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Com Maraca e Ferj, clubes do RJ têm despesa mais cara do Brasil. Botafogo critica

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Seja qual for o resultado de hoje no Fla-Flu, a Federação de Futebol (Ferj) não perde. Antes mesmo de rubro-negros e tricolores lotarem as arquibancadas do Maracanã, a entidade sairá vencedora devido ao pagamento pelos clubes das despesas operacionais do quadro móvel do estádio, o mais caro entre os times da Série A do Brasileiro (R$ 20 mil por jogo), e das taxas de 5% por rodada sobre a arrecadação da bilheteria. Em 2013, os quatro grandes do Rio pagaram R$ 6,16 milhões à Ferj, somadas as taxas e as despesas das competições da CBF. A quantia é ainda maior, se for levado em conta o pagamento de impostos e outras despesas detalhadas em todos os boletins financeiros daquelas partidas.

Em campeonatos nacionais no último ano, os clubes cariocas pagaram à Federação R$ 1,54 milhão de despesa operacional para jogar no Maracanã e fora (como mandante em outros estados) na Copa do Brasil e no Brasileiro. O valor de R$ 20 mil por jogo vale para para o estádio carioca. Já a Taxa Ferj, equivalente aos 5% da receita, rendeu à Federação R$ 4,62 milhões no período. Este ano, somados todos os boletins financeiros da Copa do Brasil e do Brasileiro até agora, a Federação já ganhou quase a metade do valor de 2013: R$ 2,52 milhões. E a quantia só não foi maior porque aconteceu a paralisação dos campeonatos para a disputa da Copa do Mundo. Restam 16 rodadas do Brasileiro e as fases finais da Copa do Brasil para Flamengo e para o Botafogo.

Os clubes têm alegado que a Federação já ganha a taxa de 5% da receita e poderia rever o valor de R$ 20 mil para operar no Maracanã. Em tese, o quadro móvel da Ferj é composto por funcionários responsáveis por fiscalizar as bilheterias do Maracanã, seja em um jogo de grande demanda, e que é o segundo maior em número de público pagante do Brasileiro, como foi Flamengo e Grêmio, na 19ª rodada (51.858 pagantes), ou no Botafogo x Bahia, na última rodada, quando 4.678 pessoas compraram ingressos. O desequilíbrio aumenta o prejuízo dos clubes em casa.

— A despesa operacional tinha que estar incluída na taxa. A taxa serve para que, qual a razão? Para o que servem estes 5%? É muito caro — disse Sérgio Landau, ex-diretor executivo do Botafogo, que permanece como colaborador do alvinegro.

No Morumbi, quadro móvel de R$ 815

Com base em uma pesquisa realizada por O GLOBO nos boletins financeiros dos campeonatos da CBF, disponíveis no site da entidade, como determina o Estatuto do Torcedor, é possível comparar os custos dos demais estádios nos quais os grandes clubes da Série A mandam os seus jogos.

Na capital paulista, o São Paulo joga no Morumbi, seu estádio. O time de Muricy Ramalho, Kaká, Ganso e Pato é o segundo colocado do Brasileiro, mas lidera o ranking de público pagante da competição. Assim como no Rio, a Federação Paulista de Futebol (FPF) fica com 5% da receita da bilheteria. A diferença em relação ao quadro móvel, no entanto, é gritante. No jogo com o Sport, por exemplo, foi de R$ 815. A mesma quantia foi paga ao quadro móvel na partida de maior demanda das últimas rodadas, entre os donos da casa e o líder Cruzeiro, no dia 14 de setembro, quando o público pagante foi de 58.627, recorde do Brasileiro.

Ainda em São Paulo, o quadro móvel de Corinthians x Atlético-MG, no Itaquerão, foi de R$ 2,2 mil. No Pacaembu, o Palmeiras paga R$ 8,5 mil, enquanto para o Santos, na Vila Belmiro, seu estádio, seja clássico ou não, paga R$ 526 ao quadro móvel.

Campeão brasileiro de 2013, atual líder desta edição, o Cruzeiro manda seus jogos no Mineirão, onde paga R$ 6,3 mil pelo quadro móvel. Na Fonte Nova, na Bahia, o quadro móvel custa R$ 8,8 mil para o time da casa.

No Sul do país, as despesas mais caras depois do Rio. O Grêmio paga R$ 15,8 mil na Arena, enquanto o Internacional especifica no boletim o valor de R$ 13 mil para o quadro móvel de terceiros nos jogos do Beira Rio. Na Arena da Baixada, o custo com quadro móvel é de R$ 1,5 mil.

Na partida entre Fluminense e Palmeiras, há duas rodadas, no Maracanã, o tricolor pagou R$ 20 mil de quadro móvel. Três funcionários determinados pela Ferj estavam concentrados em um mesmo local nos bastidores do estádio. Além deles, outro grupo, aparentemente sem função, circulava pelo estacionamento destinado ao clube mandante, enquanto demais funcionários designados para a área próxima ao vestiário tricolor assistiam à partida em uma TV.

Indignação com cobrança dobrada

Ainda que falem cuidadosamente para não se indisporem politicamente com a Ferj, que estuda a adoção de um código de conduta, com punições para os clubes que desvalorizarem e criticarem a organização do Carioca de 2015, os dirigentes contam que estão indignados com essas cobranças, aprovadas em arbitrais passados e, segundo eles, quando outros executivos dirigiam os clubes. Eles não querem pagar (duas vezes) para serem fiscalizados em sua própria casa.

O Fluminense, que tem acordo para utilizar o Maracanã até 2048, quer o diálogo.

— Os custos são maiores hoje em dia e estamos dispostos a negociá-los. Os valores são frutos de uma política antiga dos clubes com a Federação. O Fluminense está fazendo uma revisão geral dos seus custos de operação no estádio e pretende conversar com o Maracanã e com a Ferj — disse Rodrigo Terra, diretor executivo de marketing do Fluminense.

Em nota, o Maracanã informou que “é uma prerrogativa das federações locais organizar, executar e supervisionar os jogos para que ocorram de acordo com legislação vigente. Este mesmo modelo também é aplicado em outros estádios do país. O Maracanã tem como responsabilidade e compromisso zelar pela operação eficiente do estádio, com segurança e conforto aos torcedores”.

A Federação de Futebol foi procurada, via assessoria de imprensa, na última terça-feira para esclarecer o destino dos valores e dar a sua versão. Mas, até a hora do fechamento desta edição, ontem, não enviou resposta.

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