Capitão do Botafogo no título brasileiro de 1995, Wilson Gottardo também teve uma passagem recente pelo clube fora de campo. Entre julho e dezembro de 2014, após ser convidado pelo então presidente Mauricio Assumpção, o ex-zagueiro assumiu a função de diretor-técnico, quando o Glorioso acumulou uma série de problemas e acabou rebaixado no Campeonato Brasileiro pela segunda vez em sua história.

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Um dos episódios mais lembrados foi a demissão de Bolívar, Emerson Sheik, Júlio César e Edilson ainda com o Brasileirão em andamento, após uma série de protestos e reclamações por conta dos constantes atrasos salariais. Gottardo conta que chegou a tirar dinheiro do próprio bolso para suprir algumas carências na parte estrutural, mas foi devidamente ressarcido pelo clube posteriormente.

– Era um momento muito difícil, com salários atrasados, e o entendimento daquele grupo era diferente. A situação estava caótica, existiam algumas lideranças e não era uma maneira harmoniosa de se conviver. Os atletas que ganhavam pouco eram a minha maior preocupação, fiz uma captação de mais de R$ 600 mil para pagar 11 direitos de imagem junto aos botafoguenses ilustres. Era para ser mês a mês, mas foi interrompido quando houve o afastamento dos quatro atletas, porque os colaboradores não viam mais sentido. Usei dinheiro do meu bolso para comprar coisas que precisavam na hora, mas depois fui ressarcido, o Botafogo pagou tudo. Mas isso não é normal – disse Gottardo, em entrevista ao canal do Fabiano Bandeira no YouTube.

Wilson Gottardo - Botafogo 2014Wilson Gottardo durante sua apresentação com diretor-técnico do Botafogo em 2014 (FOTO: Vitor Silva/SSPress)

‘Dormia de três a quatro horas por noite’

Gottardo revelou que participou de algumas contratações, como o peruano Luis “Cachito” Ramírez, trazido do Corinthians, e que tinha um plano para colocar em prática em General Severiano. Porém, a quantidade de problemas extracampo inviabilizou suas intenções.

– Eu dormia mais ou menos de três a quatro horas por noite. Fui num médico amigo meu, ele me examinou e disse: “Você vai morrer. Se continuar nesse ritmo, você vai morrer”. Ele sabia que estava tudo torto, tudo errado. A maior lição que tive é que quando você diagnosticar um problema, você tem que atacá-lo. Só que o Botafogo tinha muitos problemas, demorei para atacar porque era muita coisa para pouco tempo para ser resolvido. E a força máxima é o presidente, é o líder máximo da gestão. Daria para evitar o rebaixamento? Daria, mas numa ação em conjunto. Não é um diretor, um treinador, um jogador que vai resolver – frisou.

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Bombeiro no Botafogo?

Wilson Gottardo também foi perguntado se o então presidente Mauricio Assumpção o convidou para ser uma espécie de escudo entre diretoria e comissão técnica na ocasião. Ele confirmou que havia um desgaste muito grande entre os atletas e o presidente, tendo chegado logo após a demissão do diretor de futebol Sidnei Loureiro.

– Havia um desgaste muito grande do presidente com o elenco e ele achou melhor se afastar, acho que o pai dele estava muito doente também. Ele sabia que eu tinha condições de levar adiante. Mas estava tudo muito engessado, muito difícil o clima ali. Existia um grupo de gringos, Ramírez, Bolatti, Zeballos, Ferreyra, tive um papo direto com eles, são muito inteligentes, com outro nível, e disse que precisava deles. Existia o pessoal da base subindo, alguns que estavam sendo subutilizados… Todo dia era incêndio para apagar – finalizou o ex-zagueiro.

Confira a entrevista completa com Wilson Gottardo:

Fonte: Redação FogãoNET e Canal do Fabiano Bandeira