Luís Castro dá ótima entrevista à Botafogo TV: ‘O que sinto no estádio é fantástico, união perfeita entre time e torcida’ 

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Por FogãoNET

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Luís Castro dá ótima entrevista à Botafogo TV: ‘O que sinto no estádio é fantástico, união perfeita entre time e torcida’ 
Vitor Silva/Botafogo

Luís Castro deu uma interessante entrevista à Botafogo TV, divulgada neste sábado. O treinador português contou como começou sua relação com clube, destacou a união entre torcida e time e falou de diversos assuntos.

O treinador português explicou que não quer pretende ter uma equipe com a sua cara, mas com a cara do Botafogo.

Leia as declarações:

Primeiro contato com torcedores

– Ainda no Qatar, no Al-Duhail, durante o jogo percebi que estava um adepto do Botafogo. E depois encontrei com ele, foi o primeiro contato com alguém ligado emocionalmente ao Botafogo. Também conheci um adepto do Botafogo que posteriormente me ofereceu uma camisa, com muito carinho, a primeira que tenho do Botafogo. Ainda não tinha chegado a acordo, havia a possibilidade, mas ele previu que eu fosse aceitar e que meu destino fosse mesmo o Botafogo. Foram meus primeiros dois contatos com torcedores, bem longe, no Brasil. Um contou mais da história, o José, o outro foi contato mais rápido e instantâneo. O José falou sobre história, significado da estrela, todas as glórias que tinham sido referências no mundo e representaram o Botafogo. Percebi através de leitura que fiz a dimensão do clube. Já sabia o que era, porque falamos de algumas dessas glórias como Garrincha, Nilton Santos e Jairzinho, todos nós sabemos a que clube pertenceram e o que fizeram no futebol mundial. Foi só aprofundar um pouco mais as coisas.

Chegada ao Brasil

– No Brasil, o primeiro contato foi na chegada, na madrugada, com muitos adeptos no aeroporto. É natural que na minha contratação, apesar de nós na nossa carreira irmos atingindo objetivos, longe do Brasil, haja um desconhecimento do que fazemos e podemos fazer. É natural e às vezes provoca desconfiança nas pessoas. Aceito isso. Há muitas pessoas ainda um pouco desconfiadas do que posso ou não fazer, mas é o trabalho que nos leva. Mais que os resultados, que têm muita força. Torcedor quer ganhar muito, eu também, vivo das vitórias. Minha carreira tem muitas vitórias. Nos só conseguimos ascender na carreira com resultados, atingindo objetivos. Nunca falhamos objetivos, isso criou aumento da confiança. Talvez aqui ainda não exista, talvez nunca vá existir, mas o que interessa é o clube ter confiança no projeto. Sinto torcida entusiástica, envolvida, participativa. Os treinadores passam, outros vêm. Se eu sair, rapidamente vem outro treinador, o futuro do Botafogo vive desse projeto. Gosto de viver numa velocidade e vivo numa cidade maravilhosa, é um complemento, o fundamental é como vivemos no clube e as condições que o clube tem. Vivi em grandes cidades, aqui é outra cidade fantástica. São expectativas totalmente correspondidas, me sinto bem, me movimento com tranquilidade, vai contra a informação que eu tinha, que era que tinha que viver escondido.

Parte tática

– A intensidade com que se joga e a energia que se põe a jogar faz muitas vezes atropelar caminhos necessários para chegar da melhor forma à baliza adversária. Isso torna o futebol um pouco mais confuso, mas falarem que lado mais tático não é cuidado não estou de acordo. Muitas vezes a pressa e a intensidade não fazem acertar os caminhos da baliza. É questão cultural. Falam o mesmo em Portugal. Deviam ter mais tempo de jogar, jogadores não se lançarem tanto ao chão, mas não é com essa cultura que Portugal é o país que mais fornece para o Top-5? Jogadores não são lançados aqui e não são colocados no mercado com grandeza? O Brasil é a maior formação mundial de jogadores, pela forma que trabalha em sua base. Podia ser melhor? Mas é assim culturalmente, vai demorar anos e anos para mudar. Nos interessa mudar o que não estiver bem, gramado, centro de treinamento, situação metodológica, mas não é que vai ser decisivo. Condições de trabalho podem ser melhoradas.

Botafogo com a cara de Luís Castro?

– O Botafogo tem a sua cara, não precisa da cara do Luís Castro, tem uma história e um passado que lhe dão cara. Tem pessoas que fizeram essa cara, é mundialmente conhecido. Temos que respeitar o passado e construir o futuro sempre no presente, é o que estou a fazer. Cara do treinador é como equipe ataca, se defende e se comporta em campo. Isso sempre teve. É uma cara mutável com treinadores, mas o Botafogo tem a sua, de impacto forte. Queremos sempre cara sorridente e de grande orgulho.

Cultura

– Há padrões instituídos no futebol, joga com os últimos têm que ganhar, joga com os primeiros perder não está mal. Não é garantido que se ganha os últimos nem que se perde para os primeiros. Cada jogo encerra em si mesmo, temos que ultrapassar as dificuldades. Lançar jogo com base em classificação é o pior erro. Nada é impossível no futebol. E outra coisa é que vitórias são de todos e derrotas são de todos. O que mais quero é que não se olhe a classificação, vá jogar contra o Fortaleza, com determinação do início ao fim, sabendo que vai ter momentos de dificuldade. É como a vida, pode ter problemas, tem que resolver. Contra o Ceilândia tivemos jogo tranquilo, mas passamos por duas ou três dificuldades. Não devíamos ter passado? Como não? Sempre passam. Até as grandes equipes do mundo. Temos que nos preparar para isso, momentos de instabilidade, e saber o que fazer, seja qual for o resultado. Se fizermos com determinação, estaremos mais perto de ganhar o jogo.

Família Botafogo

– É um privilégio grande fazer parte da Família Botafogo. Uma honra. Às vezes as pessoas ouvem e dizem que estou falando isso para me segurar no cargo. Não sou pessoa disso, vou-me embora quando tiver que ir. Minha vida é o mundo. Gosto muito de estar aqui, é uma honra estar, pertencer à Família Botafogo, estar no estádio, sentir o calor. Cada vez a Família Botafogo está mais sólida, mais unida, as pessoas perdoam mais os nossos erros, dos jogadores, meus. O que sinto no estádio é fantástico, união perfeita entre equipe e torcida. Equipe é o que representa os torcedores, é a parte mais visível, a parte viva é sua torcida, que é o coração do clube. E é fantástico ver o coração bater como o coração do Glorioso.

Veja o vídeo:

Fonte: Redação FogãoNET e Botafogo TV

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