O lateral-direito Ruy Cabeção, revelado pelo América e com passagem pelo Cruzeiro, anunciou nesta segunda-feira sua aposentadoria do futebol. Aos 37 anos, Ruy disse que o esporte já estava lhe “fazendo mal” em função do distanciamento de amigos e familiares.

“Paro porque o futebol hoje, esta me fazendo mal, pois sempre fui extremamente profissional. O sacrifício das dores, morar sozinho, distância da família e amigos, perderam a razão”, publicou o atleta, na rede social Instagram.

Ao longo da carreira, Ruy defendeu outros grandes clubes do Brasil, como Grêmio, Botafogo e Fluminense. Seu último clube foi o Operário, de Mato Grosso.

Pelo América, clube em que começou a carreira, Ruy conquistou a Copa Sul-Minas, em 2000, e o Campeonato Mineiro, em 2001. No Cruzeiro, onde ganhou o apelido de “Cabeção” através do lateral-esquerdo Sorín, o agora ex-jogador conquistou a Copa Sul-Minas e o Supercampeonato Mineiro, ambos em 2002.

Leia a mensagem publicada por Ruy no Instagram:

ENCERRO hoje, minha carreira de atleta profissional do futebol. Aos 6 anos correndo atrás da bola, 16 anos de profissional. Vários títulos, vitórias e derrotas também, mas sempre procurando melhorar e aprimorar. Quando saio na rua muitos me perguntam. Vai parar porque (sic)? Está muito novo, não aparenta a idade que tem, esta magrinho, em forma e etc. Paro porque o futebol hoje, esta me fazendo mal, pois sempre fui extremamente profissional. O sacrifício das dores, morar sozinho, distância da família e amigos, perderam a razão. Pelo lado financeiro, vale demais, sempre muito bem remunerado. Gostaria de continuar no meio, vários treinadores, preparadores físicos, diretores, presidentes e jogadores, comentavam que tinha perfil. Sempre joguei com muito RESPEITO por todas as camisas que usei, infiltrações, remédios, as inseparáveis dores e as (sic) vezes cansaço. O AMOR me faz parar, minha família sofre muito com a distância, a minha maior incentivadora, minha MÃE clama por isso. Ela pode falar , porque caminhava 10 quarteirões e ficava sentada 3 horas, esperando o fim dos treinos, futsal 1985. Voltarei a ser uma pessoa comum, ver minhas filhas crescerem, uma com 10 anos e outra com 7 anos. Levarei a escola, farei para casa e realizarei seus sonhos como um Pai de verdade. Participarei das festas da família e aniversários, perdi 95%. Poderia ficar aqui escrevendo horas e horas, sem parar. Perceberam que não falei aqui das coisas ruins, principalmente das lutas destes últimos 2 anos. DEUS me conheci (sic) muito bem, esses clubes destes períodos e presidentes, que se cuidem, a mão DELE é pesada. Tirando estes 2 anos, façam as contas e vejam minha carreira. Agradeço do fundo do coração, a todos funcionários e torcedores, que me trataram com carinho e respeito. Aprendi demais com o futebol, muitos pensam que é simplesmente, ali dentro de campo. Fora dele que está a maior experiência, relacionar se (sic) com as pessoas, num mundo de dinheiro, corrupção, poder, glamour, orgulho e vaidade. Sobrevivi, sem perder as minhas raízes. Conquistei várias coisas materiais, mas meu maior título, foi o respeito de várias pessoas, independente do seu escalão. Valeu futebol e Ruy, ou melhor, RUY CABEÇÃO.

Fonte: Superesportes