: dinheiro.

Os dirigentes, em sua maioria, não escondem que vão optar pela oferta mais atrativa financeiramente. Nessa disputa nos bastidores, arenas da Copa que não contam com representantes na Série A se movimentam para receber alguns desses jogos como evento-teste.

É o caso, por exemplo, de Goiás e Botafogo, marcado para o dia 17 de maio, que terá de acontecer a 100 km de Goiânia por conta de uma briga entre torcedores no Serra Dourada.

Mandante da partida, a diretoria do clube esmeraldino tem sobre a mesa duas propostas: a primeira delas para jogar no Mané Garrincha, em Brasília, e a outra na Arena Pantanal, em Cuiabá. Nos dois casos, já conta com a autorização do COL (Comitê Olímpico Local) – ainda que o duelo vá acontecer fora do período de entrega dos estádios para a Fifa, previsto para se iniciar 15 dias úteis antes do primeiro confronto do Mundial, em cada uma das sedes.

“Estamos negociando com o Mané Garrincha e Cuiabá. Vamos decidir pela melhor proposta. São duas empresas que estão trabalhando nisso e ainda estamos vendo por qual delas iremos optar”, afirma o presidente do Goiás, Sergio Rassi, ao ESPN.com.br, se negando a revelar o nome dos ‘lobistas’ por causa de um pedido de confidencialidade.

Segundo a reportagem apurou, o objetivo da equipe é faturar pelo menos R$ 500 mil.

A ideia é repetir a estratégia do Santos na despedida de Neymar contra o Flamengo, em maio do ano passado, no Mané Garrincha. Na ocasião, o evento-teste para a Copa das Confederações rendeu aos cofres do time alvinegro R$ 800 mil em acordo pré-estabelecido e provocou polêmica pelo montante que a equipe deixou de arrecadar naquela que foi até então a maior bilheteria de um jogo no País (R$ 6.948.710,00).

Até por conta do apelo que aquele encontro tinha, o Goiás não teme que o mesmo se repita dessa vez. “A manutenção do Mané é muito cara. Melhor saber antes quanto vai receber do que vir depois uma conta muito grande”, conclui Rassi, que também conversa com a Prefeitura de Itumbiara, interior goiano, para levar a outra partida da equipe com mando em aberto, contra o Criciúma, em 27 de abril.

Não são todos os clubes que devem optar pela venda de suas partidas, no entanto.

O Atlético-PR, a princípio, conversa com o Avaí para receber seus adversários na Ressacada, em Florianópolis, durante a punição pela briga generalizada da última rodada do campeonato, contra o Vasco, na Arena Joinville, no ano passado.

O lobby, ainda assim, prossegue nos bastidores. A exemplo de Brasília e Cuiabá, Manaus também se articula para tentar atrair algum jogo. Uma das preocupações da Secopa local é pode testar a Arena da Amazônia durante o meio de semana – para isso, até mesmo a CBF e o COL se colocaram à disposição para sondar clubes (ela já conseguiu o duelo entre Resende e Vasco, pela Copa do Brasil, no mês que vem).

“Existem sondagens. Estamos avaliando as oportunidades que existem para podermos ver como a arena se sai com vários formatos (de evento). A CBF tem sido parceira, encarando essas questões como de caráter nacional e não mais regional. Acredito que vale a pena para esses times pelo ineditismo de atuar aqui. Dou um exemplo: um Flamengo, por exemplo, talvez consiga maior bilheteria em Manaus do que no Rio”, comenta o coordenador da UGP da Copa no Amazonas, Miguel Capobiango.

O ESPN.com.br revelou na última semana a pressão das equipes junto à CBF para tentar atrasar o repasse das chaves de seus estádios para o Mundial. Ao todo, 13 delas terão de se virar em outro local a partir da 5ª rodada. A Fifa deve formalizar a negativa em breve.

Como última alternativa, alguns dirigentes cogitam ainda pedir a inversão de mando no Brasileiro – o Inter já encaminhou a proposta no arbitral da competição, no mês passado.

Fonte: ESPN.com.br