A expressão “criar sem risco”, utilizada pelo técnico do Botafogo, Eduardo Barroca, na entrevista coletiva de sexta-feira, talvez seja o que melhor resume o principal desafio de seu modelo de jogo — baseado em domínio da posse de bola e construção de jogadas de pé em pé — até aqui.

Quando colocar sua equipe frente a frente com o Santos de Jorge Sampaoli, neste domingo, às 11h, o treinador alvinegro medirá forças com um técnico que lida com o mesmo dilema, mas, ao contrário do carioca, costuma ignorar os riscos: os santistas sempre buscam o ataque e se notabilizaram como uma das equipes mais ofensivas do Brasileiro, do qual ocupa a segunda colocação. Neste caminho, sofreram com goleadas (inclusive em clássico) e eliminações no Paulista, Sul-Americana e Copa do Brasil.

O Botafogo, por outro lado, não parece disposto a se expor a tamanhos reveses. Pesam contra Barroca um elenco mais limitado que o do Santos, assombrado por problemas financeiros e um respaldo de torcida e diretoria provavelmente menor do que o argentino dispõe no clube paulista.

— Pela característica da nossa equipe, muitas vezes os outros times se fecham, e é difícil fazer gol em quem se fecha muito bem, como as equipes do Mano. A gente precisa criar as oportunidades sem ter risco. Contra o Cruzeiro, por exemplo, se atacar de qualquer jeito, perde o jogo. É um grande desafio. Tenho dedicado muito tempo para melhorar esse nosso número — disse Barroca.

Até o fim da rodada passada, o Botafogo tinha o terceiro pior ataque do campeonato e era o time que menos finalizava na competição (83 chutes em dez partidas).

Por outro lado, a equipe foi superior na posse de bola em dez dos 12 jogos com Barroca, e sofreu apenas oito gols. Entre estatísticas conflitantes e controle de jogo, Barroca busca encontrar o mais importante hoje, contra o Santos: o caminho do gol.

Fonte: Extra Online