A notícia de que a Eagle/Ares entrou com um recurso no TJ-RJ pedindo a suspensão da recuperação judicial da SAF do Botafogo pegou a torcida alvinegra de surpresa, já que há um cessar-fogo em curso entre a holding e o clube associativo. No canal “Arena Alvinegra”, o jornalista Bernardo Gentile explicou o ponto de vista da Eagle.
– Cessar-fogo não significa que acabou a guerra, mas que a guerra está pausada. Enquanto a guerra está pausada, pensem que os times estão no tempo técnico para mexer em campo. Então você pega o teu encouraçado e bota nessa linha aqui, prepara teu avião para em 10 minutos sobrevoar a área inimiga… Você prepara as peças no tabuleiro para que se o pause for retirado, você esteja bem posicionado para a porradaria. É o que está fazendo a Eagle – iniciou Gentile.
– A Eagle entrou com mais uma petição para, caso não tenha acordo com o Botafogo, já está preparada a petição para derrubar a recuperação judicial. Por quê? Até porque a justiça emite prazos. Se a Eagle não tivesse entrado com a liminar hoje [terça-feira], mesmo durante o cessar-fogo, se der merda lá na frente ela perderia tempo, não poderia entrar depois – continuou.
– Esse pedido para tirar a recuperação judicial não é algo que vai acontecer, é algo que pode acontecer se não houver um acordo. Só que se não houver um acordo, eles tinham que entrar com isso agora, não daqui a 60 dias. Em 60 dias eles não teriam mais o prazo pra questionar a recuperação judicial, que eles consideram, se voltar a guerra, ser uma das principais armas que têm. Então, eles entraram e não vão usar. É tipo assim: você foi para a guerra e levou um pouquinho de arma nuclear. Só não vão usar agora, porque a gente está em cessar-fogo. Mas, se o cessar-fogo sair, aí tem a arma nuclear para usar. Mais ou menos isso – completou.
O jornalista lembrou que, caso não haja um acordo entre as partes, a Eagle/Ares teria maior poder de barganha numa eventual briga com a SAF fora da recuperação judicial.
– Se não tiver o acordo, o Botafogo tem dinheiro para receber do Lyon/Ares/Eagle. Se não sair o acordo, o Botafogo vai cobrar isso na Justiça. Se o Botafogo for cobrar na Justiça esse dinheiro, a Eagle vai querer o fim da recuperação judicial para o Botafogo ficar desesperado e aceitar num possível acordo o menor dinheiro possível. Se for para a porradaria de novo, vai ter essa briga de novo de quem deve para quem – concluiu Gentile.
Nesta terça-feira, o Botafogo social assinou um documento comprometendo-se a não vetar a negociação direta entre Cork Gully (administradora judicial da Eagle/Ares) e GDA Luma Capital pela venda de 90% das ações da SAF alvinegra.