O Botafogo venceu o Corinthians por 3 a 1 no último domingo, pelo Campeonato Brasileiro, três dias depois de uma eliminação vexatória na Copa do Brasil para a Chapecoense. O triunfo alvinegro teve dois protagonistas: Arthur Cabral, autor dos três gols, e Alexander Barboza, que fez sua despedida do Estádio Nilton Santos antes de se transferir para o Palmeiras.
No programa “Seleção SporTV”, o comentarista Paulo Cesar Vasconcellos elegeu o Botafogo o time da rodada e exaltou o caráter do elenco, em especial do defensor argentino, cuja saída repercutiu mal em parte da torcida.
– O Botafogo é um time formado por jogadores de muito caráter, que é uma coisa que eu prezo muito. Por exemplo, foi a despedida, em Campeonato Brasileiro, do Alexander Barboza. A primeira partida dele no Brasileirão com a camisa do Botafogo foi em 2024 contra o Cruzeiro, no Mineirão, e ele ficou sete minutos em campo. Um minuto depois de ter entrado ele recebeu um amarelo e três minutos depois ele recebeu um vermelho e foi expulso. Naquele mesmo campeonato, além de conquistar o título, foi eleito o melhor zagueiro – iniciou PC.
– Eu prezo muito isso… Porque as pessoas têm uma tendência de desvalorizar a figura do jogador, mas você viu outra atuação de caráter do Alexander Barboza. O tempo inteiro, entende? De liderança. O Botafogo vinha de uma desclassificação traumática para a Chapecoense, e aí vem sempre a hostilidade em relação aos jogadores, mas para mim foi o time da rodada, pelo conjunto de situações, enfrentando um Corinthians que não teve tensão na Copa do Brasil, está fazendo uma Libertadores muito afirmativa e no Campeonato Brasileiro é uma equipe com outra face – completou.
Paulo Cesar Vasoncellos elegeu ainda Arthur Cabral o craque da 16ª rodada, fazendo uma crítica sobre o trabalho da imprensa ao analisar os jogadores de futebol.
– Ele veio para o lugar do Igor Jesus, que chegou precedido de nenhuma expectativa, mas depois você viu quem era esse jogador. Sai o Igor Jesus e vem o Arthur Cabral. O que você pensa? Que vai acontecer a mesma coisa. E a gente acha que tudo é o campo. Não sabemos como é que está sendo a adaptação do cara, da família… Quando na hora que sai de casa, quando volta, como é que estão os olhares de mulher, filho… E entra num time que conquistou num ano o Campeonato Brasileiro e Libertadores. As coisas não acontecem assim. A velocidade do torcedor é uma, mas acho que a velocidade da crítica poderia ser outra, e muitas vezes não é. A crítica, muitas vezes, ignora o que pode estar acontecendo com o jogador fora de campo. Ela só quer saber do campo. Ela acha que o jogador é um ser sem sentimentos. Ele entra em campo, tem que jogar bem. “Poxa, mas ele não dormiu porque o filho passou a noite em claro.” Não interessa! Ontem [domingo], os dois gols de chute de média distância são de alguém que está seguro dos seus movimentos e o terceiro sai de alguém que acompanha a jogada para ver o que acontece – ressaltou.