O Bate Papo com Zé Passini de hoje foi com Rafifa, jogador profissional de FIFA, que é mais um apaixonado pelo Botafogo. Confira abaixo:

Seleção: De onde vem seu amor pelo Botafogo?

Rafifa: Vem da família, principalmente da parte de pai. Tenho avô, pai, irmão botafoguense, então é um clima alvinegro em casa desde criança. Quando eu era mais novo, tinha o costume de ir com meu avô ao Maracanã. Depois, já adolescente, ia sozinho quando ninguém queria ir. Desde criança sempre acompanhei, mesmo pela TV. Até no começo dos anos 2000, quando caímos pra segunda divisão, eu já era um apaixonado pelo clube

Seleção: Quando criança, você  pensava em jogar no clube?

Rafifa: Pensava em ser jogador de futebol, e jogar no Botafogo era parte desse caminho. Acho que todo alvinegro, pelo menos quando criança, tem o sonho de poder dar um título para o clube e poder retribuir um pouco do amor que tem pelo Botafogo. Mas logo na infância, eu já vi que o futebol não era meu caminho

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Seleção: Como você vê a entrada de clubes de futebol no cenário do e-sport?

Rafifa: Vejo com um pouco de receio. Claro, vejo a importância financeiro e de mídia dos clubes. O próprio case do Flamengo, que no CBO, é uma das maiores torcidas, atrelado a um bom trabalho de comunicação e a bons nomes, como o BrTT, maior jogador brasileiro da história, mas esse é um projeto que tem que ser muito bem atrelado a boas políticas de comunicação do clube e a boas práticas no esporte eletrônico. Não adianta um clube grande abrir um projeto de e-sports e não ter uma comunicação alinhada

Rafifa, jogador profissional de Fifa, é torcedor do Botafogo

Seleção: Hoje você é contratado pela Netshoes. Hoje a gente vê times como a INTZ, PaiN e tantos outros espalhados pelos mais diversos jogos. Você acha que um dia os clubes tradicionais vão conseguir chegar no nível destes times focados em e-sports?

Rafifa: Não sei se um dia chegarão a esse nível. Geralmente, nos clubes de futebol, existem muitos interesses distintos, além de diretorias mais velhas. Acho que os departamentos de comunicação, que geralmente são mais jovens, alinhados com os novos fenômenos, reconhecem a importância dos esportes eletrônicos, e o rejuvenescimento que eles trazem para a torcida, mas isso ainda esbarra em interesses da velha guarda do futebol. Então, enquanto os clubes brasileiros não se profissionalizarem, acho difícil que ocorra esse avanço.

Seleção: Como você vê a ausência de times/elencos brasileiros nos FIFAs?

Rafifa: Enxergo de uma forma muito triste. A gente sabe que não é culpa dos clubes. Se eu quiser jogar hoje com o Botafogo, eu consigo. A questão são os jogadores. Ao meu ver, não há diversão se eu não consigo jogar com o meu ídolo. Jogar com o Botafogo e não conseguir utilizar o Honda, o Gatito… Enfim. Isso acaba afastando a torcida, principalmente o público mais novo, que hoje, joga bastante. Se eu tivesse um filho ou um sobrinho mais novo, acho que ele não jogaria com o Botafogo, por não ter os jogadores. É muito mais fácil ele aprender a escalação do PSG, ou do Real Madrid, do que a do Botafogo.

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Seleção: Você consegue mensurar quanto estes times e jogadores perdem em exposição de marca?

Rafifa: Acho imensurável essa perda de exposição dos jogadores e dos times, mas esse movimento tem que partir dos jogadores brasileiros, não só para lidar com essa questão específica, mas com todos os acordos de imagem. É uma brecha que há na legislação de direito de imagem, que se não for tratada de forma coletiva, como é em outros países, não vai pra frente

Seleção: A gente vê hoje no Brasil o Flamengo sendo o principal clube de futebol inserido nos e-sports, mas também vemos o Corinthians, por exemplo, ganhando um Mundial de Free Fire. Você acha que o Botafogo já deveria estar inserido nos e-sports?

