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‘CEO será isento de paixão’, diz sócio de consultoria contratada pelo Botafogo

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‘CEO será isento de paixão’, diz sócio de consultoria contratada pelo Botafogo
Vitor Silva/Botafogo

Recém-empossado presidente do Botafogo, Ducesio Mello teve como principal bandeira de campanha uma maior profissionalização do clube. Para levar o projeto à frente, a cúpula está no mercado em busca de um CEO, contando com uma empresa especialista em recrutamento e em um movimento considerado novo no futebol.

Integrantes da Exec, consultoria contratada pelo clube e responsável pelo processo seletivo, Carlos Eduardo Altona e Lúcio Daniel estiveram na última semana no Rio de Janeiro para visitar algumas das sedes do Alvinegro — General Severiano, Mourisco Mar, Sacopã e o Estádio Nilton Santos — e ter uma nova rodada de conversas com a diretoria.

“Estivemos no Rio quarta e quinta para conhecer a estrutura do Botafogo e ficamos bem impressionados. O Botafogo tem torcedores com um engajamento absurdo. O alvinegro é, de fato, muito participativo. Percebemos que, na administração do clube, há um alinhamento entre os principais executivos, o que é bom. Conhecemos o Nilton Santos, vimos a estrutura e o potencial muito bom que tem o estádio. É um estádio diferenciado que vai conseguir trabalhar bem a região e integrar as pessoas. Tem um potencial grande de entretenimento. O Botafogo tem o desafio do momento, mas tem um potencial absurdo. Por exemplo, o Botafogo tem terrenos no Rio que outros clubes não têm, tem o menor índice de rejeição do futebol entre os principais clubes. Tem de aproveitar esses principais pontos positivos. Tem de trabalhar muito bem a governança corporativa para funcionar. Existe, agora, um trabalho passo a passo para as coisas acontecerem”, disse Lúcio Daniel, em entrevista ao UOL Esporte.

Apesar das peculiaridades que o trabalho em um clube exige, Lúcio garante que a seleção será realizada da mesma forma que em outros casos com os quais a Exec já trabalhou.

“Vamos tratar a contratação como em qualquer outra empresa. Por ser uma contratação profissional, vamos contratar um profissional que é isento à paixão. Um profissional que tenha técnicas, obviamente, que sirvam para a cadeira, que tenha habilidades comportamentais que são pertinentes a um CEO. Grandes líder, gestor de empresa, que conheça bem a condução de um planejamento estratégico, atraia investidor, que traga credibilidade, trabalhe a governança corporativa”, afirmou, ressaltando que as questões mais ligadas ao dia a dia do futebol não serão tratadas sob o guarda-chuva do CEO:

“E a paixão do clube, influência do futebol? Isso vai ser responsabilidade do Durcesio e do Vinícius Assumpção, que é a chapa eleita. Aí, sim, tem a função de conversar com jogadores, comunicação com sócios, falar com a torcida. Eles vão fazer a ligação com a paixão do clube. O CEO será um executivo, isento de paixão. Vamos colocar um cara 100% racional e profissional. O futebol, vamos deixar com os profissionais do futebol. O CEO será responsável pela profissionalização do clube e não vai ter ligação política, e nem com o futebol”.

Com o projeto aprovado pelo Conselho Deliberativo desde o fim de 2019, o Glorioso busca concretizar a transformação do departamento de futebol em S/A. Havia uma ideia de que tal empreendimento pudesse sair do papel no ano passado, mas alguns obstáculos, como a pandemia, impediram que fosse à frente.

“Tudo está ligado, na verdade. O projeto da S/A é um projeto em que o Botafogo também está muito envolvido. Não sei dizer, de fato, se vai sair e quando. Quando se faz uma separação de uma S/A e trata o futebol em uma entidade diferente, onde o CEO vai participar? O CEO vai participar exatamente da fase que é “negócio. A profissionalização de uma empresa, otimizar novas frentes de negócios baseadas em uma S/A, conversar com investidores, planejamento estratégico por conta da S/A. Tudo que for negócio, mesmo com ligação no futebol, regatas, Nilton Santos, o CEO vai participar. Por que? Porque o planejamento estratégico da gestão, pensando em negócio, é responsabilidade do CEO. Mas como a S/A vai se portar perante à torcida, à CBF? Aí, não é o CEO. Será a figura do Durcesio, de outras entidades”

Paralelamente a isso, o Alvinegro busca um novo diretor de futebol para que possa começar a planejar a próxima temporada, que já bate à porta. O executivo da Exec, por sua vez, garante que a relação com a cúpula do clube tem sido muito transparente e não vê empecilho algum na busca por um nome para a pasta antes do acerto com o novo CEO.

