Pela primeira vez desde a chegada de Eduardo Barroca, o Botafogo acumula três derrotas consecutivas no Campeonato Brasileiro. Contra o Fortaleza, nesta segunda-feira, na Arena Castelão, pela 22ª rodada, o desempenho do Alvinegro, mais uma vez, foi ruim e a equipe está cada vez mais longe da parte de cima da classificação. O LANCE! expõe alguns fatores que ajudam a explicar o resultado negativo.

NOVIDADE

Nos nomes divulgados na escalação, nada de novo. Em campo, uma mudança tática que parecia interessante, mas foi utilizada apenas na parte inicial do primeiro tempo. Regularmente o volante à frente dos zagueiros, Cícero atuou em uma posição mais avançada em campo, se aproximando de Diego Souza no setor ofensivo.

O camisa 8 se movimentava bastante. Quando o Botafogo tinha a bola, ele aparecia ao lado de Bochecha, como um meio-campista normal. Sem a bola, Cícero aparecia em um setor avançado com a intenção de pressionar a saída de bola do Fortaleza. Não durou muito, mas o Alvinegro iniciou a partida com uma clara mudança de espaçamento de jogadores.

TOMA LÁ DA CÁ

Não foi um primeiro tempo dos sonhos em termos técnicos, mas as duas equipes tentaram atacar o gol nos 45 minutos iniciais. O Fortaleza, com menos tempo com a bola, buscava verticalizar seu jogo nos momentos que a tinha – era sempre um ataque rápido, que, com poucos toques, aparecia em uma zona de perigo na defesa. Na reestreia de Rogério Ceni, o Tricolor mostrou que não esqueceu o estilo do treinador.

O Botafogo, por sua vez, teve a bola no pé, como de costume. Diferente de outras ocasiões, o time até assustou, principalmente com Marcinho, que sempre saía do lado direito do ataque e atacava em movimentos diagonais, aparecendo no meio. O pé esquerdo do camisa 4 encontrou Diego Souza livre na área, mas o atacante completou para o fundo das redes em posição irregular. O Alvinegro teve, pelo menos, duas chances claras para marcar.

QUEDA NO SEGUNDO TEMPO

A etapa inicial foi até positiva, se comparada com as atuações recentes do Botafogo no Brasileirão. Os 45 minutos finais, porém, lembraram a pior versão do Alvinegro na temporada até aqui. O Fortaleza permaneceu com a usual velocidade nos momentos de bola no pé e, com pontas sempre ativos, assustava o Alvinegro em praticamente todas as tentativas de chegar à meta de Gatito Fernández.

A insistência, de fato, se pagou. Depois de ter um gol anulado pelo árbitro de vídeo, o Tricolor abriu o placar. Após uma cobrança de escanteio na primeira trave, Benevenuto, Lucas Barros e Gatito bateram cabeça e o zagueiro colocou contra a própria meta. Assim como na derrota por 3 a 2 para o Internacional, no Beira Rio, o Alvinegro mostrou dificuldade em se defender um lançamento no primeiro pau da área.

PROBLEMAS DE SEMPRE

O equívoco com o escanteio, porém, não foi o único “deja vu” do Botafogo na noite. O time de Eduardo Barroca mostrou dificuldades que aparecem há certo tempo. Pouca aproximação dos jogadores nos momentos em que tem a bola, demora – e falta de jogadores – para levar a bola do meio-campo para o ataque e pouco incômodo na saída de bola do Fortaleza.

É até incompreensível uma equipe ter seu jogo baseado em ter a posse de bola para controlar o jogo e não ficar “incomodado” quando não está com ela no pé. O Botafogo de Eduardo Barroca, há certo tempo, não pressiona o adversário no seu próprio campo. O Fortaleza, por sua vez, utilizou muito desta técnica, o que acabou dando certo – o Alvinegro teve problemas para sair da própria metade do gramado.

O PRÓXIMO JOGO É SEMPRE O PIOR

Desde o começo do segundo turno o Botafogo termina uma partida acumulando a pior atuação na temporada. São Paulo, Bahia e Fortaleza. Nas três partidas, mais questionamentos do que evolução dentro das quatro linhas. Um desempenho que reflete na falta de elenco e dificuldade técnica, mas que deixa claro um fator: muito daquilo que vem sendo apresentado há certo tempo não está dando certo.

É a pior sequência do Botafogo no Campeonato Brasileiro. A distância para a zona de rebaixamento ainda é grande – o Alvinegro está a oito pontos do Cruzeiro, 17º colocado do torneio, mas o futebol dentro de campo deveria trazer preocupação em relação às últimas quatro posições na tabela.

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Fonte: Terra