Análise: desfalques e elenco curto pesam em atuação fraca do Botafogo na derrota para o Fluminense

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Análise: desfalques e elenco curto pesam em atuação fraca do Botafogo na derrota para o Fluminense
Vítor Silva/Botafogo

O Botafogo entrou em campo na tarde de domingo (26/6) no Estádio Nilton Santos para marcar o ataque do Fluminense. A estratégia de jogo reativo funcionou na primeira etapa, mas sucumbiu na metade final quando o time perdeu em capacidade de desarme e, consequentemente, em força nos contra-ataques. Exigido a todo momento, o sistema defensivo alvinegro foi seguro na maior parte do confronto e acabou batido em um raro momento de desorganização. A falta de recursos ofensivos do Glorioso chamou a atenção, com poucas dinâmicas de movimentação e uma única finalização na direção do gol em todo o jogo.

O jogo colocou frente a frente dois rivais em busca da consolidação de um bom momento no campeonato. Botafogo e Fluminense começaram a 14ª rodada com a mesma pontuação (18) e querendo a vitória para não perder contato com os cinco primeiros colocados. Mas o Glorioso teve muitos problemas para montar o time titular. Quatro suspensões obrigaram Luís Castro a promover muitas alterações na equipe. O próprio treinador cumpriu suspensão e não comandou o time na beira do campo, tarefa que coube a Vitor Severino. A principal mudança ocorreu na dupla de volantes, Patrick de Paula e Kayque, que conseguiram impor um jogo mais físico, melhorar a proteção da última linha de defesa e entregar também boa dinâmica no ataque, aparecendo na área para finalizar. Tchê Tchê e Del Piage substituíram os volantes oferecendo outra característica à equipe.

Na frente, Chay entrou no lugar de Lucas Piazon. O camisa 14 cumpriu a mesma função que o meia vinha executando, partindo da esquerda na linha de três atacantes para procurar um jogo mais associativo na faixa central. A movimentação busca também abrir o corredor para a subida de Hugo, que apareceu bastante no ataque. O Botafogo ainda teve mais um desfalque, depois de Erison sentir um desconforto no aquecimento e Matheus Nascimento o substituir. Se o time perde em força física sem o artilheiro, ganha em qualidade técnica com o jovem atacante, que é capaz de participar mais do jogo, envolvendo os companheiros em um jogo associativo.

Análise Botafogo x Fluminense

O jogo

O Fluminense começou a rodada com a maior média de posse de bola do Brasileirão (56%), situação comum nas equipes treinadas por Fernando Diniz. E o cenário do clássico não fugiu dessa característica. Durante todo o primeiro tempo, a posse de bola do Tricolor flutuou na casa dos 70%. No entanto, esse domínio da posse não se converteu em um controle do jogo. O Botafogo soube se fechar e causou muita dificuldade para o ataque adversário que finalizou pouco a gol. Foram 12 desarmes do Glorioso na etapa inicial, com destaque para os quatro de Del Piage. O ataque adversário não conseguiu provocar desequilíbrios na defesa alvinegra a partir de movimentações e trocas de passes. Só Luiz Henrique, em jogadas individuais, foi capaz de oferecer verticalidade com regularidade e em torno dele as ações ofensivas se desenrolaram. Muito exigido na defesa, Hugo sofreu com as investidas do atacante.

Fechado no campo de defesa, o Botafogo soube usar os passes longos para sair em contra-ataques e finalizar no gol defendido por Fábio. Na primeira etapa, o time registrou um ótimo aproveitamento (45%) nos 20 lançamentos que tentou. Matheus Nascimento foi a referência para o desafogo da equipe e entregou um bom desempenho no embate com a defesa. Matheus ganhou duelos na força, girando em cima da marcação e procurando, especialmente, Vinícius Lopes nas transições em velocidade. Para uma sorte melhor no primeiro tempo, faltou ao Botafogo mais qualidade nas finalizações. Hugo, Vinícius e Matheus tiveram oportunidades de gol, mas os chutes não saíram conforme o esperado.

