Cláusulas de performance da Botafogo S/A são ‘jabuticabas’, diz blog; exigências seriam negociáveis

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Por FogãoNET

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Bandeirão da torcida do Botafogo
Divulgação

Jornalista especializado em negócios do esporte, Rodrigo Capelo, do “ge.globo”, classificou como “jabuticabas” (termo usado para se referir a coisas que só acontecem no Brasil) as chamadas cláusulas de performance para a Botafogo S/A, conforme documento revelado nesta terça-feira.

O Botafogo exige títulos de expressão num prazo de dez anos, ou campanhas de destaque: a) três vices seguidos; b) seis vices intercalados; c) dois vices consecutivos e seis terceiros ou quarto lugares; d) quatro vices intercalados e oito terceiros ou quarto lugares.

Caso o grupo que assuma o futebol do Botafogo não consiga atingir esses objetivos, o clube pode “recomprar” o futebol pelo valor simbólico de R$ 1. Para ele, esse tipo de exigência é “incompatível” com o que se pratica no resto do mundo.

– Quando um investidor decide colocar o dinheiro dele em algum lugar, está preocupado com dois fatores: retorno e risco. Ou seja, quanto ele conseguirá em rendimento a partir da grana que investiu e qual chance ele terá de perdê-la (ou de não chegar ao rendimento esperado). Exigir que títulos nacionais e internacionais sejam conquistados faz com que esse risco se torne insustentável – escreve Rodrigo, indagando:

Quem aportaria R$ 500 milhões num ativo que, se não ganhar campeonatos ou se for rebaixado à Série B, viraria pó e voltaria para as mãos do antigo dono por 1 real? Quando um investidor (de qualquer natureza, com qualquer intenção) compra um clube de futebol na Europa ou nos Estados Unidos, ele compra um clube de futebol. Ponto final. Os antigos proprietários não têm ingerência sobre o ativo que venderam para terceiros.

Justificativas para as cláusulas da Botafogo S/A

Segundo Rodrigo Capelo, as tais “cláusulas de performance” foram incluídas no sentido de evitar que o Botafogo se torne um satélite de outro clube – impedindo, assim, que o proprietário use o futebol alvinegro apenas para revelar jogadores, exportar para outros mercados e ganhar dinheiro.

Por outro lado, tais requisitos podem ser negociáveis, segundo acrescenta o jornalista. Se o investidor for poderoso, como o Manchester City, por exemplo, uma solução pode ser encontrada no meio-termo para viabilizar o negócio.

Fonte: Redação FogãoNET e Blog do Rodrigo Capelo (ge.globo)

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