Coluna vê erros em estratégia de Luís Castro no Botafogo, elogia ‘viés crítico’, mas ressalta: ‘O projeto precisa de resultados’

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Por FogãoNET

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Coluna vê erros em estratégia de Luís Castro no Botafogo, elogia ‘viés crítico’, mas ressalta: ‘O projeto precisa de resultados’
Vitor Silva/Botafogo

Foi, sim, uma noite melancólica para os botafoguenses, a da última quinta. E não só pelos 3 a 0 impostos pelo América-MG, em Belo Horizonte. Mas pela forma como o time se entregou ao adversário. Mesmo desfalcado, o Botafogo de Luís Castro poderia mais. Só que o treinador avaliou mal o comportamento do adversário. E me pareceu equivocado na estratégia do jogo que seria decidido em 180 minutos. Optou por medir forças na fase ofensiva e cedeu espaços justo num confronto contra um oponente dirigido por Vagner Mancini, ótimo em sistemas reativos.

O treinador português não tem de lamentar desfalques, como fez após a partida, de forma até grosseira ao dizer que o time derrotado minutos antes era o do ano anterior. Pois o Botafogo de Enderson Moreira que garantiu o acesso em 2021 não era virtuoso, mas teria competido melhor, com outra postura. Aliás, essa é uma característica já percebida nos trabalhos das comissões técnicas europeias em atividade no Brasil. São imprecisos nas análises dos adversários e conhecem pouco das características do trabalho da maioria dos treinadores brasileiros.

E aqui não vai nenhum desmerecimento à qualidade dos portugueses que no Brasil representam o futebol europeu. Até porque não se pode cobrar muito de Luís Castro. Embarcado no último apito do trem partir, sem tempo para avaliar o material humano que teria em mãos e sugerir mudanças, ele faz o que pode. Só que pode pouco. E a cada tropeço lembro das manifestações raivosas quando escrevi que John Textor precisava descer ao “chão de fábrica” antes de tomar decisões, como o desmonte da estrutura do futebol com a saída da comissão técnica.

O Botafogo se repaginou também na forma de olhar para suas mazelas e ainda não é possível dizer quais serão as consequências do viés crítico que Castro tem sobre elas. Gosto demais da forma como ele simplifica a explicação sobre o processo de montagem de um sistema, admiro sua percepção sobre o trabalho de um técnico na roleta-russa do futebol brasileiro e, a esta altura, lamento por não ter tido uma pré-temporada de 20 dias como que a foi dada a Jorge Jesus em sua chegada ao Flamengo, em 2019. Mas o cenário é o que é: o projeto precisa de resultados.

Entendo que com o tempo o investidor americano saberá se equilibrar entre expectativa e realidade. Só espero que não demore, porque a tarefa primeira segue sendo atingir os 46 pontos. Nos cinco jogos que lhe restam para o fim do primeiro turno no Brasileiro, o time fará três fora de casa e dois no Nilton Santos. É importante somar pelo menos mais seis pontos aos 18 já obtidos para chegar à segunda metade do campeonato com 50% da meta alcançada. O que vier além disso será lucro.

Fonte: Coluna do Gilmar Ferreira - Extra

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