Com SAF, Botafogo traça estratégia para acelerar pagamento da dívida, conta membro do Comite de Transição

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Por FogãoNET

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André Chame, advogado que colidera projeto do Botafogo de se transformar em S.A.
Vitor Silva/Botafogo

Advogado, André Chame é o porta-voz do Botafogo na SAF (Sociedade Anônima do Futebol) e um dos membros do Comitê de Transição até a assinatura definitiva do contrato. Ele deu entrevista ao jornalista Rodrigo Capelo, no podcast “Dinheiro Em Jogo”, do “GE”.

Um dos pontos abordados foi a dívida do Botafogo, estimada em R$ 1 bilhão. André Chame deixou claro que o valor de investimento inicial (previsto em R$ 400 milhões) não é para o pagamento do passivo.

– Antes do marco legal, da Lei da SAF, o projeto do Botafogo que o investidor comprovasse previamente a liquidação de 80% da dívida. Com a lei, não é necessário. A dívida fica toda na associação e tem a obrigação de ser paga pela SAF, que tem responsabilidade subsidiária. O Regime Centralizado de Execuções prevê prazo de seis anos prorrogáveis por mais quatro para pagamento de dívidas cíveis e trabalhistas. Esse pagamento é feito com 20% da receita corrente mensal da SAF, a ideia é que ela cubra. De qualquer maneira, a responsabilidade subsidiária é da SAF, com seu investidor – disse Chame, que foi perguntado também sobre a dívida tributária, que não entra nesse modelo.

– Ainda estamos vendo como fazer, mas o o certo é que essa dívida será assumida pela SAF e será paga com recursos oriundos da SAF. Temos fase que se inicia essa semana da elaboração dos documentos definitivos da operação. Vamos avaliar em conjunto com a equipe do (John) Textor a melhor estrutura para que isso aconteça, mas é certo que acontecerá.

O objetivo desse recurso inicial não é pensar no pagamento da dívida, mas em incrementar a receita futura. Hoje a receita projetada é de R$ 150 milhões, R$ 170 milhões, teria R$ 34 milhões para pagamento de dívida. Se aumentar a receita para R$ 300 milhões, já seriam R$ 60 milhões (para dívida). A ideia é gerar SAF com faturamento robusto, disputar melhores competições, gerar jogadores a melhores preços e ter faturamento maior, que vai gerar aceleração no pagamento da dívida – enumerou.

O porta-voz da SAF do Botafogo falou também sobre o investimento no futebol do clube, mesmo que sem abrir os valores exatos.

Esse número já existe, mas está coberto por cláusula de confidencialidade. Mas coloca o Botafogo em patamar interessante. Para todo nosso grupo de trabalho, esse era um ponto inegociável. Os valores até negociamos, mas uma cláusula que garantisse bom desempenho era primordial. Não percebemos essa intenção no John (de tornar o Botafogo um clube de revenda de atletas), mas precisa estar no papel que a ideia é o Botafogo ter um time competitivo – explicou

– O que é importante dizer é que não conseguimos colocar esse compromisso com perpetuidade, mas do primeiro ao sétimo ano. E a partir do oitavo há cláusula de melhores esforços e elenco compatível com Série A. A linha mestra é um orçamento de elite do futebol brasileiro. Qual foi a preocupação? Esperamos e ouvimos rumores de uma liga, com explosão de receita. Então colocamos outro mecanismo de reajuste. Era preciso proteger o clube – completou.

Fonte: Redação FogãoNET e podcast Dinheiro em Jogo (GE)

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