Torcida aprova Maracanã, mas critica falta de estacionamento

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O frequentador do Maracanã está muito satisfeito com o novo estádio. O sentimento é refletido nos números de uma pesquisa encomendada pelo Complexo Maracanã Entretenimento S.A ao DataFolha. Em uma escala de 0 a 10, os entrevistados, em média, deram nota 8,7 ao estádio, sendo que 82% consideram que o Maracanã ficou melhor após a reforma.

O conceito elevado foi impulsionado pela boa avaliação que receberam os quesitos iluminação, visibilidade do campo, limpeza e atendimento dos funcionários. A soma de fatores favoráveis fez com que 94% dos torcedores considerassem a ida ao Maracanã para ver um jogo um bom um programa em família.

– Foi a primeira pesquisa que fizemos, e o resultado foi extremamente positivo. Digo até que foi surpreendente em alguns aspectos. Visualmente já tínhamos a impressão da grande presença de famílias, e isso foi confirmado com o resultado – comemorou o diretor de planejamento do Maracanã S.A., Lino Cardoso.

Mas nem por isso a avaliação ficou livre de ressalvas. A principal é o estacionamento, que recebeu nota 4,3. A reclamação se dá porque os 33% dos torcedores que optam por irem de carro aos jogos não podem estacionar nas dependências do estádio, com exceção dos que compram os pacotes de camarotes.

– Já esperávamos essa questão, pela necessidade de vagas. A solução definitiva depende da implantação do espaço adequado. Ainda não temos outra proposta, estamos fazendo estudos (veja mais abaixo). Apesar de a maioria usar o transporte público (47%, entre metrô, ônibus e trem) – completou Lino.

A qualidade dos produtos e o atendimento dos bares são mais um quesito que não chegou à excelência, tendo recebido nota 6,7. Mesmo assim, o Maraca está com moral lá em cima.

ESTACIONAMENTO COM LOCAL INDEFINIDO

A reclamação dos torcedores tem como contexto o impasse sobre a definição de onde serão construídos o estacionamento do Maracanã e o Museu do Futebol.

Inicialmente, segundo o contrato de concessão, o espaço utilizado seria onde estão o Parque Aquático Julio de Lamare, o Estádio de Atletismo Célio de Barros e a Escola Municipal Friedenreich. Mas o governador Sérgio Cabral recuou na decisão de demoli-los.

O Complexo até enviou uma proposta, sugerindo que fosse usado um terreno na Quinta da Boa Vista, que era do Exército e foi doado à prefeitura pelo governo federal. Mas a indicação foi rejeitada.

Bate-Bola
Lino Cardoso – Diretor de planejamento do Complexo Maracanã S.A.

Muitos saudosistas chegaram a criticar as mudanças visuais no estádio. Mas a pesquisa mostra que quem mais deu nota 10 ao – Maracanã foram os maiores de 60 anos. Como avalia esse número?
Entendemos o valor das tradições e estamos tentando prezar por algumas delas. A rede véu de noiva, por exemplo, voltou. Mas quem experimenta a proximidade ao gramado e o conforto do estádio entende as mudanças.

Os bares também foram alvos de reclamação. Que tipo de mudança dá para ser feita?
O resultado da pesquisa está sendo compartilhado com os parceiros que administram os bares. Estamos trabalhando com eles para otimizar o serviço, levando em conta o preço e o gosto do carioca.

O Maracanã, ainda bem, não registrou brigas, como o Mané Garrincha. Qual o efeito disso?
A segurança pública tem nos ajudado muito. Mas o comportamento do torcedor, que independe de valor de ingresso, também tem mudado. Vejo isso no estádio.

Com a palavra
Luiz Fernando Gomes
Editor-chefe do LANCE!

“O torcedor não é bobo e deu o seu recado”

A pesquisa sobre o Maracanã traz claros recados à administração. O padrão Fifa caiu no gosto do público, com a plena aprovação de pontos estruturais e de boa parte dos serviços. Mas as críticas do torcedor recaem sobre aquilo de que ainda estamos longe: a eficiência que existe pelo mundo.

A alimentação, por exemplo, não é só um problema de poucos bares, de preços ou opção de produtos. É de conceito. Nas arenas modernas, há restaurantes, fast-foods, bares, oferta variada de diferentes padrões. Mas que fazem ir ao estádio ser um programa além do jogo.

Ingressos, então, nem se fala. É inaceitável que ainda se exponha o público a longas filas, não se tenha a Internet como prioridade e a venda de carnes como prática corrente.

Por fim, a rejeição ao estacionamento precisa ser entendida. Há falta de vagas, sim. Mas há falta de transporte público rápido e seguro, como o país da Copa deveria ter.



Fonte: Lancenet!
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