Retrospectiva: Botafogo vai do lixo ao luxo em 2021 e termina campeão da Série B

9 comentários

Por FogãoNET

Compartilhe

Retrospectiva: Botafogo vai do lixo ao luxo em 2021 e termina campeão da Série B
Vitor Silva/Botafogo

O Botafogo iniciou a temporada de 2021 da pior forma possível. Por conta da pandemia, o Campeonato Brasileiro de 2020 terminou apenas em fevereiro, com o time na lanterna e rebaixado. O clube tinha um novo presidente, Durcesio Mello, e precisava se reestruturar em tempo recorde. Isso porque não houve férias e muito menos tempo de planejamento, pois o Campeonato Carioca começou logo após o término do Brasileirão.

“O desafio realmente foi maior por conta do calendário apertado e de termos orçamento curto e pouca coisa para usarmos em nosso favor. Mas acredito que conseguimos aos poucos organizar minimamente a situação”, relembrou Durcesio pouco depois do acesso.

Em termos de números, o Botafogo pode se orgulhar de ter perdido pouco. Foram 55 partidas com 26 vitórias, 18 empates e 11 derrotas. O Glorioso fez 78 gols e levou 42, com saldo positivo de 36 tentos. Rafael Navarro, com 16 gols, foi o principal artilheiro.

Campeonato Carioca marcado por empates

O Botafogo apostou em Marcelo Chamusca, comandante famoso por acessos em torneios nacionais, para ser o treinador. O técnico e os dirigentes optaram por fazer do Estadual um laboratório na formação do plantel que brigaria na Série B do Campeonato Brasileiro.

Chegaram alguns nomes que deram certo na Série B, como o zagueiro argentino Joel Carli, que retornou para o clube carioca, e o meia Marco Antônio. Aos poucos, jogadores que carregavam grande expectativa viraram figurantes no plantel, como o zagueiro Gilvan, o volante Matheus Frizzo e o meia Ricardinho.

Com um elenco fragilizado e apostando na base, o Glorioso patinou na competição. Empatou oito dos 15 jogos que disputou, ganhando seis deles. Além disso sequer foi para as semifinais, acabando o torneio na sexta posição.

Na Taça Rio, prêmio de consolação, perdeu a decisão para o Vasco, nos pênaltis.

Copa do Brasil foi um preço a se pagar

Como as primeiras fases da Copa do Brasil eram disputadas de maneira paralela ao Campeonato Carioca, o Botafogo calculou mal os riscos na competição nacional. Nem tanto na fase inicial, quando atropelou a Campinense por 5 a 0.

Na segunda fase cruzou o caminho do ABC. Jogo único e com o empate levando para as penalidades. E foi o que aconteceu. O 1 a 1 no tempo normal levou a sorte do duelo para os pênaltis, e o time potiguar foi mais eficiente.

“Foi uma pancada que ninguém no clube esperava”, contou Durcesio.

Após a eliminação, torcedores botafoguenses discutiram com os jogadores e acusaram o meia Felipe Ferreira de gestos obscenos. Kanu, zagueiro, cria da base e um dos poucos a resistir ao rebaixamento, foi quem mais conversou com os torcedores.

“Aquele jogo foi um grande sofrimento porque a gente não esperava e isso doeu muito. Mas ele serviu de combustível para todos que ficaram na Série B”, contou Kanu, o atleta que mais atuou na temporada pelo Glorioso: 50 vezes.

A reação na Série B

Com Marcelo Chamusca desacreditado, o Botafogo começou a Série B de forma positiva. Nos quatro primeiros jogos, teve dois empates como visitante e dois triunfos em casa. Uma espécie de Matemática perfeita do acesso. Entretanto a coisa começaria a mudar com a derrota de 3 a 1 para o Náutico, em Pernambuco.

O time perdeu em seguida para o Sampaio Corrêa, por 2 a 0, no Maranhão e entrou em uma rota de irregularidade. A queda do treinador era questão de tempo e ela veio após empate por 3 a 3 com o Cruzeiro, no Rio de Janeiro.

O Alvinegro ainda perderia de 2 a 1 para o Brusque e de 2 a 0 para o Goiás antes de anunciar o substituto: Enderson Moreira, que também chegou sob desconfiança.

“Era preciso conhecer primeiro o elenco e depois entender como agir. Os jogadores abraçaram a causa. O que esse grupo do Botafogo conseguiu foi algo histórico e marcante. De encher todos de orgulho”, disse o treinador.

“Antes mesmo do Enderson chegar a gente se reuniu. Sabíamos que precisaríamos jogar como o Botafogo, pela grandeza do clube, tentando sempre buscar os gols”, revelou o atacante Diego Gonçalves, em entrevista coletiva na reta final da competição.

Enderson estreou com um triunfo por 1 a 0 sobre o Confiança, em Sergipe, e emendou uma sequência de quatro vitórias seguidas. Depois, vieram mais triunfos e o time se posicionou de vez como um postulante ao acesso.

O retorno foi selado com três rodadas de antecipação, e a conquista do título na penúltima rodada. O ano mostrou um Botafogo que foi do lixo ao luxo em dez meses.

Projeções para a próxima temporada

O Botafogo já começou a pensar no seu planejamento para 2022. Entretanto, vem penando na tentativa de manter o elenco para a próxima temporada. Além disso, também soferá para buscar reforços.

“Infelizmente o clube segue rebaixado financeiramente até maio”, disse o vice-presidente geral Vinicius Assumpção.

O Botafogo vai repetir a estratégia de montar um elenco para o Carioca, que seguirá como laboratório. No Brasileiro, a ideia é brigar para se manter na elite e tentar uma vaga na Copa Libertadores.

Paralelamente a isso, o clube tentará avançar no projeto para se transformar em empresa. Caso saia do papel, o Botafogo deve mudar de patamar na temporada.

Fonte: Gazeta Esportiva

Notícias relacionadas