Se janeiro foi desastroso para o Botafogo, com a eliminação precoce na Taça Guanabara, fevereiro veio para trazer alento e esperança em uma temporada exitosa. Em seis jogos no mês, foram cinco vitórias e um empate, sendo três avanços de fase em duas competições diferentes: Copa do Brasil e Sul-Americana. A invencibilidade também enche os olhos quanto ao saldo de bolas na rede: o Alvinegro marcou 13 gols e sofreu apenas um.

O LANCE! faz uma análise da fase e separa fatores que pesaram para a ótima sequência da equipe de Zé Ricardo ao longo do mês que acaba de virar. Veja:

ESTRELA DE ERIK

Hoje, quando se pensa na onda de vitórias alvinegras, o que logo se vem à mente é a ótima fase de Erik. Com o contrato renovado com o Botafogo, o atacante assumiu de vez o papel de protagonista e desandou a fazer gols. Todos os seis tentos do jogador em 2019 foram marcados em fevereiro.

Erik tem iniciado as partidas como ponta-direita, invertido o lado com Rodrigo Pimpão com uma certa frequência, ao longo dos jogos, e, esporadicamente, feito a função de um falso 9. A confiança é tão elevada que o camisa 11 tem assumido a bronca nas cobranças de pênalti. A fase está iluminada.

DEFESA SÓLIDA

Certamente a considerável invencibilidade não seria possível no caso de um time desequilibrado, ou seja, bem no ataque e vulnerável na defesa. Inicialmente, Zé Ricardo vibrou quando Carli retornou de lesão, no jogo contra o Boavista, justamente o primeiro da tal sequência. Ao lado de Gabriel, o argentino trouxe segurança ao setor e, com a sua nova lesão, viu Marcelo Benevenuto reassumir a titularidade na temporada e manter o alto nível de atuação do setor – que passa também pela ótima fase do garoto Jonathan.

– Tudo é fruto do trabalho do Zé, da comissão e dos jogadores. Estamos executando o que o Zé vem pedindo. Estamos muitos felizes pelo momento. O sistema defensivo não são apenas os quatro de trás e os goleiros. Começa com o Kieza e temos que valorizar todos. A perda do Carli foi enorme, mas sabíamos do potencial do Marcelo e ficamos felizes com a confiança que o grupo passou para ele – comentou Gabriel, em entrevista coletiva na última quinta.

ATUAÇÕES CIRÚRGICAS

Até pelo elenco enxuto, Zé já esperava uma enorme dificuldade no mês, com quatro jogos de mata-matas no calendário – três se fosse eliminado para o Campinense na fase inicial da Copa do Brasil. O fato é que, quando não deu para pôr a bola no chão e dominar as ações de partidas encardidas, a equipe alvinegra foi cirúrgica quando adotou uma postura mais reativa.

Ocorreu a última situação em três dos seis jogos de fevereiro. Primeiro, contra o Campinense, que precisava vencer para sair com a vaga. O Botafogo não esteve em noite inspirada, mas, bem postado, chegou a dois gols cruciais – sendo um através de um lindo chute de Alex Santana, de fora. E também do meio da rua, Alex voltara a marcar contra o Defensa y Justicia, no jogo da volta, quando o Botafogo não sucumbiu à enorme pressão dos argentinos em Buenos Aires e saiu com um 3 a 0 com três finalizações na meta adversária. Diante do organizado Cuiabá-MT, esta semana, o cenário foi bem parecido.

REDENÇÃO DE PIMPÃO 

E Rodrigo Pimpão foi outra peça essencial para que os lances esporádicos fossem parar no fundo das redes. Sem brilho e na reserva em 2018, o atacante ressurgiu e se tornou imprescindível no atual momento do Botafogo.

Rodrigo Pimpão voltou a iniciar entre os 11 contra o Boavista e, desde então, participou diretamente de seis gols em cinco jogos, já que foi poupado contra o Vasco: foram dois pênaltis sofridos, duas assistências e dois gols marcados.

ENCAIXE DE ALEX SANTANA

No geral, Zé Ricardo tem os seus méritos em todos os fatores anteriores, embora o Botafogo ainda esteja carente de reposições em alguns setores e peque em criatividade em diversas ocasiões. E um outro a ser destacado pelo L! tem Alex Santana no núcleo.

Contratado sem alarde e envolvido na ida de Rodrigo Lindoso ao Internacional, Alex atuou em nove das dez partidas do Botafogo em 2019, só ficando de fora por conta de desgaste físico – também contra o Vasco, assim como Pimpão. Não só pelos já citados golaços de fora da área, o meio-campista tem sido importante na transição das jogadas e, subitamente, caiu nas graças da torcida.

NÚMEROS DO BOTAFOGO EM 2019 
Jogos e resultados: 10 jogos (5 vitórias, 2 empates e 3 derrotas)
Aproveitamento: 57%
Gols marcados: 15
Gols sofridos: 7

NÚMEROS DO BOTAFOGO EM FEVEREIRO 
Jogos e resultados: 6 jogos (5 vitórias e 1 empate)
Aproveitamento: 89%
Gols marcados: 13
Gols sofridos: 1

Fonte: Terra