Há uma semana, o meia Daniel, que pertencia ao São Paulo, virou destaque nos noticiários. Ele foi encontrado morto no domingo (28) em um matagal em São José dos Pinhais, no Paraná, com ferimentos graves no pescoço e sem o pênis. De lá para cá, muitas histórias foram divulgadas, algumas verdadeiras, outras versões deturpadas. Veja abaixo o que se sabe sobre o caso:

Suspeito admite crime

O suspeito do assassinato já é conhecido: o empresário Edison Brittes Junior admitiu ter cometido o crime. Juninho, como é conhecido, alega ter protegido a esposa, Cristiana Brittes, que teria sido atacada pelo atleta enquanto estava dormindo.

Testemunha diz que motivo do crime foi ciúmes

Uma testemunha considerada fundamental no caso afirmou à Polícia Civil do Paraná que a motivação do crime foi ciúme, já que Daniel teria se envolvido com a Cristiana.

De acordo com a testemunha, Daniel foi espancado por quatro homens na casa de Edison, onde estava sendo realizada uma after party após a festa de aniversário de 18 anos da filha dele, Allana Brittes. Ainda segundo o relato da testemunha, os agressores pegaram uma faca, colocaram o jogador “praticamente desfalecido” no porta malas de um carro e foram embora.

Testemunha ameaçada

Em entrevista ao UOL Esporte, uma testemunha do crime disse ter tido um encontro com Edison na segunda-feira depois do ocorrido. A ideia do suspeito do crime era combinar o relato que seria dado para a polícia, mas ela não concordou. Depois de dar o depoimento verdadeiro para a polícia e imprensa, a testemunha temeu represálias.

Família toda presa

Edison foi preso temporariamente na manhã de quinta-feira (1º). Além dele, a mulher e a filha foram levadas para “averiguações”. As prisões temporárias têm prazo de 30 dias.

Juninho diz que tirou Daniel de cima da esposa

Edison afirmou, em vídeo gravado por seu advogado de defesa, o criminalista Cláudio Dalledone Júnior, que tirou o atleta de cima de Cristiana e negou que Daniel mantinha um relacionamento com sua esposa e filha. O suspeito disse que o meia tentou estuprar Cristiana.

Allana também gravou um vídeo e contou versão semelhante sobre a tentativa de estupro e ainda falou em “gritaria” no quarto da mãe dela. Pai, mãe e filha estão presos temporariamente por 30 dias.

Antes do crime, Daniel conversou por mensagens com um amigo e escreveu que pretendia “comer a mãe da aniversariante”. Menos de 20 minutos depois, ele mandou: “comi ela, moleque”, seguido de risadas e fotos ao lado de Cristiana, que aparentemente dormia.

Polícia investiga estupro

A Polícia está investigando a acusação de estupro e diz que Daniel era conhecido da família. Em entrevista coletiva na quinta-feira (1º), Amadeu Trevisan, delegado-titular da Polícia Civil de São José dos Pinhais, afirmou que as autoridades ainda não sabem se realmente houve o estupro ou se Daniel apenas deitou ao lado de Cristiana.

Conversas de WhatsApp contradizem versão de suspeitos

Apesar da acusação, reproduções de conversas de WhatsApp contradizem a versão que a Allana e Edison apresentaram à polícia. Uma série de reproduções de telas de celular mostram que a jovem conversou com um amigo em comum, com a mãe de Daniel e com uma tia dele depois do crime, dando informações diferentes.

Nessas conversas, a suspeita afirmou a uma tia de Daniel que não houve briga em sua casa e que o meia saiu sem causar nenhum problema. Em outra conversa, ela disse a um amigo do jogador que não sabia onde ele estava. O pai da garota, por sua vez, ligou para consolar a mãe do ex-jogador.

Edison é conhecido do sistema judiciário

O suspeito de ter cometido o crime já tinha ficha na polícia. Em 2015, Edison foi denunciado ao Ministério Público por receptação dolosa (artigo 180 do Código Penal) de produto roubado. De acordo com a denúncia assinada em junho de 2018 pela promotora Mônica Helena Derbli Baggio, Juninho foi levado à delegacia pela posse de um Hyundai Sonata que ele sabia ter sido roubado. O chassi do veículo, que fora roubado em Porto Alegre, havia sido adulterado. O advogado dele afirmou que seu cliente comprou o carro sem saber do roubo.

A ficha policial de Edison conta ainda com o registro de outros dois crimes: porte ilegal de armas (artigo 14 do Estatuto do Desarmamento) e injúria (artigo 140 do Código Penal). Segundo Cláudio Dalledone, seu advogado, Juninho é proprietário de uma pistola Glock 380 registrada. De acordo com seu histórico policial, ele acabou sendo absolvido pelo caso em 2016.

Sobre a ocorrência de injúria, registrada no sistema judicial em fevereiro de 2018, o advogado não soube identificar o fato que gerou o processo. “É um crime de menor potencial ofensivo”, minimizou. “Ele não tem histórico criminal, nunca foi preso, não tem nenhuma condenação”, disse Dalledone, conhecido por defender acusados em casos de grande repercussão, como o goleiro Bruno.

Quem era Daniel?

Daniel tinha 24 anos e foi formado nas categorias de base do Cruzeiro. Ele colecionou passagens por Botafogo, São Paulo e Coritiba, mas as sucessivas lesões impediram um sucesso maior. O meia estava emprestado pelo time do Morumbi ao São Bento, onde tentava retomar a carreira.

Fonte: UOL