Como não poderia deixar de ser, ex-companheiros de futebol de Nilton Santos lamentaram a morte da Enciclopédia do futebol. Dono de muitos outros apelidos e reverências, o ex-lateral-esquerdo sempre foi muito querido, e vai deixar saudade também apara nomes como Amarildo, seu companheiro de Seleção e Botafogo; Pepe, ponta-esquerda companheiro na seleção, e Afonsinho, dos tempos de Botafogo, nos anos de 1960, deixaram suas homenagens.

– Nilton era um craque, um homem de caráter. Era um verdadeiro professor, muito respeitado. Não se aproveitava de ninguém. Era o maestro, o líder do Botafogo. Nós, jogadores, tínhamos tanto respeito por ele, que falávamos com ele em vez de ir diretamente à diretoria. Nilton Santos era um espelho para os outros. Eu tive a felicidade de vê-lo no grupo. Ele era o chefe, era a pessoa-chave, um líder – disse Amarildo, antes de completar falando da forma como fui ajudado pelo eterno camisa 6:

– Ele me ajudou muito no Botafogo, na Seleção e até mesmo na minha ida para a Itália. O mundo perdeu um diamante. Ele estava sofrendo com a doença, foi um guerreiro ao demonstrar tanta força, mas, infelizmente, chega uma hora que não dá mais para resistir. Mesmo doente, nunca mostrou infelicidade. Ele será lembrado em todos os jogos do Botafogo, vai ficar gravado na memória de todos. Amarildo.

Pepe, por sua vez, lembrou dos incentivos e da “profecia” de Nilton numa partida pela seleção na qual os dois atuaram juntos, além de lembrar a amizade com o ex-lateral.

– Ele descansou, estava doente. Perdemos um grande amigo, um grande cara… Em 1956, eu tinha 21 anos, e contra a Argentina o Nilton era o lateral. Me incentivou muito e depois do jogo disse que eu tinha um futuro muito grande… Isso me deixou muito feliz. Ele teve uma carreira bonita. Um grande amigo que vai embora e vai deixar saudades. Um cara daquele não aparece igual.

Já Afonsinho, que conviveu com ele no Botafogo, falou das lembranças, da constante presença com os amigos e da naturalmente grandiosa sabedoria para quem tem o apelido de Enciclopédia.

– Tenho muitas lembranças do Nilton, desde a Copa de 1958, quando ele foi campão com a Seleção Brasileira… Tudo que ele dizia era com profundidade. Um gênio, tinha conteúdo. Nada do que ele falava era superficial. Sempre esteve ao lado dos amigos, como o Garrincha. Na minha luta pelo passe livre ele foi um dos primeiros a aparecer e me dar apoio. Era uma pessoa muito amiga – concluiu.

Fonte: Lancenet!