XP projeta novo dono para o Botafogo no segundo trimestre de 2022: ‘Quanto mais agressivo for o investidor, melhor’

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Por FogãoNET

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XP projeta novo dono para o Botafogo no segundo trimestre de 2022: ‘Quanto mais agressivo for o investidor, melhor’
Reprodução/Botafogo TV

Botafogo e Cruzeiro já tem prazo para conseguirem um investidor: até o fim do primeiro semestre de 2022. É o que afirmou Pedro Mesquita, chefe da XP Investimentos que fechou parceria com os dois clubes no sentido de transformá-los em SAF – Sociedade Anônima do Futebol.

– A nossa intenção é que no primeiro trimestre a gente consiga fechar toda a documentação, contrato de compra, e tenha um novo dono pelo menos para o Cruzeiro no primeiro trimestre. Para o Botafogo, a gente espera que isso aconteça no segundo trimestre do ano que vem – afirmou Mesquita, que definiu o perfil do investidor.

– Vamos procurar o melhor para o clube. Claro que, para o clube, o quanto mais agressivo for esse investidor, melhor. Querer resultado rápido é melhor, mas também não pode fazer isso para não parar de pé como foi no passado – afirmou.

Pedro Mesquita afirmou que o Botafogo pode se tornar uma SAF ainda este ano, o que ajudaria no processo de encontrar um investidor.

– Os clubes estão esperando terminar o campeonato. O Cruzeiro, em dezembro, já será SAF, independentemente de ter investidor ou não. No Botafogo, a gente acredita que será no mesmo cronograma. A grande diferença é que, no Cruzeiro a gente já está conversando com investidores faz um tempo. Expliquei as fases: contato com os investidores, assina contrato de confidencialidade, passam um ou dois meses analisando, fazem a proposta, escolhem um e vão negociar contrato. O Botafogo está um pouco atrasado em relação a isso, mas os dois clubes devem criar a SAF ainda neste ano – explicou.

Para o economista, a tendência é que a “venda” de Botafogo e Cruzeiro seja para investidores estrangeiros:

Acredito muito que essa venda será para grupos estrangeiros. Porque eles já têm o know-how, sabem avaliar muito melhor do que grupos nacionais. O potencial é enorme. Agora, de onde virá essa receita, os grupos lá de fora sabem como funciona o time antes e depois. No teaser do Cruzeiro, por exemplo, vai falar o quê? Que é um clube de grande tradição em Minas Gerais, dominante no estado dele, já ganhou tantos títulos, formou tantos atletas, potencial de formação muito grande… E aí conta essa história para o investidor, que vai pegar esses consumidores, clientes, torcedores e transformar em outro patamar. Negociação de direitos televisivos, publicidade, hoje o mundo do marketing é muito maior do que isso, todo esse universo digital, negociação de NFTs, sócio-torcedor que pode ser feito de uma maneira muito mais profissional…

Confira outros trechos da entrevista com Pedro Mesquita:

O QUE SERÁ VENDIDO?

“Falando um pouco do Cruzeiro que está mais adiantado, já estamos há três meses trabalhando, o Botafogo começou essa semana. Faremos um processo de fusão e aquisição como fazemos com as empresas privadas aqui na XP. Aqui no banco de investimentos fazemos três tipos de negócio: fusões e aquisições, emissão de ações e de dívida. No mundo das fusões e aquisições vamos fazer essa venda do controle SAF do Cruzeiro. Apesar de ser uma venda de somente 49% haverá um acordo de acionistas no qual esse novo comprador controlará o clube. Até porque, se não for assim, ninguém vai comprar. É realmente a venda do controle do clube.”

“Estamos fazendo uma concorrência. Como funciona esse processo? Você primeiro monta um “teaser” explicando o que é a transação, envia para os potenciais investidores. Os que querem se aprofundar na análise assinam um contrato de confidencialidade conosco, a gente envia as informações detalhadas e os interessados fazem uma oferta inicial, ainda não vinculante. Depois, nós com o clube escolhemos os melhores compradores. Não é só a melhor proposta financeira, mas também o projeto. A gente vai para uma segunda fase em janeiro onde escolheremos o interessado que mais agrada ao clube. A nossa intenção é que no primeiro trimestre a gente consiga fechar toda a documentação, contrato de compra, e tenha um novo dono pelo menos para o Cruzeiro no primeiro trimestre. Para o Botafogo, a gente espera que isso aconteça no segundo trimestre do ano que vem.”

