A história de Gregore no Botafogo poderia ter sido diferente. Expulso na final da Libertadores com 30 segundos de jogo, contra o Atlético-MG, em 2024, ele viu o time se superar e sair campeão. Em entrevista ao “Bola da Vez”, da ESPN, o volante do Al-Rayyan recordou a decisão.
– Esse dia foi muito difícil para mim, né, cara? Porque foi uma mistura de sentimentos. Assim que começa o jogo, acontece aquilo ali. Na hora, eu me perguntei por quê? A gente fica se perguntando por quê. De um ano que eu trabalhei tanto e o jogo mais importante da temporada para o clube acaba acontecendo isso. Então, eu escorrego, na hora recebo o amarelo e falo “ah, saiu barato. Me livrei”. Mas aí quando ele começa a botar a mão no ouvido ali, alguns jogadores me perguntando se pegou… Não foi imprudência não, cara. Aconteceu mesmo. Eu estava bem tranquilo aquele dia. Foi um acidente que não houve como evitar. Eu ouvi os meus companheiros gritando assim no fundo “a gente vai correr para você” – lembrou.
Gregore não viu direito a maior parte do jogo.
– Dali eu vou para o doping. E no doping não tem a TV ao vivo. É o protocolo, ficar lá até os 70 minutos. Você tem que obrigatoriamente ficar na sala do doping. É obrigatório. Tinha televisão, mas não era ao vivo. Acontecia, eu ouvia e passava uns cinco segundos. Então, na hora do gol, eu ouço a torcida comemorando, mas eu não sabia de quem, porque eu saí atordoado, né? Eu pensava se minha família estava bem, porque eles estavam no estádio. E eu ficava pensando muito se eles estavam bem, assim, porque eles sabiam tanto que eu trabalhei para estar naquele jogo. E logo depois eu já torcia para a gente ser campeão, porque senão o mundo ia cair na minha cabeça, né? Depois do doping, já vou direto ali para a escada e o segurança não me deixa ficar ali. Aí eu tenho que ir para o vestiário e vejo o jogo num vidrinho, assim, e os torcedores me viam. Já estava 2 a 1. E aí, faltando cinco minutos, eu vou para o túnel ali. O segurança já também não me deixa ir, mas eu vou assim mesmo, fico ali na escada e eu vejo o gol do Júnior já na entrada do campo – contou, antes de revelar o sentimento na hora.
– Alívio. Mais do que qualquer outra coisa, alívio. Foi um alívio, assim… A gente… Nem eu, mas o time não merecia perder o título por um erro, um acidente meu, entendeu? Depois só foi zoação. Paguei uns três, quatro churrascos aí para os caras porque salvaram minha pele. Eu agradeci também – disse.
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Passagem pelo Botafogo poderia ser abreviada
– O Leandro (do estafe do jogador) estava lá no estádio, eu acabo o jogo, eu pego meu telefone e tem, sei lá, inúmeras mensagens. Não sei nem quantas mensagens tinha. E eu olho uma dele e ele já brinca, ele fala, “eu já estava olhando um clube para a gente ir”. Porque eu acho que, pela circunstância que era, primeira final de Libertadores, o Botafogo vinha num sofrimento grande há muito tempo, e naquele jogo ali, acontece comigo. Não tinha como, né?
Peso no jogo seguinte
– Eu consegui relaxar assim, foi no trio elétrico, né, quando a gente chega. Ali eu extravasei, ali eu consegui né, mas eu fiquei com aquela imagem na cabeça por algum tempo, né? E logo após a gente tinha o jogo do Inter que se o Inter ganha ele tinha a chance ainda de ser campeão. E a gente ganha lá com gol do Savarino. E esse jogo foi o jogo que eu mais joguei ainda com o pé no freio. Querendo ou não, fica na nossa cabeça. Logo depois do jogo, o psicólogo Paulo (Ribeiro) também vem conversar comigo, perguntar como é que eu estava. E lógico, eu falo que eu estou bem, mas a imagem fica na nossa cabeça. Mas eu estava bem tranquilo, porque eu tive a segurança, o respaldo da comissão técnica, dos meus companheiros. E aí depois do jogo do Internacional a gente já vai para o Rio com essa chance de título. A gente matou eles ali.