Motivo para Fluminense e Botafogo medirem forças neste domingo em Volta Redonda, às 16h, os Jogos Rio-2016 já ditam a temperatura na capital. E é justamente do espírito olímpico que vem o exemplo para tricolores e alvinegros. Enquanto a rivalidade entre os dois ganhará mais um capítulo no gramado do Raulino de Oliveira, nas piscinas os clubes caminham lado a lado pelo sonho da medalha.

Ingrid Oliveira, do Fluminense, e Giovanna Pedroso, do Botafogo, conquistaram no dia 20 uma vaga na disputa da plataforma sincronizada dos saltos ornamentais. A prova está marcada para 9 de agosto, no Parque Aquático Maria Lenk, na Barra da Tijuca. O fato de pertencerem a clubes diferentes está longe de ser um problema.

— A gente se chama de irmã. É como eu considero ela mesmo — conta Ingrid: — A gente sai, vai ao cinema, eu vou para a casa dela, ela vai para a minha.

Na prova sincronizada, não é anormal a presença de duplas de clubes mistos. Também garantidos na Olimpíada, Hugo Parisi (Mackenzie-RJ) e Jackson Rondinelli (Pinheiros-SP) são exemplo. Aqui, os critérios para a formação das parcerias são outros.

— Os atletas têm que ter afinidade, obviamente. Mas o olhar clínico de um técnico vê se eles têm o mesmo biotipo, se um atleta tem a mesma flexibilidade, velocidade e agilidade do outro. Ninguém é igual, mas a gente tenta que sejam o mais próximo possível — explica Andreia Boehme, treinadora de Ingrid: — Por ser sincronizado, você não pode pegar um atleta muito alto com um baixinho, por exemplo. Vai destoar no ar. Fica feio até.

Ingrid e Giovanna em ação no Pan de Toronto
Ingrid e Giovanna em ação no Pan de Toronto Foto: Satiro Sodre/SSPress

Ingrid, de 20 anos, e Giovanna, de 17, se conheceram em 2012. Foi justamente o salto que as aproximou. Do convívio em treinos e competições, nasceu a amizade. Daí até o início da parceria na plataforma, foram dois anos. Um pulo, literalmente.

— Isso é muito bom para a gente, para ajudar na nossa sincronia. Quando uma está com um problema, a outra ajuda. A gente tenta mudar alguns movimentos quando uma não consegue fazer — conta Giovanna.

Sintonia à parte, quando a disputa é individual a parceria vira concorrência. Nesta hora, a amizade não fica de lado. Mas é cada uma por si.

— A gente não salta mal para a outra ganhar. Quem ganhar, ganhou. É claro que torço por ela e ela por mim. Mas a gente salta para ganhar — diz Giovanna.

Lados opostos só no futebol

Em agosto, tricolores e alvinegros torcerão juntos nos Jogos Olímpicos. Mas hoje a rivalidade vai falar mais alto. E não há parceria que faça Ingrid e Giovanna concordarem. Cada uma quer ver seu o clube vencedor.

— De vez em quando, vou ao Maracanã. Saio até rouca de tanto que grito pelo Fluminense — conta Ingrid, que nem cogita torcer por um empate por causa da amiga: — Azar do Botafogo…

Ingrid e Giovanna: no futebol, é cada uma para um lado
Ingrid e Giovanna: no futebol, é cada uma para um lado Foto: Roberto Moreyra / Agência O Globo

Ao apito final, porém, a dupla será refeita. A 68 dias da Rio-2016, Ingrid e Giovanna não escondem a ansiedade. Para quem está acostumado a saltar, o céu é o limite. Mas, num esporte em que a perfeição chinesa ultrapassa todos os limites, a meta é a prata.

— Todo mundo já sabe que o primeiro lugar será das chinesas. Elas não erram de jeito nenhum. É absurdo! — avalia Giovanna.

O sonho do pódio é embasado na evolução. Prata no Pan de Toronto, em 2015, e vencedoras do Troféu Brasil, este ano, elas formam a dupla mais forte do país.

— No esporte, você sempre tem de estar crescendo. E as pontuações nos dão esse parâmetro, elas estão no caminho certo — diz Alexander Ferrer, técnico de Giovanna.

Fonte: Extra Online