Veteranos deixam protagonismo no Brasileiro e sofrem queda

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Juninho Pernambucano assumiu a liderança do Troféu Armando Nogueira após o término da 15ª rodada, em 19 de agosto. Melhor meia da competição à época, o jogador de 38 anos era perseguido por Seedorf, um ano mais novo, Alex, de 36, e Zé Roberto, de 39. Dez jogos se passaram, a média de notas do quarteto caiu, e o holandês botafoguense e o gremista deixaram o top 5 na luta pelo posto de melhor armador. Juninho também já não é o mais líder, foi superado por Éverton Ribeiro, 14 anos mais novo.

Como explicar a queda dos “velhinhos” bons de bola? A maioria dos profissionais atribui esse declínio, não apenas dos mais experientes, ao calendário. Curiosamente os quatro craques iniciaram suas respectivas derrocadas no mês de setembro, perto do início do segundo turno e quando os jogos de meio de semana passaram a ser disputados ininterruptamente.

Montagem Queda rendimentos veteranos do Brasileiro (Foto: Editoria de Arte)
Alex, Seedorf, Juninho e Zé Roberto: veteranos tiveram queda de rendimento (Foto: Editoria de Arte)

O técnico Oswaldo de Oliveira, comandante de Seedorf, um dos jogadores que mais vêm caindo ultimamente, juntou-se à corrente contrária às datas atualmente apresentadas pela CBF aos clubes. Afirmou ser necessário poupar os experientes, ainda que o holandês tenha atuado em 22 dos 25 compromissos botafoguenses pelo Brasileiro. E uma das ausências foi motivada por suspensão.

– Por causa do calendário, às vezes precisam ser poupados, assim como os mais novos. O Gabriel, por exemplo, teve a terceira lesão. Os veteranos, por terem mais lastro, necessitam de mais cuidados. Eles não conseguiram continuar brilhando tanto, tiveram uma queda momentânea. Eu não tenho dúvida que é por causa da necessidade de jogar tantas vezes. É preciso uma preparação. Existe uma perda técnica e de motivação – disse o treinador.

Info Queda rendimentos veteranos do Brasileiro (Foto: Editoria de Arte)

A baixa na qualidade das atuações dos jogadores foi acompanhada por seus clubes, que enfrentaram séries negativas. No returno, Juninho não conseguiu nenhuma nota acima de 6,5, e o Vasco só venceu um dos seus seis jogos, perdendo quatro e empatando outro. Seedorf acumulou notas como 5, 4,5 e 3. O Botafogo, regular no primeiro turno, ganhou duas, perdeu três e empatou uma no segundo. O Coritiba também sofreu muito com um Alex que ultimamente só salvou o time de uma derrota contra o Bahia – terminou em 2 a 2, com um golaço de bicicleta. Desgastado, foi poupado na derrota para o Galo (3 a 0) e no empate contra o Flu (1 a 1). Porém teve atuação discreta nas derrotas para Náutico (3 a 0), Flamengo (2 a 0) e no empate com o Goiás. O gremista Zé Roberto foi titular absoluto em seus dez primeiros compromissos pelo Brasileiro, mas uma lesão sofrida na derrota por 2 a 0 para o Corinthians o fez perder espaço. Ficou fora do seis jogos seguintes, voltou como reserva, chegou a ser titular em três confrontos, mas depois ficou no banco em outros três e em nenhum destes sequer foi colocado nos minutos finais.

Ao lado de Alex diariamente no Coritiba, o preparador físico Glydiston Ananias afirma que o declínio técnico dos mais experientes são favas contadas a essa altura da competição. Ele ainda agrega que o trabalho físico no Brasil é muito mais intenso em relação ao realizado na Europa.

– Some minutos de jogos, viagens e treinamentos. No fim do ano isso acumula e, por melhor que seja planejamento, preparação e alimentação, a tendência é cair. Não só para o atleta acima dos 30 anos, vide o Ronaldinho, que teve uma lesão mesmo no Atlético, onde a estrutura é fantástica, de primeiro mundo. É inevitável essa queda de rendimento. Sem dúvida o calendário atrapalha. A temporada é muito desgastante. Se um mais jovem acaba sentindo, imagine os mais velhos. Não é só o calendário de jogos e viagens, é a questão dos treinamentos também. Aqui se treina muito mais do que na Europa, tem dia em que se trabalha em dois períodos. Adotamos uma estratégia aqui no Coritiba não só com o Alex, mas com todos os jogadores acima de 31 anos, de eles só treinarem um período só – afirma o profissional do Coxa.

Glydiston ainda faz coro a Oswaldo, reafirmando a necessidade de se poupar os mais velhos, independentemente do prejuízo que isso possa causar para o time na competição.

– Sem dúvida tem que poupar, mesmo que não queira. E o atleta sabe muito bem disso. O Alex já fez 37 partidas, sendo que ainda nos restam 13 no Brasileiro e mais algumas provavelmente na Sul-Americana (mais uma, pelo menos). Trinta e sete jogos ele fazia num ano na Europa, eu acho. A recuperação desses atletas é mais lenta, tem que se fazer o revezamento, senão eles não conseguem jogar. Se não poupar, ele não vai conseguir render o que sabe. Mesmo sendo tecnicamente privilegiado, ele tem que descansar. O futebol hoje não é só técnica, a parte física tem prevalecido muito – completou.



Fonte: Globoesporte.com
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