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Com poucos clubes-empresas, futebol brasileiro patina com modelo antigo que limita crescimento

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Por FogãoNET

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Com poucos clubes-empresas, futebol brasileiro patina com modelo antigo que limita crescimento
NSC/Arquivo

Os clubes de futebol brasileiros ainda funcionam em um modelo antigo, que limita o seu crescimento. Essa é a conclusão de um estudo elaborado pela consultoria EY que analisou a forma como os clubes se organizam no país e em outras regiões como a Europa, onde é mais frequente a figura do clube-empresa. Neste modelo, o clube conta com investidores e segue regras diferentes do modelo associativo, mais frequente no Brasil.

“A primeira conclusão é que lá fora a maior parte dos clubes são privados, e aqui a maioria são clubes associativos. São clubes que, assim como uma prefeitura, têm eleições periódicas e seguem regras que dizem que o clube não pode ter lucro. Esse modelo poderia até funcionar no passado, quando os clubes tinham receita de 50 milhões. Mas hoje o futebol é uma indústria”, afirma Pedro Daniel, diretor executivo para o Mercado Esportivo da EY.

Segundo o estudo, dentre os clubes que estão na primeira divisão das cinco maiores ligas de futebol da Europa, 92% se organizam como clube-empresa. Já no Brasil, 92% dos clubes na primeira e na segunda divisões do campeonato nacional são associações sem fins lucrativos. As exceções são o Red Bull Bragantino, o Cuiabá e o Botafogo de Ribeirão Preto.

Um projeto de lei em discussão no Congresso prevê a criação dos clubes-empresa no Brasil. Pelo texto, os clubes poderão optar por deixar de ser associação e virar empresa, com vantagens tributárias e renegociação de dívidas. O texto já foi aprovado na Câmara dos Deputados e precisa passar pelo Senado.

Para os especialistas da EY, uma das principais vantagens do modelo empresarial é dar mais sustentabilidade e visão de longo prazo à operação. “Com uma gestão de cerca de três anos, o dirigente do clube acaba focando só no curto prazo. Na Europa, os clubes se internacionalizaram, viraram produtores de conteúdo, esses são projetos de longo prazo que você não consegue construir pensando só nos próximos dois ou três anos”, afirma Daniel.

Outro ponto importante é a saúde financeira dos clubes. “Em muitos casos, os clubes têm grande endividamento no curto prazo. Se fossem uma empresa, estariam em recuperação judicial”, afirma Gustavo Hazan, gerente sênior para o Mercado Esportivo da EY. No modelo empresarial, os dirigentes dos clubes têm maior responsabilidade por suas decisões como pessoas físicas, o que incentiva maior responsabilidade na tomada de decisão.

Transformados em empresa, esses clubes teriam mais capacidade para atrair recursos, melhorando sua saúde financeira e sua gestão para evitar situações de aperto no futuro. E, com uma regulação clara, há mais chances de atrair investidores sérios, que contribuam de forma mais consistente para o crescimento do clube.

No estudo, os analistas da EY constataram que, com exceção da Inglaterra, as demais ligas possuem predominantemente investidores nacionais. E em países como Itália, Espanha e França os investidores nacionais, em sua maioria, possuem algum vínculo pessoal com o clube ou são empresários da região. Já o investimento estrangeiro nos times europeus vem principalmente dos Estados Unidos e da China.

Outro estudo da EY de 2018 mostrou que a cadeia produtiva do futebol movimentou 52,9 bilhões de reais naquele ano, e calcula que essa cadeia teve um impacto de 0,72% no PIB brasileiro. A estimativa dos analistas é de que, com mudanças na regulação do setor, é possível duplicar o tamanho deste mercado. “Existe um grande apetite de investidores interessados no futebol brasileiro, o que precisamos é destravar esse mercado com uma regulação mais moderna”, afirma Hazam.

Fonte: Exame

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