Rafifa: Acho que o Botafogo, seguindo a linha de alguns clubes grandes, deveria já estar inserido. Não só o Botafogo, como todos os clubes da primeira linha do futebol brasileiro. O Botafogo é um clube gigante, acho que a torcida apoiaria. Existem até alguns projetos individuais, como a Loucos Pelo Botafogo e-sports, o BFR Gaming, mas que não levam a chancela do Botafogo como clube.

Seleção: Como você vê o e-brasileirao?

Rafifa: Reconheço a importância, acho uma iniciativa legal, mas acho que é um campeonato para profissionais. O representante do Botafogo, por exemplo, não era botafoguense, então ao mesmo tempo que há uma dicotomia entre ser um campeonato profissional, com a chancela da CBF, que dá uma premiação de milhares de reais, tem a diferença de não ser algo que vai traduzir o torcedor botafoguense no campeonato. Além disso, os clubes não se envolvem ativamente na organização. Eles dão os jogadores, mas não há nenhuma ação de comunicação integrada entre os jogadores e os clubes

Seleção: Hoje você é um atleta profissional de FIFA. Qual tipo de preparação e dedicação um atleta assim deve ter?

Rafifa: O atleta profissional de FIFA tem que entender que como profissional, você terá que abdicar de algumas coisas, como seu tempo, para participar de campeonatos que, muitas vezes, serão aos finais de semana, em aniversário de familiares… Vai ter que perder tempo dia de semana também, estudando, se dedicando, treinando. É quase como a rotina de um atleta. Temos que nos dedicar para estarmos prontos na hora da decisão.

Rafifa, jogador profissional de Fifa, é torcedor do Botafogo

Seleção: Você, além de jogar, dá aulas de FIFA. A gente sabe que o mundo do e-sports tem crescido muito nos últimos anos. Hoje, um atleta de FIFA consegue se manter somente com o jogo ou é necessária uma outra fonte de renda?

Rafifa: Hoje são poucos que, como eu, conseguem viver exclusivamente da renda do jogo. Ainda há casos de jogadores mais novos que recebem valores próximos a uma ajuda de custo, outros mais velhos, que acabam complementando sua renda, mas não conseguem viver só do jogo. Acho que isso acaba sendo a tônica de quase todos os esportes, tirando o futebol. A gente sabe que hoje a situação não está fácil, ainda mais com o Coronavírus.

Rafifa, jogador profissional de Fifa, é torcedor do Botafogo

Seleção: A gente vê muitos jogadores jogando FIFA nas concentrações. Você já pôde jogar com alguns deles? Com qual jogador você ainda gostaria de jogar?

Rafifa: Tive a oportunidade de jogar com o Camilo, em 2017, na época da Libertadores. Foi uma experiência muito legal. Guardo um carinho muito grande por ele, apesar de ter saído do Botafogo. Também joguei com o Nenê, por causa da sua ligação com o PSG. Já conversei com o Dudu Cearense, com o Gustavo Henrique… Acho que gostaria de jogar com o Gatito ou com o Pedro Raúl. O Pedro tem cara de que gosta de jogar FIFA, mas o Gatito seria um sonho. Não sei se ele joga, mas seria legal.

Seleção: Hoje, no FIFA, há os Icons, que são os jogadores já aposentados. O Botafogo conta com Carlos Alberto Torres, Garrincha e Seedorf entre esses Icons. Qual jogador ex Botafogo você acha que falta alí?

Rafifa: Meu maior ídolo no Botafogo, recentemente, é o Loco Abreu. Sei que não seria dos melhores, por ser um jogador lento, que só chuta de esquerda, mas acho que esse fan service me deixaria feliz

Seleção: Você acha que conseguia conduzir um projeto para implementar o cenário gamer no clube?

Rafifa: Acho que hoje não é o momento para conduzir um projeto desses. Talvez participar de alguma outra maneira, mas tem que haver interesse do clube para isso acontecer. Tô feliz na Netshoes hoje, to feliz com que nós estamos desempenhando e espero continuar com eles por mais tempo

Fonte: Seleção Alvinegra