“Estamos alinhando ao mesmo tempo, mas o CEO vai ter envolvimento com o negócio. Tudo que for do futebol, não vai ser decisão do CEO. O CEO vai participar do planejamento estratégico, temos isso alinhado. O Durcesio é extremamente aberto, fala todos os passos, não esconde, e tem nos posicionado de tudo. Sabemos da questão do futebol, mas, novamente, o futebol não vai ser ligado ao CEO. CEO vai ver patrocinador, resultado financeiro, quando se fala de negócio, mas novo diretor de futebol, e essas coisas, não serão escolhas do CEO“.

Confira outros trechos da entrevista:

UOL Esporte: Como foi a negociação com o Botafogo?

Lúcio Daniel: Quando o Botafogo definiu que contrataria um CEO independente, com um escritório profissional, para trazer não só credibilidade, mas profissionais do mercado, foram ao mercado e buscaram indicações. Chegaram em quatro, cinco nomes. E uma delas foi a Exec. Entramos na fase de proposta e fomos selecionados. É a primeira vez que um clube de futebol contrata uma empresa especializada para trazer uma pessoa da alta liderança. Já aconteceu, mas com cargos de gestão e média gestão, mas é o primeiro caso de um CEO.

UOL Esporte: Houve algum pedido especial por parte do clube?

Lúcio Daniel: A Exec ajudou o Botafogo a desenhar o melhor perfil possível do CEO. Como temos a responsabilidade e ligação com o mercado profissional, sabemos o que as empresas pedem, quais as competências de um CEO. Ajudamos a desenhar as competências comportamentais e técnicas. A gente teve esse lado consultivo.

UOL Esporte: Botafogo convive com uma grave crise financeira…

Lúcio Daniel: A situação financeira do Botafogo é peculiar, assim como todos os clubes de futebol. Se pegar Cruzeiro, Corinthians, o próprio Palmeiras, o futebol, de maneira geral, é um negócio que tem muito problema financeiro. Na verdade, o planejamento estratégico de qualquer clube é visando superar esses problemas financeiros, atrair investimento, trabalhar a marca e profissionalizar a gestão. A vontade dos clubes brasileiros, e não só do Botafogo, é, de fato, profissionalizar a gestão, trabalhar a marca, atrair novos investidores, e o problema de caixa começa a se resolver. Não é um problema do Botafogo. E o Botafogo vai tratar a dívida como qualquer clube trata. O CEO vai participar do planejamento estratégico. A questão financeira é peculiar, mas é do futebol.

UOL Esporte: Há uma média de, mais ou menos, quantos profissionais são entrevistados em um processo como esse?

Lúcio Daniel: Temos, mais ou menos, no mapeamento, 113 nomes de gestores que estamos analisando currículo, fazendo abordagens pelo telefone. Devemos entrevistar, on-line por causa da pandemia, entre 20 e 25 CEO’s para chegar em algo entre quatro e cinco aprovados. Na Exec, todos os aprovados passam por referências profissionais, análise comportamental em tudo que é público, para a melhor escolha. A aprovação depende de várias etapas e vamos ser rigorosos em todas elas. Vamos apresentar ao Botafogo nomes com perfis diferentes. Ideia é propor opções diferentes para eles analisarem. No mercado, é comum, que a lista final sempre fique em, mais ou menos, quatro e cinco nomes.

UOL Esporte: Há previsão para o início do trabalho do CEO?

Lúcio Daniel: Não dá para saber [quando inicia] porque não sabemos quem será o escolhido. Queremos que o mais rapidamente possível, mas tudo depende de quem for o escolhido.

Fonte: UOL

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