O ex-zagueiro Mauro Galvão vê com os olhos do coração as finais do Campeonato Estadual do Rio. Jogador do Botafogo de 88 a 90, e também do Vasco na fase de ouro do fim dos anos 90, Mauro garante não estar na torcida por um dos dois clubes. Mas admite um carinho especial pelo time de São Januário.

– Tenho, sim, carinho pelos dois clubes, com certeza. Acho que ficou um pouco mais forte minha ligação com o Vasco nesse final. Foi o final da minha carreira, quando conseguimos conquistar muitos títulos. Além de jogar, participei como capitão, disputei várias decisões, a imprensa divulgava muito, começava a internet… Foi um boom. Marcou bastante. O coração bate um pouquinho mais (pelo Vasco), com certeza. E também trabalhei lá depois como auxiliar técnico e gerente – disse o ex-jogador, em entrevista ao vivo, no Facebook do Jornal Extra, na última segunda-feira.

O ex-jogador, campeão brasileiro pelo Vasco em 1997 e 2000, e também da Copa Libertadores, em 1998, destaca a defesa do time como um dos pontos mais fortes. Na sua avaliação, Luan e Rodrigo nada devem às demais duplas de zaga do Brasil:

– Luan e Rodrigo formam a melhor dupla de zaga do Rio. O Luan é um dos cotados para as Olimpíadas. Eu o vejo como uma boa opção. Um dos motivos de o Vasco estar na decisão é esse: tem uma boa zaga e um bom goleiro, que dá segurança. No país, não vejo nenhuma melhor do que a do Vasco. Estão todas no mesmo nível – ressaltou.

Na avaliação de Mauro Galvão, o erro de Jefferson, no gol de Jorge Henrique, foi fatal para o Botafogo na derrota por 1 a 0 para o Vasco, no primeiro jogo das finais, no último domingo, no Maracanã:

– Se o Jefferson está no gol, pega tranquilamente a cabeçada do Jorge Henrique. Ele não tinha como dar muita força a essa bola. Ele apenas desviou. Se o Jefferson fica no gol, teria defendido, porque é um grande goleiro.

Medalha de prata nas Olimpíadas de 84, em Los Angeles, com a seleção brasileira, e com a experiência pela participação na Copa da Itália, em 90, Mauro Galvão lamentou a ausência de Jefferson da relação de 40 pré-convocados para a Copa América dos Estados Un idos, em junho. Mas responsabilizou o goleiro do Botafogo pela opção do técnico Dunga.

– Parece que ele andou manifestando seu descontentamento numa entrevista, num programa muito visto. O jogador tem que ter um certo cuidado porque o treinador tem o seu jeito de trabalhar. Vou falar por mim. Fui cortado da seleção em 86 e fiquei na minha. Esperei até o momento em que fui chamado novamente. O jogador tem que saber se segurar. Em 86, o Telê tinha que cortar quatro jogadores. O treinamento era feito com jogadores a mais. Saímos eu, o Renato Gaúcho, o Dida e o Luiz Carlos Wink. Fiquei na minha. O Mozer se machucou e fui chamado. Às vezes, você tem que engolir um sapinho. Engoli um bem gordo. Uma coisa é você ter o seu pensamento. Eu tenho o meu, a minha ideia, mas não preciso externar. Tem que segurar. Mesmo que esteja querendo chutar o balde, tem que esperar o momento certo.

Fonte: Blog da Marluci Martins - Extra Online