POR QUE CRUZEIRO E BOTAFOGO?

“Falando um pouco do Cruzeiro que está mais adiantado, já estamos há três meses trabalhando, o Botafogo começou essa semana. Faremos um processo de fusão e aquisição como fazemos com as empresas privadas aqui na XP. Aqui no banco de investimentos fazemos três tipos de negócio: fusões e aquisições, emissão de ações e de dívida. No mundo das fusões e aquisições vamos fazer essa venda do controle SAF do Cruzeiro. Apesar de ser uma venda de somente 49% haverá um acordo de acionistas no qual esse novo comprador controlará o clube. Até porque, se não for assim, ninguém vai comprar. É realmente a venda do controle do clube.”

EM QUE FASE ESTÁ O PROJETO?

“A gente está nesse processo conversando com os principais donos de clubes do mundo, entre investidores, fundos de private equity, e o interesse está sendo muito grande. Está muito maior do que a média, todo mundo quer entrar em um novo mercado. Montamos um núcleo de esportes aqui na XP para atender essas transações e acreditamos que é um caminho sem volta para os 12 grandes clubes do Brasil. A partir do sucesso da primeira, da segunda operação, todos vão seguir o mesmo caminho. Da mesma forma que aconteceu na Inglaterra.”

COMO FICA O PAGAMENTO DAS DÍVIDAS?

“É um ganha-ganha, para quem é o credor e para o novo investidor. Essa nova empresa é criada, não tem dívida, porém, 20% da receita dessa nova empresa tem de ser destinada à antiga associação até que se zere essa dívida. Isso está na lei. Não é uma lei que foi feita para não pagar a dívida, pelo contrário, foi feita para pagar. A chance dessa dívida ser paga é muito maior do que hoje em dia. Tem total alinhamento para que essa dívida seja paga no menor tempo possível para que o investidor passe a ter acesso a 100% da receita e não somente a 80%.”

COMO SERÁ A DIVISÃO?

“A intenção do Cruzeiro é vender o controle. O Cruzeiro associação continua com 51% das cotas, mas quem vai mandar é quem tem 49%. Foi uma questão aprovada pelo conselho do clube lá atrás, aprovaram fazer dessa maneira. O que muda é que o Cruzeiro quer continuar com 51% porque com a valorização lá na frente poderá fazer aumento de capital, vender mais, trazer mais, ter mais investidores. (No Botafogo)
Ainda não está definido, estamos definindo com eles. Mas isso é o menos importante. O importante é: os dois vão vender o controle.”

QUAL O PERFIL DO INVESTIDOR?

“Existem esses grandes fundos soberanos, o Oriente Médio investe muito no futebol, existem fundos europeus dedicados a isso que investem em futebol e outros esportes, na liga americana também tem vários fundos. Então tem três perfis de investidores, os do Oriente Médio, os europeus e os americanos. Por que eu acredito que o comprador será de fora? Competir com o dinheiro de fora hoje em dia é difícil. O poder do dólar é muito alto. Então acho que será difícil, não impossível, um investidor local ganhar essa batalha. E também tem a questão da sinergia. Um dono de times da Europa e pelo mundo, ele conectando com o Brasil pode ter intercâmbio de jogadores, formação de jogadores…”

FAIR PLAY FINANCEIRO

“Essa parte nem está sendo negociada ainda. Acho que seria a mesma coisa que colocar o carro na frente dos bois. Como vai discutir um fair play financeiro se nem tem investidor que coloca muito dinheiro? É uma coisa que tem de vir depois. Na Europa, o fair play financeiro começou a existir a partir do momento que começou a se investir muito. Acho que todas essas discussões virão, mas virão no futuro.”

HÁ CONVERSAS COM OUTROS CLUBES?

“O que existe hoje é que vários outros clubes, conversei com quase todos eles, têm muita questão de conselho, mas acho que com o tempo os clubes que saírem na frente vão ter sucesso e isso vai acabar sendo um efeito para todos os grandes clubes do Brasil. As marcas são muito fortes e não tem mais espaço no futebol mundial para continuar com o modelo antigo. O Brasil está atrasado em relação ao mundo, principalmente Inglaterra, por exemplo, mas quando se olha o Brasil o potencial é gigantesco.”

Fonte: Redação FogãoNET e Blog Negócios do Esporte (GE)

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