John Textor negou que tenha tido rusgas com Gabriel de Alba, sócio-gerente da GDA Luma, apontada como favorita a se tornar nova acionista da SAF do Botafogo. O fundo foi apresentado pelo norte-americano e emprestou US$ 25 milhões ao clube, dívida que já aumentou para US$ 55 milhões com as cautelares da recuperação judicial – algo que o empresário norte-americano crê ser reversível.
– Não vejo um futuro em que um grupo de investimento que eu apresento como amigo se torne um cavalo de Troia. Não acredito que isso vá acontecer. Acho que a imprensa está exagerando nesse ponto. O que é verdade é que o grupo de investimento que entrou no negócio é financiado em 50% por alguns dos meus melhores amigos ao longo dos últimos anos. Eles estavam comigo na FuboTV. E o Gabriel de Alba eu conheci nos últimos anos de uma forma muito amigável. Nós temos saído juntos, já planejamos possíveis férias juntos. Conheci o filho dele, que é apaixonado por futebol. Temos vivido momentos maravilhosos como amigos – disse Textor ao “Canal do Anderson Motta” neste sábado (9/5).
– Infelizmente, algumas das promessas que fizemos a esse grupo de investidores não pudemos cumprir porque o clube social se recusou a assinar certos documentos que permitiriam que o dinheiro investido também se tornasse sócio. O que mais me incomoda nessa história é que algumas pessoas estão vazando informações, usando canais paralelos, e as mensagens de texto estão trazendo dívidas tóxicas. As pessoas que estão dizendo isso são as mesmas que bloquearam a assinatura de documentos que me permitiriam captar capital saudável – continuou.
– Quando trouxe Hutton e a GDA para o negócio, também prometemos que eles teriam a opção de comprar uma porcentagem significativa do clube. Assim, eles seriam coproprietários do clube comigo. Quando o clube social se recusou a assinar esses documentos, numa altura em que era perfeitamente legal, esqueçam essas histórias de que lhes pedi para assinarem algo inapropriado. Eu era o único diretor da Eagle Bidco nessa altura. O clube social tinha todo o direito e a autoridade para assinar os documentos que nos permitiriam emitir mais ações para este novo grupo de investimento. Eles não fizeram isso. Você terá que perguntar a Montenegro por que ele pressionou JP [Magalhães Lins, presidente] e outros para não assinarem esses documentos – completou.
– As notícias de que ele brigou comigo e fez algo separado comigo foram propagadas por Montenegro e por pessoas que disseram: “Ah, ótimo, veja só isso. A GDA quer fazer isso sem o John. Há uma divisão. O John está sendo expulso pelos seus sócios na França. Ele agora está brigando com a GDA.” Quer dizer, pessoas que estavam torcendo contra a minha liderança aproveitaram ao máximo essa história – encerrou.
Na avaliação de John Textor, a GDA Luma apenas quer recuperar o dinheiro que emprestou à SAF na proposta que está na mesa do Botafogo associativo.
– O que acontece agora é que a GDA começa a ficar muito preocupada com essa situação, tipo: “Meu Deus, acabamos de investir todo esse capital. E vamos ter que descobrir como recuperá-lo.” E parece que a única maneira de recuperá-lo pode ser sendo mais agressivos, investindo mais capital e tentando usar esse capital para assumir o controle. Então, é verdade que Gabriel [de Alba] fez muitos telefonemas para muitas pessoas tentando descobrir, bem, “onde estão meus amigos? Como protejo meu patrimônio?“.
– E, eu não o culpo por isso, embora eu possa dizer que ele não está aqui pelo clube de futebol. Ele é um investidor, é um investidor profissional. Ele gostaria de recuperar seu dinheiro. Infelizmente, como o clube social não nos permitiu conceder algumas opções de participação acionária e outras coisas, isso dá ao credor mais direitos para obter uma recuperação maior. Ele está sendo muito agressivo na tentativa de proteger seu capital e seu retorno – disse.