Enquanto o Fluminense trocou 404 passes nos primeiros 45 minutos, com 95% de acerto, o Botafogo trocou apenas 63, com 75% de aproveitamento. Nas finalizações, quatro para cada lado. O Tricolor cruzou a bola 13 vezes na área alvinegra, com um aproveitamento baixo de 15%. Esse número repete um padrão dos últimos dois jogos, desde que o Glorioso adotou o sistema com três zagueiros. O time bloqueia a faixa central e força os adversários para as laterais. Dessa forma, acumulam-se cruzamentos pouco criteriosos que a defesa corta com autoridade.

Individualmente, alguns jogadores atuaram em uma rotação mais baixa. Tchê Tchê não teve o mesmo desempenho defensivo de Del Piage e, mais uma vez, não conseguiu mostrar a esperada qualidade no passe para melhorar a distribuição do jogo da equipe. Chay também não teve grande atuação. O meia buscou executar as funções defensivas que o sistema de jogo do time exige para evitar superioridades numéricas nas beiradas, sobretudo no jogo de hoje em que as ações defensivas do adversário aconteceram pelo seu lado. No entanto, faltou força para conseguir ser útil também no ataque. Dos nove passes que tentou no primeiro tempo, quatro foram errados, desperdiçando algumas oportunidades de contra-ataques.

Sem alterações no intervalo, o Botafogo voltou com a mesma atitude para o segundo tempo. O Fluminense mudou o posicionamento do ataque, com Ganso centralizado como um pivô para rodar a bola e explorar espaços nas entrelinhas. A mudança fez o Tricolor mais perigoso, ainda que o time continuasse com problemas para finalizar com qualidade. Com o ataque adversário menos focado no lado direito, o sistema defensivo do Glorioso perdeu capacidade de desarme, o contra-ataque parou de funcionar e o time não conseguiu criar situações de gol, ficando acuado no campo de defesa.

A primeira substituição aconteceu aos 18 minutos, quando Erison entrou no lugar de Matheus Nascimento. Aos 28, Oyama e Jeffinho substituíram Del Piage e Chay. As mudanças colocaram o Botafogo em um 5-4-1, com o ‘Toro’ isolado na frente. O acúmulo de suspensões e lesões expuseram, mais uma vez, limitações do elenco. Havia poucas opções no banco para mudar o jogo contra uma equipe forte como a do Fluminense.

Apenas com 33 minutos o time conseguiu finalizar a gol pela primeira vez na etapa final, em lance que Saravia poderia ter caprichado mais no cruzamento. Mais exigido, o lateral não fez um bom segundo tempo. Três minutos depois, em lance na área alvinegra, o argentino foi mal no combate e levou o drible de Manuel, que abriu o placar com o gol aberto. O Fluminense pegou a defesa alvinegra desorganizada, saindo da área depois de cobrança de escanteio.

Análise Botafogo x Fluminense

Após se defender em todo o jogo, o Botafogo não teve recursos para organizar jogadas de ataque em busca do empate. Tampouco teve força para executar uma pressão sobre o adversário. Cruzamentos a partir da intermediária e arrancadas desesperadas foram as únicas alternativas da equipe, que não deu trabalho para o goleiro Fábio na metade final do jogo.

O Botafogo agora vai encarar o América-MG em jogo válido pelas oitavas de final da Copa do Brasil. O duelo de ida acontece na próxima quinta-feira (30), às 19h, em Belo Horizonte.

Números do jogo: (Footstats)

Posse de bola – BOT 29% x 71% FLU
Passes certos – BOT 118 (81%) x 673 (93%) FLU
Finalizações – BOT 8 (1 no gol) x 10 (4) FLU
Assistências para finalização – BOT 7 x 9 FLU
Desarmes – BOT 19 x 11 FLU
Interceptações – BOT 6 x 6 FLU
Rebatidas – BOT 26 x 16 FLU
Cruzamentos – BOT 3/10 (30%) x 5/27 (18%) FLU
Lançamentos – BOT 17/38 (45%) x 7/13 (54%) FLU
Viradas de jogo – BOT 0 x 1 FLU
Dribles – BOT 9 x 13 FLU
Perdas de posse de bola – BOT 27 x 30 FLU
Faltas – BOT 18 x 13 FLU
Cartões amarelos – BOT 3 x 2 FLU

Fonte: Redação FogãoNET

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