Ele é tão competitivo que não consegue parar de jogar nem quando está de folga. As principais diversões de Bruno Silva fora de campo são videogame e um fliperama que ele próprio instalou em sua casa.

— Jogava muito na infância. Tem aquele jogo “Cadilac” — afirmou, referindo-se a um game que fez sucesso nos anos 90, em que o jogador briga com máquinas e dinossauros.

O fliperama personalizado de Bruno Silva
O fliperama personalizado de Bruno Silva Foto: Acervo Pessoal

Bruno não chega a tanto, mas sua força física até que poderia credenciá-lo a ser um dos personagens do jogo. No Botafogo, dizem que ele é um “ciborgue”, pois nunca se machuca (sua última lesão foi em 2012) e parece não se cansar. Prova disso é que, em abril, quando o time titular do Botafogo estava na Colômbia para disputar a Libertadores, ele pediu para voltar ao Rio só para jogar a final da Taça Rio, contra o Vasco, que não valia nada. Para ele, a adrenalina da partida dá tranquilidade, e o vazio da tranquilidade o deixa nervoso. Bruno tem dificuldades em ficar parado.

Era assim no começo da carreira, quando seus treinadores o pediam para ficar mais postado em frente à defesa, atuando como líbero. Ele até tentava, mas sempre acabava avançando para o ataque.

— Quando nós jogamos contra o Vitória, o Gallo (atual técnico do time baiano), que me treinou em 2011 no Avaí e me pedia para jogar à frente dos zagueiros, lembrou dessa época.

Bruno marcou dois gols naquele jogo. Avançando muito. Hoje, é um dos artilheiros do Botafogo no Brasileiro, com 4 gols, e o técnico Jair Ventura já disse até que o convocaria para a seleção brasileira. A ansiedade o ajudou.

Na pele: jogador tem tatuagem das duas filhas, Nayra e Thays, e da mãe, Karina
Na pele: jogador tem tatuagem das duas filhas, Nayra e Thays, e da mãe, Karina Foto: Fábio Guimarães / Agência O Globo

POLÊMICAS COM A ARBITRAGEM

A competitividade de Bruno Silva, às vezes, vai longe demais. Foi o que aconteceu quando o volante teve uma sequência de problemas com suspensões este ano — em abril, sofreu três quatro cartões amarelos e dois vermelhos em três jogos. O lance mais marcante foi o da bolada no árbitro Bruno Arleu de Araújo após a final da Taça Rio, contra o Vasco.

— Foi sem querer. Eu só não fui pedir desculpas na hora porque fiquei sem reação. Se eu fosse, provavelmente iam tentar até separar achando que é briga — disse o volante.

O pedido de desculpas, no entanto, veio mais tarde. No julgamento do TJD, o Bruno jogador diz que se desculpou com o Bruno árbitro.

Mesmo assim, nos jogos seguintes, ele se sentiu perseguido e tomou cartões que achou injustos. Falou isso em entrevistas, o que levou a outra polêmica.

— Antes do jogo contra a Chapecoense, o árbitro da linha de fundo veio até mim para dizer que não estou sendo perseguido. E completou: ‘Mas para de chutar a bola na gente’ (risos).

Recentemente, ele recebeu sua revanche na Justiça: o Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD), o absolveu de dois episódios de indisciplina. Entretanto, o Tribunal de Justiça Desportiva do Rio de Janeiro (TJD-RJ), manteve sua suspensão de três partidas pela bolada na Taça Rio.

Fonte: Extra Online