Veja outras declarações de John Textor sobre a GDA:
– Há uma proposta com a GDA para investir mais dinheiro, mas eu também tenho acordos, muitos e-mails, documentos e relatórios. Eu os trouxe como sócios para termos um empréstimo com capital crescente que protegesse a empresa, impedindo que outros que tentassem assumir o controle indevidamente conseguissem fazê-lo. Continuo com um ótimo canal de comunicação com Gabriel e com Hutton diariamente. Então, não vejo como eles poderiam se tornar um cavalo de Troia e atacar por dentro. Também não acho que os torcedores do Botafogo, que acredito que me amam tanto quanto eu os amo, queiram ver alguém chegar como amigo e depois brigar comigo, me expulsar e fazer um acordo com aqueles do clube social que vêm fomentando esse tipo de divisão.
– Estou feliz que a GDA e o Hutton tenham financiado. Foi num momento crítico em que precisávamos de dinheiro. Eles têm o direito de serem respeitados em seus documentos e, devido à falta de cooperação do clube social, não conseguimos cumprir o que prometemos, que era uma oportunidade de participação acionária para esses novos investidores. Isso gera muita manobra e posicionamento, e aqueles que querem nos prejudicar estão se aproveitando disso.
– Acredito que Durcesio sabe que sou a melhor fonte de capital saudável. Acho que os apoiadores, inclusive o clube social, não querem que o novo proprietário tenha entrado como um cavalo de Troia. Portanto, não vejo o desfecho que todos estão noticiando na imprensa, de que se trata de uma disputa entre a GDA e John Textor, porque os convidei como amigos, e não acho que isso vá se tornar um problema, como outros previram.
– Jamais consigo imaginar uma situação em que eu seja o sócio minoritário do clube e a GDA seja a sócia majoritária. Antes de mais nada, tenho um acordo com a GDA Luma de que, caso o investimento deles resulte em participação acionária no clube, 50% serão meus, 25% da GDA Luma e os outros 25% da Hutton, meus amigos. Esse era o entendimento inicial sobre a participação acionária: o capital obtido por meio de um empréstimo-ponte faria parte de uma transação mais ampla, que traria mais capital, e a participação acionária após o pagamento das dívidas ao novo investidor seria de 50% para mim, 25% para ele e 25% para ele. Essas são porcentagens em cima dos 90%, pois o clube social ainda detém seus 10%.
– Não sei qual é a nossa situação atual com a GDA. Na verdade, não acho que vai funcionar da maneira que as pessoas estão sugerindo na imprensa. Então, até que ponto vou colaborar com eles em investimentos adicionais, isso realmente depende do Durcesio e de outros para determinar. Estou apenas apresentando o novo capital que sempre estive disposto a investir. Esta proposta está em discussão há mais de dois meses. Acredito que o clube social teve tempo suficiente e, neste momento, dei a eles o controle desta decisão por meio das medidas que tomamos com nossos advogados da SAF Botafogo. Chegou a hora de o clube social aceitar o investimento de US$ 25 milhões que fiz e de superarmos este período para seguirmos em frente.
– Acho que a GDA está tentando apenas usar capital adicional para proteger o capital que já investiu. Espero conseguir me reunir com eles e com o clube social para garantir que os interesses da GDA e da Hutton sejam atendidos, e também para assegurar que o clube social aceite o capital que estou trazendo. Como eu disse, acredito que a família tem se saído bem junta, e o fato de haver alguns egos envolvidos que desejam retomar o controle do clube não deve ser motivo para rejeição, enquanto o capital que trago deve ser bem-vindo. Por que não seria? Acho que já fiz o suficiente para provar minha lealdade a este clube. Acredito que os torcedores e o clube social apreciam o que fiz, e acho que precisamos parar com toda essa bobagem e manobras, e chegar a um resultado simples.
– Minha proposta era que meu capital fosse investido de uma só vez, e acho que teríamos que negociar com a GDA e o Hutton. Eles têm direito ao reembolso dos US$ 25 milhões que investiram. Estão argumentando que, devido a vários incumprimentos e outros fatores que mencionei anteriormente, têm direito a mais do que o dobro desse valor. Não acho que isso seja razoável. Acho que a ideia original era que esse empréstimo com valor principal crescente levasse à participação acionária deles, e acho que isso seria justo, mas precisa ser negociado. Não vejo uma situação em que os 25 investidos se tornem 55 e tenhamos que pagar tudo de volta. Acho que eles serão razoáveis e que acabarão com participação acionária, e espero que honrem nosso acordo anterior, o que me deixaria com uma participação significativamente maior do que a deles. Mas estamos vivendo tempos atípicos e acho que todos precisamos que o clube social se sente à mesa conosco para resolvermos tudo.