O pleito para eleger o novo presidente do Botafogo para o próximo triênio é resumido em apenas uma palavra pelas chapas envolvidas: união. Se por um lado, os ex-presidentes Bebeto de Freitas e Mauro Ney Palmeiro criticaram a postura dos grupos políticos, por outro, todos, incluindo os candidatos à presidência, prezavam para que, unidos, todos conseguissem retirar o Alvinegro da péssima situação em que se encontra, seja no Campeonato Brasileiro ou internamente.

 

Ídolos do Botafogo como Carlos Alberto Torres, Jairzinho e Amarildo votaram nesta terça-feira, na sede de General Severiano, no processo que acontece em clima de tranquilidade e cordialidade. Presidente do Botafogo entre 1994 e 1996, Carlos Augusto Montenegro está apoiando neste pleito o candidato Thiago Cesário Alvim, mas já avisou que está disposto a ajudar qualquer um que for eleito para comandar o clube.

Concordando com as palavras de Montenegro estava Mauro Ney Palmeiro, presidente do Botafogo em duas oportunidades: de 1992 a 1993, quando se sagrou campeão da Copa Conmebol e participou de virada de mesa que manteve o alvinegro na primeira divisão, e de 2000 a 2002, em administração marcada pelo Caso Sandro Hiroshi, quando mais uma vez, o Botafogo se manteve na Série A mesmo sendo rebaixado. Sobre a atual situação, o ex-presidente foi sucinto.

“Só nos unindo que conseguiremos tirar o Botafogo dessa situação. Independente de quem vencer amanhã, precisamos chamar os outros três e nos ajudar desde o primeiro dia”, disse Palmeiro.

Em declaração inflamada, Bebeto de Freitas criticou veementemente as quatro chapas inscritas no pleito.

“Não tem ninguém aqui que vá mudar o Botafogo. São as mesmas pessoas. O Botafogo não muda há 50 anos porque as pessoas não mudam há 50 anos em General Severiano. Quem precisa mudar é a política do clube, fechada no mesmo ciclo, grupos que se alternam mas representam o mais do mesmo. Quem perde é o Botafogo e o verdadeiro torcedor, que não é representado pelas 400 pessoas que decidem o futuro do clube”, disse Bebeto.

Com a certeza de uma união necessária para o clube mas que atrasa a evolução do clube no presente e para o futuro, Jairzinho resumiu a situação: “O Botafogo precisa de todos nós e é só isso”, afirmou o tricampeão mundial de 1970, que está junto da chapa de Thiago Alvim.

Carlos Alberto Torres, capitão do tri da seleção brasileira, pediu mudanças na atual gestão: “Por tudo que aconteceu neste último ano, pelo segundo mandato do Maurício Assumpção, a administração do Botafogo precisa mudar, precisa melhorar”, disse Torres, que apoia o candidato Carlos Eduardo Pereira.

Em um clube com linda história e marcado por glórias no passado, a predestinação celestial da frase de Armando Nogueira não se vê presente. O presente é de atraso, marcado pela falta de estrutura visível até para abrigar simples eleições no clube.

Do lado de fora, torcedores protestavam, individualmente, externando suas tristezas com o clube que aprenderam a amar. Mais exaltado, um torcedor xingou ex-presidentes e desabafou sobre a situação do clube.

“Nada parece mudar por aqui. Sempre os mesmos. Bebeto de Freitas, Mauro Ney Palmeiro, Maurício Assumpção, Carlos Augusto Montenegro, vocês já roubaram muito o Botafogo! Eu não represento chapa nenhuma, o torcedor de verdade que sofre pelo Botafogo não tem direito a voto. Um absurdo! Eu sou Botafogo, acima de tudo. Quero que meu clube seja forte. Maurício Asumpção, isso é pouco para o que eu gostaria de fazer com você, seu m…”, disse o torcedor, enquanto rasgava adesivo que trazia Maurício Assumpção, chamado de “pior presidente da história”.

Fonte: ESPN.com.br