Atualmente os clubes possuem uma comissão técnica maior, com profissionais especializados em várias áreas, integrando os departamentos na forma de ação. Alguns desses profissionais não são conhecidos pelos torcedores, mas exercem um trabalho fundamental no dia a dia nos bastidores. Um desses casos é do podólogo Bruno Gallart. Formado pelo IBRAP (Instituto Brasileiro de Podologia), Bruno trabalha no clube há 12 anos. Ele explica a função do podólogo no esporte.

“A maior função de um podólogo dentro do futebol é o que costumo dizer aos atletas e meus alunos: A “PEC”: Prevenção, equilíbrio e conforto. A prevenção no sentido de se antecipar a algumas patologias que venham atrapalhar o desempenho do atleta. O equilíbrio porque o podólogo tem que ter o domínio de biomecânica e anatomia, pois um atleta equilibrado consegue exercer melhor as suas funções nos treinos e nos jogos, em um passe, na forma como chuta a bola, quando faz uma boa base. O atleta que joga com conforto consegue executar melhor as funções. Imagina jogar com excesso de calosidade, excesso de lâmina mal cortada”, revelou Bruno, que ressaltou a importância do clube investir nesse tipo de profissional.

“O clube que investe no equilíbrio do atleta sai muito na frente. Um podólogo em uma categoria de base já começa a detectar algumas marchas erradas e pode fazer um trabalho disciplinar integrado com a fisioterapia, ortopedia, clínico médico e massoterapia. Uma queda de arco plantar, quando se pisa mais internamente, no futuro pode fazer uma rotação diferenciada da Tíbia e da Fíbula, e o tratamento de prevenção pode evitar até lesões no joelho, tendo em vista que diminuiu a carga errada no local. Os clubes sobrevivem do seu atleta poder render ao máximo. Muitas das vezes o jogador pode reduzir esse rendimento por ter uma lâmina que venha trazer alguma calosidade, inflamação ou desnível de pisada”.

Pioneirismo

O Botafogo foi o primeiro clube carioca a desenvolver esse tipo de atividade. Bruno Gallart lembrou quais outros clubes pelo Brasil também fazem uso de um profissional da podologia.

“O Botafogo é foi o primeiro clube no Rio de Janeiro a ter um profissional podólogo dentro do seu departamento médico e comissão técnica. Tenho uma empresa de podologia esportiva e começamos um trabalho também no vasco em 2014 junto ao CAPPRES até 2018. Hoje sei que ainda continuam com um podologia. O Fluminense também tem. No Corinthians temos o Ezequiel Rocha. São Paulo, Palmeiras, Cruzeiro e Atlético-Mg desenvolvem o trabalho. Pode ser que outros clubes também tenham, porém não tenho esse contato. Os clubes estão tendo a consciência de que a prevenção é mais barata. Também já fiz um trabalho com atletas do Audax-RJ. Esse ano fechei uma parceria com o Nova Iguaçu e há 2 anos tenho o Boavista como cliente”, disse Bruno, que explicou a importância desse serviço para a população.

“Na sociedade, por exemplo, se hoje a pessoa ver quanto custa uma amputação, que se usa um centro cirúrgico, médicos, anestesistas, instrumentadores e enfermeiros, vai ver que a prevenção é tudo. Um exemplo é um trabalho de prevenção com um podólogo em um diabético, que por conta de uma calosidade pode levá-lo a uma amputação e até a morte. Seria muito mais barato investir na prevenção usando os recursos de um profissional podólogo em postos de saúde, clínicas da família.

Confira outros trechos da entrevista

Relação com os jogadores

A relação com os atletas é maravilhosa. O bom profissional trata do atleta e ponto. O excelente profissional além do tratamento consegue até desenvolver uma trabalho psicológico com o jogador conscientizando da importância do cuidado maior com os pés, que é a principal ferramenta de trabalho. O trabalho também da assepsia nos calçados é importante. Hoje o Botafogo fechou uma parceria com uma empresa que cuidada saúde dos calçados, pois o acúmulo de bactérias e fungos nas regiões internas é muito difícil fazer uma boa limpeza

Estrutura oferecida pelo clube

O Botafogo se preocupa muito com a saúde dos pés dos atletas do profissional e da base. Tenho total respaldo da gerência e do departamento médico para fazer os procedimentos podológicos óbvio previamente marcados. Uma vez por ano é sempre trocado todo o material.

Formação e Atuação

– Tenho 14 anos de formação. Fiz o meu curso no IBRAP (Instituto Brasileiro de Podologia), lugar no qual tenho muito orgulho de ser professor de podologia esportiva. Tenho 12 anos de Botafogo e sou Dono de uma empresa no ramo. Faço um trabalho de parceria com a Seleção Brasileira de vôlei, onde eu trato as atletas de vôlei de praia. Dou curso livre pelo brasil e sou palestrante nacional e internacional.

Seleção Brasileira

– Sempre tive o objetivo de servir a minha seleção, diferente de trabalhar na Seleção. Confesso que quando recebi o telefonema da CBF fiquei igual a um menino. Em dezembro e janeiro fui para a Sub-20, e agora acabo de ser chamado para a Seleção Sub-17. Tenho objetivos maiores de alcançar o profissional, mas tudo com muito respeito, cuidado, carinho, procurando fazer um trabalho em excelência e sem passar por cima de ninguém.

Fonte: Super Rádio Tupi