Textor lamenta ‘falta de respeito’ à Lei da SAF, lista problemas para explicar fluxo de caixa no Botafogo, mas tranquiliza torcida: ‘Estou sempre colocando mais dinheiro do que prometi’

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Por FogãoNET

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Textor lamenta ‘falta de respeito’ à Lei da SAF, lista problemas para explicar fluxo de caixa no Botafogo, mas tranquiliza torcida: ‘Estou sempre colocando mais dinheiro do que prometi’
Reprodução/FogãoNET

Acionista majoritário da SAF do Botafogo, John Textor explicou nesta terça-feira (24/1) em live no canal do FogãoNET no YouTube (veja abaixo) os problemas com fluxo de caixa que o clube sofreu no fim de 2022, o que acabou acarretando em alguns atrasos de pagamento.

O empresário norte-americano lamentou o entendimento ruim da Lei da SAF por alguns advogados e órgãos judiciais, citou que precisou pagar muitas dívidas do clube social e que não teve acesso às cotas de TV da Globo e nem mesmo da premiação da Copa do Brasil no ano passado.

– É importante falar sobre o contrato que fiz com o clube social. No contrato, no primeiro ano tenho teria que aportar R$ 150 milhões. Os torcedores esperam da SAF uma separação clara do passado: “Agora temos um investidor, temos que pensar no futuro, temos que ir para frente”. É assim que eu gostaria de pensar. O que era esperado é que 20% das receitas iriam para o RCE (Regime Centralizado de Execuções) para pagar as antigas dívidas do clube social. A Lei da SAF deveria nos ajudar, mas ela está quebrada, não funciona. É a primeira vez que falo isso aqui. Não estamos prontos para aportar no futuro porque os fantasmas do passado continuam interferindo. Eu acredito numa nova lei, e somos os primeiros, junto com Cruzeiro e Vasco, a experimentar essa nova lei. No primeiro ano, mesmo que eu tenha prometido R$ 150 milhões, eu coloquei R$ 200 milhões – iniciou Textor.

– Desde o início entendemos que os juízes e as cortes brasileiras não tiveram o cuidado para interpretar a Lei da SAF. Acredito que precisamos cuidar da SAF e não se preocupar com os problemas do passado. Todos os credores do clube têm de estar dentro do RCE, depositar os 20% em juízo, e não interferir na operação da SAF – continuou.

Textor, então, começou a citar exemplos dos problemas que a SAF precisou enfrentar por conta de débitos do clube social.

Agora está tudo tranquilo, tudo em dia, mas quero explicar o que aconteceu no fim do ano. Vou dar alguns exemplos. No primeiro jogo do ano no Nilton Santos, chegou um senhor para instalar os LEDs dele, sendo que é uma propriedade nossa. Não sabia quem era, ele me mostrou o contrato, ele foi à Justiça e o juiz deu a causa para ele. Temos trabalhado para buscar novas fontes de receita e uma das propriedades. Não tivemos uma só semana sem que tivéssemos um problema do clube social do passado interferindo nas nossas operações.

Se o governo aprova uma lei, mas os juízes não seguem a lei ou não concordam com ela, é muito difícil nos desvincular do passado. Estamos trabalhando muito bem com o clube social para encontrar as soluções, porque a Lei da SAF não está nos protegendo como deveria. Uma pessoa da Ferj, quando assumimos a SAF, cobrou da gente uma dívida histórica de R$ 5 milhões e ameaçou que não poderíamos inscrever jogadores. Tivemos uma companhia de energia que foi ao Lonier e disse que o velho Botafogo devia-lhes dinheiro e tentou cortar a nossa luz, tivemos que pagar imediatamente para não ter a luz cortada. Ganhamos R$ 3,5 milhões do prêmio da Copa do Brasil e a CBF pegou o dinheiro porque o clube social tinha uma dívida histórica com eles. Fizemos ofícios à CBF e nunca tivemos uma resposta.

O contrato da TV vem de meses em meses, e não mensalmente. Em junho, estávamos gastando dinheiro investindo em jogadores, contando com o dinheiro da Globo, e esse dinheiro não veio. Aparentemente, dois presidentes do clube social antes do Durcesio assinaram um documento dando o contrato da Globo como garantia de uma dívida fiscal com o Governo. Essa mesma dívida estava renegociada com o Governo, sendo paga em dia. Porém, um procurador federal resolveu resgatar aquele antigo contrato e falar que o dinheiro era dele. Era muito dinheiro. O contrato da TV é a maior receita da SAF e foi tomado sem mais nem menos.

– E o maior problema que temos é a imprevisibilidade da entrada de recursos, porque somos avisados com um dia de antecedência que o dinheiro pode não ser depositado. O mesmo Governo que aprovou a Lei da SAF, há órgãos que acabam nos causando problemas. Nem mesmo Governo, federações, ninguém respeita a Lei da SAF. Há muitas surpresas, eu investi mais dinheiro do que prometi. Não quero deixar ninguém preocupado, mas quero deixar claro de que são problemas cotidianos, tenho que lutar com juízes, federações, muitas frentes.

John Textor afirmou que os investimentos no futebol do Botafogo seguem sendo feitos, acima do que estava previsto:

– Nesse contexto da janela de transferências (em junho do ano passado), tive que viajar a Brasília para tentar conseguir resgatar algumas receitas para a SAF. O clube está coberto, não se preocupem, estamos investindo, estou colocando sempre mais dinheiro do que prometi, temos uma folha salarial Top 6. Mas não vamos colocar mais dinheiro no RCE até as cortes respeitarem a Lei. Estamos muito alinhados com o clube social buscando uma solução alternativa para separar em definitivo os problemas do passado do futuro.

Veja a LIVE do FogãoNET com John Textor:

Fonte: Redação FogãoNET

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